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50 ANOS DE FIDELIDADE NO MINISTÉRIO SACERDOTALPadre Pietro Bracelli celebra os 50 anos de sacerdócio no Santuário Nossa Senhora Aparecida do Norte - SP. Nas fotos: à esquerda, Padre Pedro carregando a imagem de N.S.Aparecida; à direita, em alto, celebrando mo Santuário Santa Cruz, próximo à sede dos Combonianos em São Paulo; embaixo: Padre A.Di Lella, outro comboniano nos seus 50 anos de vida sacerdotal. O dia 21 de abril 2010 – 50º Aniversário de Brasília – ofereceu-lhe a oportunidade, desejada há tempo, mas de difícil realização, de celebrar este dia jubilar no Santuário Nacional Nossa Senhora Aparecida do Norte - SP. A Basílica estava superlotada. Outros padres vindos de São Paulo celebravam o primeiro ano de ordenação. Dos Missionários Combonianos estavam também o padre Alcides Costa, superior provincial, e o padre Enzo Santângelo. Na procissão de regresso à sacristia, o padre Pietro (ou Pedro, como era chamado aqui) foi incumbido de levar a imagem de Nossa Senhora, de braços erguidos. Foi um momento emocionante e de experiência espiritual profunda. Os 50 anos ele os viveu como missionário seguidor de São Daniel Comboni. Tinha desembarcado, de navio, no Rio de Janeiro no dia 5 de novembro 1960. NOSSO DEUS E NOSSO PAI Ser sacerdote e missionário por 50 anos foi para ele a maneira melhor de se viver. O caminho de fé ficou caracterizado pela abertura universal, isto é, pela certeza de que Deus ama todos os povos. O padre Pedro recorda também dois colegas que atuam no Brasil e que celebram o mesmo aniversário: o padre Antônio Di Lella, em Porto Velho, RO, e o padre José De Feo, em Balsas, MA. Na sua experiência de espiritualidade missionária, passou do uso da invocação “Meu Senhor e meu Deus”, à de “Nosso Deus e nosso Pai”. A VOLTA ÀS ORIGENS Para quem é aposentado não há projetos, assim o padre Pedro se deixa conduzir pela mão de Deus. Encerrou sua presença no Brasil no dia 18 de maio. Voltou às origens, por entender que a missão inclui um envio e um retorno, sempre no espírito de Quem o chamou. No mês de junho encontrou na Itália, em Limone (lugar do nascimento de São Daniel Comboni), mais 20 colegas que trabalharam na África, tendo iniciado a mesma missão naquele ano de 1960. No Brasil, espalhados em muitas cidades, o padre Pedro deixa muitos amigos e companheiros de caminhada. Trabalhou em oito paróquias, e 18 anos na formação e orientação de outros missionários. Dirigiu também a Província dos Missionários Combonianos do Brasil Sul durante seis anos. A lembrança das muitas pessoas e comunidades é para ele a melhor recompensa e o mais forte estímulo para ficar satisfeito com a vida e, sobretudo, agradecer a Deus que lhe mostrou um rosto luminoso de Pai. A MISSÃO FORMA E ATRAI...O Padre Everaldo de Souza Alves, missionário comboniano, ao partir em missão para a República Centro-Africana, nos deixou seu testemunho vocacional. Nas fotos: Padre Everaldo abençoando fiéis no dia de sua ordenação sacerdotal, e - à direita, na sede dos Combonianos em São Paulo, ao se despedir e sair para a missão na África. Ordenado sacerdote aos 35 anos de idade, em dezembro de 2009, em Contagem/MG, desde cedo, crescido numa família mineira inserida nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), na cidade de Raul Soares, aprendi a cultivar os valores do Reino, de uma vida de fé, de serviço e doação de si, pela promoção dos pobres. Já adulto e com qualificação profissional, conheci os Missionários Combonianos e apaixonei-me pela missão comboniana, sentindo-me fortemente marcado pelo testemunho de São Daniel Comboni: um Profeta que dera o melhor de sua vida aos irmãos africanos. Senti, com Comboni, o desafio da missão, de ir mais longe, onde a dor e o sofrimento parecem mais fortes do que a vida, e anunciar com Cristo a beleza da vida e do amor que Cristo nos comunicou com sua vida, morte e ressurreição. Sem esquecer os pobres de perto, quis atravessar as fronteiras para partilhar minha vida de fé com aqueles que mais sofrem, mas que também carregam o tesouro da esperança: os trabalhadores sem terra, os indígenas, os presidiários e os doentes. Passei cinco anos estudando teologia e me confrontando com os desafios da missão em Kinshasa, na República Democrática do Congo (África). Com o povo congolês aprendi a chorar diante de tantos problemas e situações de miséria e injustiças sociais. Mas aprendi também o valor inestimável da vida, da fé e da solidariedade. Depois desta experiência além fronteiras e de um reencontro com a Igreja que me enviou, fiz minha Consagração Perpétua na Congregação dos Missionários Combonianos e fui ordenado Padre. Missão no dia-a-dia A Ordenação Presbiteral foi um momento único e inexprimível. Com a oração da Igreja e a Unção Sacramental senti a beleza da vocação e a abundância do amor com que Deus me ama (e nos ama). A gratuidade deste amor me faz feliz e me leva a uma generosa entrega pela missão, pelo evangelho e pelos irmãos. Pois sei e experimentei que minhas mãos são também mãos de Deus para abençoar, levantar e reconduzir pessoas esmagadas pela dor. Estou indo para fazer minha primeira experiência missionária como padre na República Centro-Africana (África): um país que passa por sérios problemas sociais e políticos, conflitos violentos entre etnias e a situação de muitos refugiados marginalizados. Sei que sou “um nada” diante de tantos problemas. Mas o Senhor vai à minha frente. Vou disposto a contemplar o Cristo no rosto de irmãos e irmãs sofridos que lá me esperam. Todos nós somos chamados a ser missionários: com nossa disponibilidade, ajuda econômica e orações. Quem parte e quem fica, todos devem se sentir atraídos, incluídos e comprometidos com a missão que o Ressuscitado confiou à sua Igreja: “Ide, fazei discípulos de todas as nações” (Mt 8,19). A missão é bela, e o amor de Deus é nfinitamente maior que nossas incertezas. ale a pena ser missionário, pois como disse papa João Paulo II: “Precisamos abrir as ortas para Cristo. Ele não tira nada e os dá tudo”: dá-nos a certeza da vitória e a ida em plenitude. Assim eu vou, abrindo s portas para Cristo. E que ele faça de mim e de ti instrumentos do seu amor, da justiça e a paz. De bem com a vida e sorrindo para a Missão. N.16 - setembro de 2010Para ir à página inicial do site, clique aqui NÃO VOS CONFORMEIS!“Não vos conformeis com os esquemas deste mundo, mas transformai-vos pela renovação do Espírito, para que possais conhecer qual é a vontade de Deus, boa, agradável e perfeita” (Rm 12,2). Este número de “Missão Sem Fronteiras” é dedicado à Vocação, isto é, ao “Chamado” de Deus. Deus chama homens, a fim de que, com Ele, façam deste mundo um lugar humano, habitável e fraterno: - Chama Abraão, o pai na fé, e com ele faz uma aliança, prometendo-lhe uma numerosa descendência e uma terra (cf. Gn 12). - Chama Moisés e Aarão para libertar o povo de Israel da escravidão do Egito e conduzi-lo à Terra Prometida (cf. Ex 3,6). - Chama Gedeão, Samuel (cf. 1Sm 3), Davi (cf. 2Sm, 2), Isaías (cf. Is 6), Jeremias (Jr 3,4), Ezequiel (cf. Ez 1), Oséias (cf. Os 2), Amós (cf. Am 3), Jonas (cf. Jn 3), Zacarias (cf. Lc 1,5) e Maria, a Mãe do Messias, Jesus de Nazaré (cf.Lc 1, 26-38). - Chama o padre Ezequiel, missionário comboniano. - Chama cada um de nós, para que realizemos seu projeto de Amor. Nas páginas centrais deste número apresentamos o resumo das celebrações realizadas em Cacoal (RO) no 25º Aniversário do Martírio do Padre Ezequiel Ramin, missionário comboniano, assassinado enquanto estava em missão de paz, defendendo os pequenos posseiros e os Índios Surui. Inconformado com a injustiça contra os “pequenos”, o padre Ezequiel gritou contra o esquema de corrupção dos “grandes”; corrupção que é “lei” na região. Sua voz foi calada à bala, mas seu sangue derramado, ainda hoje, grita mais alto: “Só com a Justiça na terra haverá Vida e Paz!” (N.G.). Para ler a FAMÍLIA COMBONIANA de SETEMBRO de 2010, baixe o arquivo. [baixar arquivo] Santa Rosa de Lima, na internet, para ser mais conhecida pelos fieis de todo o mundo Na foto: o poço dos desejos, em frente à estátua de Santa Rosa de Lima, no Peru A Arquidiocese de Lima abriu um site para permitir a celebração da festa de Santa Rosa de Lima a todos os devotos em qualquer lugar do mundo. Uma nota enviada à Agência Fides informa que “por ocasião da festa de Santa Rosa de Lima, a Arquidiocese de Lima coloca à disposição do público um site na Internet em honra da Padroeira das Américas, das Índias e das Filipinas”. O site contém informações biográficas, imagens, documentos, artigos, links e todas as informações úteis sobre a vida da santa peruana e sua influência no mundo católico. Pode-se encontrar também os textos das orações e a novena de preparação para a festa principal, que se realiza hoje, 30 de agosto, em todo o Peru, apesar do calendário litúrgico universal recordar a festa no dia 23 de agosto. A verdadeira novidade deste ano é a abertura de uma caixa postal virtual, à qual os fieis podem escrever e enviar seus pedidos e intenções, que serão depois depositadas no “poço dos desejos” que se encontra no Santuário de Santa Rosa de Lima. O link do site é: http://www.arzobispadodelima.org/starosa/ Na foto: Dom José Maria Libório recebe os participantes do encontro.Presidente Prudente acolhe o 30º Encontro Missionário do Estado de São Paulo O Conselho Missionário do Regional Sul 1 da CNBB, realizou, entre os dias 27 e 29 de agosto, seu 30º Encontro Estadual, na Casa de Encontro São Francisco, em Presidente Prudente, a 600 km de São Paulo. Durante a solenidade de abertura, realizada na noite do dia 27, os participantes receberam a imagem de Nossa Senhora Aparecida e os símbolos das dioceses que compõem a Província Eclesiástica de Botucatu (Assis, Ourinhos, Bauru, Botucatu, Lins, Araçatuba, Marília e Presidente Prudente). Na sua reflexão dom José Maria Libório, bispo emérito de Presidente Prudente, ressaltou a maternidade universal de Maria, a mãe do Salvador que participa do nascimento da Igreja, na certeza de que Maria é missionária. Destacou também a importância da fidelidade e do compromisso com a Missão. O Encontro contou com a participação de 135 pessoas, representando grande parte das 41 dioceses do Estado e teve como tema 'Chamados e Enviados em Missão Ad Gentes'. De acordo com o coordenador do COMIRE Sul 1, Robson Luiz Ferreira, 'a realização do 30º Encontro é um marco na história do Conselho Missionário de São Paulo, e ressalta o comprometimento das dioceses e forças missionárias presentes no Estado. Não há como trabalhar a missão sem a comunhão, e não dá pra fazer comunhão sem se encontrar', disse Robson ao dar as boas vindas aos participantes. Dom Vicente Costa, bispo de Jundiaí e referencial para o COMIRE Sul 1, enviou mensagem e bênçãos rogando para que o Senhor anime e frutifique os trabalhos: 'Realmente as dioceses do nosso regional precisam cada vez mais se tornar missionárias, dispostas a irem à outra margem', escreveu dom Vicente. Enviaram mensagem ainda, dom Sérgio Castriani, responsável pela Ação Missionária da CNBB, e dom Benedito Gonçalves dos Santos, bispo de Presidente Prudente em visita na Amazônia. Segundo o coordenador missionário do Sub-regional, padre Everton Aparecido, além do estudo do tema central assessorado pelo padre Sávio Corinaldesi, das Pontifícias Obras Missionárias, a programação contou com cinco oficinas de trabalho, apresentação de testemunhos da missão além fronteiras e apresentações musicais. Criada em 1960, este ano, a Diocese de Presidente Prudente celebra seu Jubileu de Ouro. Na foto: meninas cristãs paquistanesas, esquecidas e maltratadas...Sem identidade nem ajudas: a dolorosa sorte dos refugiados cristãos Mais de 200 mil refugiados cristãos e 150 mil hindus no Sul da província do Punjab estão sendo excluídos das ajudas humanitárias e ainda aguardam uma mínima assistência para sobreviver. É o alarme lançado pela Caritas e outras ONGs presentes na área, que confirmam a discriminação na distribuição das ajudas em detrimento dos refugiados pertencentes a minorias religiosas. 600 mil refugiados cristãos e hindus na província meridional de Sindh estão sofrendo a mesma sorte de abandono e exclusão. As ajudas, nesta fase de emergência, são insuficientes e administradas por funcionários do Governo próximos ao extremismo islâmico ou a organizações humanitárias muçulmanas que fazem discriminação sistemática na distribuição. 'A estes deslocados cristãos e hindus faltam tudo, aguardando indefesos sem nenhum refúgio. Sua sobrevivência está em risco grande'. Os cristãos deslocados são freqüentemente ignorados: não são propositadamente identificados e registrados. De tal forma são automaticamente excluídos de qualquer assistência médica ou alimentar, porque não existem', declarou o voluntário de uma ONG. Especialmente no sul do Punjab estão ativas diversas organizações extremistas islâmicas que estão aproveitando dessa tragédia para atingir ainda mais as minorias religiosas. Muitos destes grupos se improvisaram 'organizações caritativas' e se registraram como ONGs locais, mas seu trabalho consiste em eliminar os cristãos e o desastre lhes dá uma oportunidade favorável. Nazir S. Bhatti, presidente do “Pakistan Christian Congress' disse num comunicado que 'ódio anticristão impede o alcance da ajuda em muitas áreas', e pediu ao Governo “fundos específicos a serem destinados às minorias religiosas'. Ele convidou todos os doadores a 'manterem como ponto de referência a Caritas do Paquistão”. Por enquanto, a Caritas da Diocese de Multan, em coordenação com a Caritas do Paquistão e com as autoridades locais, implementou um plano de ação para ajudar os refugiados no sul de Punjab, buscando alcançar os cristãos e hindus abandonados, divididos em sete distritos, entregando tendas, alimentos, água potável e fornecendo assistência médica através da unidade de pequenos socorros, compostas de animadores, voluntários, médicos e paramédicos que andam pelo território. 1º de setembro: Missiologia na Diocese de JOINVILLE. No dia 1º de setembro, no salão do Centro de formação da diocese de Joinville, SC, haverá uma palestra sobre EVANGELII NUNTIANDI para os lideres missionários da diocese. Partindo do Concilio Vaticano 2º e do Sinodo dos Bispos do 1974 sobre Evangelização no mundo atual, serão esclarecidos os avanços teologicos e pastorais na caminhada da igreja para evangelizar o mundo postmoderno e globalizado. O olhar será na visão do Documento Conciliar Gaudium et Spes: 'o mundo precisa da igreja e a igreja precisa do mundo'. 4 de setembro - MISSA em Ação de graça pelo aniversário da Irmã Deisy. Será em NOVA BRASILIA, Joinville SC. Antônio Coelho, pai da irmã Deisy, missionária comboniana, convida todos os parentes para participar da Missa em ação de graça pelo aniversário da filha Deisy, que trabalhou 4 anos como missionária na Uganda e se prepara para os votos perpétuos no dia de São Daniel Comboni (10 de outubro). No final do mês de outubro ela voltará na sua missão para continuar a luta contra o analfabetismo e pela emancipação feminina. Missiologia na paróquia de NS de Fatima, Itaum, Joinville, SC, para toda liderança do setor Ezequiel Ramin em preparação às Missões populares nas comunidades. O curso será das 14,00 ás 17,30 horas no salão paroquial. Nas fotos: momentos do Ramadã na TurquiaRamadã: concentrar o coração nas coisas espirituais, entre as muitas questões da vida moderna e viver nova fraternidade. Líderes religiosos muçulmanos e cristãos na Turquia pediram um “Ramadã de amor, de paz e fraternidade entre as comunidades religiosas', lançando a todos um apelo em favor da tolerância e do pluralismo. A mensagem, como relatado por fontes locais à Agência Fides, foi lida durante um evento organizado nos últimos dias, para o início do Ramadã 2010, da “Fundação Marmara”, organização não-governamental que trabalha na Turquia há 25 anos, ativa no campo cultural, social e religioso. A fundação reuniu líderes de diferentes comunidades religiosas na Turquia, que compartilharam um jantar para quebrar o Iftar, o jejum diário que os muçulmanos observam durante o Ramadã. Do encontro e da noite festiva participaram, junto do Ali Bardakolu, Presidente do Ministério das Relações Exteriores, Dom Antonio Lucibello, núncio apostólico na Turquia, o Dom Yusuf Sag, o Vigário Patriarcal da comunidade sírio-católico, Dom Yusuf Cetin, Metropolita da Igreja síria, Aram Atesyan, Vigário Patriarcal Armênio, Izak Haleva, rabino-chefe comunidade judaica. Ali Bardakolu, cumprimentando os presentes e as comunidades que eles representam, sublinhou a importância do jejum, ele disse que 'não é apenas abster-se de alimentos e bebidas', mas 'concentrar o coração nas coisas espirituais, entre as muitas questões da vida 'moderna'. O presidente desejou que a reunião dos líderes das três religiões monoteístas na Turquia, à procura do diálogo, da amizade e da partilha, pode ser um sinal para o país e todo o mundo. Os presentes lembraram e apreciaram os recentes sinais de abertura e diálogo do Governo turco com as comunidades religiosas de minorias, como a Santa Missa celebrada em 15 de agosto no antigo mosteiro de Sumela (na região de Trebizonda) e a possibilidade de celebrar o culto na igreja de São Paulo de Tarso (que tinha sido transformada em museu), esperando por um ambiente mais construtivo para o diálogo e uma maior cooperação entre as comunidades religiosas e instituições na Turquia. ONU estima que há 8 milhões de desabrigados no PaquistãoA ONU afirmou nesta quinta-feira que estima que há 8 milhões de pessoas sem nenhum tipo de abrigo por conta das graves inundações do Paquistão, e realizou uma chamada para aumentar os esforços de ajuda para auxiliar as pessoas desabrigadas. 'Aproximadamente 8 milhões de pessoas estão sem abrigo. Isto é uma mera estimativa, pois inclui centenas de milhares (de desabrigados) que estão se mudando', indicou o organismo em comunicado. Segundo a nota, a comunidade humanitária calcula que já há seis milhões de pessoas - antes eram dois milhões - que necessitam de tendas de campanha e lonas de plástico para enfrentar as chuvas, e que um milhão já recebeu o material. 'Os manufatureiros estão trabalhando rapidamente para fabricar os produtos que pedimos. Precisamos que os doadores sigam fornecendo fundos para alcançarmos este objetivo. Estamos convencidos de que a comunidade internacional não ficará impassível', afirmou a nota. As piores inundações dos últimos 80 anos no Paquistão causaram a morte de cerca de 1.500 pessoas e afetaram aproximadamente 20 milhões desde o final de julho, segundo as autoridades do país. A ONU, que arrecadou até o momento a metade dos US$ 459,7 milhões requeridos para seu plano de emergência à população, fala de mais de 1.600 mortes e situa em 15,3 milhões o número de atingidos. Na foto: o povo do Sudão do Sul reza, sonha e luta por paz!Rezando por um referendo justo, limpo e pacífico A diocese católica sudanesa de Rumbek, no sul do país, realiza uma série de iniciativas pela paz – os chamados '101 dias de oração pela paz' – antes do referendo do próximo 9 de janeiro, em que se decidirá sobre a independência do sul do Sudão. Segundo informa a agência africana CISA, esta iniciativa de oração tem como objetivo “unir as diferentes comunidades do sul do Sudão para rezar por um referendo justo, limpo e pacífico”, em consonância com a mensagem dos bispos do Sudão do último dia 22 de julho. Naquela ocasião, após uma reunião em Juba, capital administrativa da região autônoma do sul, os bispos convidaram todo o país a um forte compromisso para que o processo de consulta possa-se realizar de “forma transparente e frutífera”, para contribuir ao bem comum do país. Entre atos a se celebrarem, destaca-se uma Eucaristia pela Paz, a 19 de setembro, e um Rosário Mútuo a 7 de outubro. Outros momentos de destaque serão a festa de Cristo Rei, a 21 de novembro, uma jornada de adoração e jejum a 3 de dezembro e o Dia Mundial da Paz (1º de janeiro). Esta iniciativa responde ao apelo dos bispos aos católicos sudaneses por estarem constantemente presentes “no trabalho de construção da paz e de reconciliação, em colaboração com as outras partes e juntamente com a Doutrina Social da Igreja”. Na foto: guerrilheiros ugandenses da LRAMais de 700 pessoas foram seqüestrados pelos rebeldes ugandenses do Exército de Resistência do Senhor (LRA) na República Centro-Africana e no distrito de Bas Uele, norte República Democrática do Congo (RDC), denuncia um relatório da organização pela defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW). Quase um terço das pessoas seqüestradas são crianças, muitas das quais são obrigadas a servir como soldados ou são usadas como escravas sexuais pelos combatentes do grupo, afirma o relatório. HRW coletou depoimentos que acusam o LRA de ter assassinado brutalmente adultos e crianças que procuravam fugir, caminhavam muito devagar ou não foram capazes de resistir às cargas pesadas que estão obrigadas a transportar. Segundo o relatório, o LRA matou pelo menos 255 adultos e crianças, muitas vezes com golpes de marreta. Em dezenas de casos, as crianças seqüestradas foram obrigadas a matar outras crianças e adultos: 'O LRA continua a sua horrível campanha para reabastecer suas filas tirando brutalmente as crianças de seus povoados, forçando-as depois a combater', afirma Anneke Van Woudenberg, pesquisadora para a África de HRW. O relatório é o resultado de um missão de investigação da HRW na República Centro-Africana e no Bas Uele situado no norte do Congo. Os estudos constataram que a campanha de sequestros realizados pelo LRA é conduzido de forma semelhante nos dois países e está tendo um impacto devastador nas comunidades atingidas. No sudeste da República Centro Africana, o LRA começou seqüestros em larga escala em 21 julho de 2009 e até hoje seqüestrou 304 pessoas, incluindo várias crianças. Os rebeldes atacaram primeiro os povoados vizinhos Obo, antes de se dirigirem ao oeste em Rafai, Guérékindo, Gouyanga, Kitessa e Mboki, longo ao confim congolês, e verso o norte em Djema, Baroua e Derbissaka. Entretanto, outros grupos da LRA lideraram uma campanha de sequestros semelhante no distrito de Bas Uele do Congo. Em 15 março de 2009, o LRA atacou a cidade de Banda, seqüestrando cerca de 80 as pessoas. Milhares de pessoas fugiram da região. No sudeste da República Centro Africana estima-se que de 15.000 a 20.000 procuraram refúgio nas principais cidades, deixando inteiros povoados abandonados, enquanto cerca de 54.000 civis deslocados estão no distrito de Bas Uele ou procuraram refúgio além da fronteira da República Centro Africana. A missão da ONU no Congo (MONUSCO), que emprega 19 mil 'Capacetes azuis' em todo o país, dispõe de apenas mil soldados nas zonas atingidas pelo LRA no nordeste do Congo. Muito poucos pelo tamanho do país e pelos seus problemas. Não existem 'Capacetes azuis' no distrito de Bas Uele. 'A proteção dos civis está sob ataco do LRA em toda a República Centro-Africana é totalmente inadequada, com algumas comunidades totalmente sem proteção ou ajudas humanitárias” – conclui a pesquisadora do HRW. Juventude Missionária:Nos dias 4 e 5 de setembro, estarei participando, em JARAGUÁ - SC, de um encontro de Pastoral da JUVENTUDE MISSIONÁRIA, assessorado pelo padre José Luiz de Negreiros, responsável da juventude em todo o Brasil. Para jovens de 15 anos acima. ******************************************************************************** Lemos no Evangelho (Mateus 19, 16-22): Um jovem se aproximou, e disse a Jesus: «Mestre, que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?» Jesus respondeu: «Por que você me pergunta sobre o que é bom? Um só é o bom. Se você quer entrar para a vida, guarde os mandamentos.» O homem perguntou: «Quais mandamentos?» Jesus respondeu: «Não mate; não cometa adultério; não roube; não levante falso testemunho; honre seu pai e sua mãe; e ame seu próximo como a si mesmo.» O jovem disse a Jesus: «Tenho observado todas essas coisas. O que é que ainda me falta fazer?» Jesus respondeu: «Se você quer ser perfeito, vá, venda tudo o que tem, dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois venha, e siga-me.» Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. Para você refletir: 1) O que o jovem queria mesmo saber de Jesus? 2) Quais são as tuas riquezas, que te impedem de seguir mais e melhor a Jesus? ******************************************************************************** Amigos e colaboradores combonianos: - De 16 a 22 de setembro: em São José do Rio Preto, SP. Após a semana missionária na Paróquia São Pedro em Ubarana, eu e padre Primo fomos solicitados pelos nossos colegas da Casa Comboni em S.José do Rio Preto, a colaborar no levantamento dos antigos amigos e benfeitores, para reestabelecer contatos pessoais e, eventualmente, realizar encontros... Um dos projetos de nossa Província é que cada Comunidade Comboniana mantenha contato com amigos e benfeitores, para acompanhar e sustentar as atividades dos missionários: renovar contatos, distribuir material de conscientização e espiritualidade missionárias, realizar encontros e celebrações especiais... Por isso, eu e meu colega Padre Primo (que no passado trabalhou por 8 anos na região de São José do Rio Preto), estaremos por lá para colaborar no fortalecimento deste projeto de amigos e colaboradores. Mande suas idéias no meu e-mail: sirjover@hotmail.com Na foto: irmã Giane (a mais alta).No domingo 15 de agosto, festa de Maria, Mãe de Deus assunta ao céu, e dia de todas as vocações religiosas, uma nova missionária comboniana, terminado o seu noviciado, entrega sua vida para seguir a Cristo, consagrada à Missão. Ela mesma enviou esta carta: Prezado pe. Remo, quero partilhar a minha alegria contigo e com toda a minha comunidade N.S. Aparecida de Oxford de São Bento do Sul, SC, pois domingo, 15 de agosto, festa da Assunção de Maria, Mãe de Deus, eu com as minhas companheiras de noviciado, aqui em Quito ( Equador) nos consagraremos á missão de CRISTO,COMO MISSIONÁRIAS COMBONIANAS. Nestes dias sinto muita paz e alegria, que me leva a cantar 'O Deus que me criou, me quis, me consagrou para anunciar o Seu amor...'. Hoje chegaram de São Bento minha mãe Doroty e meu irmão Gionei para participar da minha festa. Vieram também os parentes das companheiras Sílvia,Diana e Isabel. Depois de 05 anos de preparação no aspirantado, postulandado e noviciado estou feliz de dizer publicamante e de maneira consciente o meu primeiro sim a Deus para a missão. No dia 19 de agosto voltarei ao Brasil para continuar a faculdade de pedagogia e mais tarde partirei para a África. Este viajar de um lugar para outro como missionária nos Andes me enriqueceu muito, pois conheci e compartilhei a minha vida com muita gente e aprendi a valorizar cultura, costumes e comida diferentes: tudo isso me abriu ao diferente e a Deus que nos criou para partilhar os seus diferentes dons que nos unem. Agradeço a Deus pela vocação missionária que me faz irmã e mãe com muita gente e obrigado a ti, pe. Remo e a todos que me ajudaram na caminhada missionária. Até breve. Irmã Giane Kirschbauer. Na foto: dom Possamai presidindo a celebração dos 25 anos do martírio de padre Ezequiel (24 de julho), em Cacoal, Rondônia.'Padre Ezequiel queria ser pastor de um rebanho de gente pobre e injustiçada' O relógio pontuava 13 horas de 25 de julho de 1985 quando o delegado regional da polícia de Ji-Paraná me entregava o corpo do Pe. Ezequiel Ramin, todo perfurado de balas e de chumbo, na residência do bispo de Ji-Paraná. Um grupo de pistoleiros, a serviço dos fazendeiros que se diziam proprietários da fazenda Catuva quiseram calar a voz profética da Igreja que cobrava melhor e mais justa distribuição da terra matando mais um dos seus profetas. Padre Ezequiel levou a sério esta missão profética. Ele levou a sério a lição do mestre Jesus de Nazaré. Nâo foi o primeiro. Muitos e muitas o precederam. E, infelizmente, muitos o seguiram e o continuam seguindo. O nosso Mestre Jesus nâo apenas ensinou a seus discípulos a darem a vida por seu rebanho, mas, ele mesmo deu a vida. Naquele mesmo tempo na Prelazia de Lábrea foi trucidada a Irmã Creusa e no Bico de Papagaio o Pe. Josimo Morais Tavares. E antes e depois destes heróis muitos outros foram eliminados e continuam sendo martirizados. Em Eldorado dos Carajás, de uma única vez 19 foram trucidados. Eram pessoas sem terra que queriam um pouco de terra, as migalhas que caiam das mesas dos ricos epulôes para poderem viver dignamente. Mas, os latifundiários temiam que a falta de migalhas os conduzisse a passar fome! E os massacres continuam. Sâo índios, sem terra, quilombolas, ribeirinhos. Em 2009 no católico Brasil foram assassinados mais de 60. Tombaram porque acreditaram na justiça. Os “sem terra” foram muito mais numerosos. Sempre os mais pobres, sempre os preferidos de Jesus. Eram e continuam sendo preferidos por Jesus pelo simples fato de serem pobres. Aqueles que seguem o Caminho, a Verdade e a Vida que é Jesus e continuam defendendo os pobres são mal vistos por grande parte da sociedade brasileira. Empregam-se todas as formas de silenciá-los, até mesmo a morte. A que mais clamou nestes últimos anos, e por isso violentamente calada, foi a missionária Ir. Doroty. Ezequiel Ramin tinha chegado ao momento de fazer o discernimento sobre o seu futuro. Conversava em família sobre o assunto. Algo gritava dentro dele. Era o chamado de Deus. “Vem e segue-me”. No horizonte brilhavam muitas luzes. Brilhou com mais intensidade o chamado para ser missionário. Bem próxima à sua residência em Pádua, na Itália, havia uma casa onde se formavam missionários. Nâo só formavam como também acolhiam missionários que voltavam para usufruir de um tempo de descanso e de cura das tantas doenças, de que eram vítimas em regiões carentes de possível e digno tratamento médico. Foi por meio daqueles missionários que a luz brilhou. Escolheu ser padre comboniano pois conhecia neles a radicalidade do carisma missionário com todas as suas exigências. Os seguidores do grande missionário, que foi Daniel Comboni, o atraiu e Ezequiel se preparou para ser missionário em algum país distante, entre os mais pobres. Queria ser pastor de um rebanho de gente pobre e injustiçada. Sua opção nâo deixou de impressionar seus familiares. Entretanto eles, como bons cristãos, deram ao filho Ezequiel plena liberdade e apoio. E qual foi a missão para a qual foi enviado o Pe. Ezequiel? Era a diocese de Ji-Paraná, naquela época abrangendo uma extensão de cerca de duzentos e quarenta mil kms quadrados, com territórios em Rondônia e Mato Grosso. Parte do Mato Grosso, atual município de Rondolândia, era atendido pastoralmente pela Paróquia Sagrada Família de Cacoal. O povo que precisava de pastores era formado por numerosos indígenas cujas terras e cultura estavam sendo tomadas por numerosos migrantes provenientes de muitos lugares do Brasil. Vinham como vítimas de governantes que julgavam nâo haver gente na Amazônia, como se, sendo índios, nâo fossem humanos. Aos olhos dos poderosos daquele tempo, era necessário dar continuidade à devastação para que pudessem plantar soja, algodão, criar gado, muito gado, implantar termoelétricas como a de Itaipu. Eram mais, estes mesmos migrantes, pobres, enganados pelo sistema. Vinham para a Amazônia em busca de um pedaço de chão, acreditando em promessas. Eram as vítimas dos seguidores da globalização da economia que ao longo da história brasileira foram e continuam despejando os pobres. Vinham também numerosos fazendeiros que nâo se satisfaziam com pouca terra. Queriam muita e muita. Nâo conheciam,, ou andavam esquecidos da passagem da Sagrada Escritura, no salmo 49, onde está profetizado qual será o fim dos que colocam a riqueza acima do valor do ser humano. Deus Espírito Santo faz soar sua profecia como uma maldição quando diz o seguinte: “O sepulcro será sua casa para sempre, sua morada por todas as gerações. O homem na prosperidade nâo compreende, é como os animais que perecem. Esta é a sorte de quem confia em si mesmo, o futuro de quem se compraz em suas palavras. Como ovelhas são levados ao lugar dos mortos, a morte será o seu pastor'. Pe. Ezequiel queria uma Igreja onde pudesse potencializar a opção preferencial pelos pobres, característica da Igreja católica latino-americana. Encontrou o que buscava. Aqui foi missionário entregando-se sem reservas à missão. 25 anos já se passaram desde aquele dia. Muito longe de se apagar da nossa memória, a curta vida daquele que foi vítima do pecado do latifúndio, nâo se apagou. Na celebração de corpo presente eu dizia naquele dia: “Ninguém pode manter fechada a porta do sepulcro onde estava Jesus, como também ninguém tem o poder de manter fechada a sepultura de tantos mártires que tombam como vítimas da injustiça. Sua voz ressoa pelo mundo afora. São vozes importunas que impedem o sono tranqüilo dos que quiseram silenciar. Os verdadeiros profetas falam muito mais depois de mortos do que enquanto vivos. Assim está acontecendo com a voz do Pe. Ezequiel. Sua voz vem sendo sempre mais ouvida nâo apenas em Rondônia e Mato Grosso mas em todo o Brasil e também, em grande parte da nossa Igreja. E hoje aqui nos reunimos para, depois de 25 anos, reviver e aprofundar as lições que Pe. Ezequiel nos deixou para dele aprendermos o quanto é exigente a entrega a Cristo. Mas, estamos reunidos também para despertar de tanto silêncio que está tomando conta na nossa Igreja nestes dias atuais. Jesus, ao formar o grupo dos primeiros doze missionários foi muito claro e exigente: “Em vosso caminho anunciai: o Reino de Deus está próximo. Curai o doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar”. Esta festa que estamos celebrando deve motivar nosso compromisso em favor das vítimas da globalização da economia. Aqui nos reunimos os que acreditamos no ensinamento do nosso Mestre Jesus: 'Felizes os pobres porque deles é o Reino dos Céus; felizes os perseguidos por causa da justiça porque deles é o Reino dos Céus'. Reino dos céus é o Reino da Vida para todos. Estamos aqui celebrando porque acreditamos ainda no divino ensinamento: “Felizes sereis quando os homens vos injuriarem, expulsarem, insultarem e amaldiçoarem o vosso nome por causa do Filho do Homem. Alegrai-vos nesse dia, e exultai porque será grande a vossa recompensa no céu” (Lc 6, 22-23). Seguir Jesus Cristo é um programa exigente. Neste ano sacerdotal que recentemente concluímos; neste tempo em que nossos padres são injustamente caluniados, é bom celebrar o martírio de um deles. Há padres que se tornam mártires sem derramar seu sangue; são a imensa maioria. Nada os afasta do compromisso assumido no dia da sua ordenação. Há presbíteros que, como o Pe. Ezequiel, vão ao extremo de amor por seu rebanho, são martirizados de formas as mais diversas. Os presbíteros de todos os tempos, e de modo particular do nosso tempo, vivemos numa realidade de morte. Realidade de morte para bilhões de criaturas por Deus amadas, que têm o direito de viver vida plena, mas, odiados, amaldiçoados por aqueles que colocam toda a sua esperança na abundância de terra, água, madeira, minérios, enfim, riquezas, que apodrecem. Na vida dos padres de nossos dias há passagens cheias de poesia. Ezequiel era poeta, era músico, era artista, gostava de festas. E sabia temperar as contrariedades com estes dons recebidos do Criador. Mas a vida do padre exige heroísmo e sofrimentos. O caminho por onde um padre tem que passar é espinhoso. E-lhe exigido muito sacrifício. O próprio Mestre Jesus nos previne: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, isto é, tome a sua cruz e siga-me”. Renuncie a si mesmo, isto é, crucifique a sua carne e desprenda-se dos bens terrenos. Esta, e somente esta, deve ser a norma de um ministro do altar, ditada pelo seu Bom Mestre. Dedicar-se de corpo e alma a serviço do rebanho, como o bom Pastor, e nâo como o mercenário que foge diante do perigo. Pe. Ezequiel foi chamado e foi consagrado. Consagrado porque batizado, porque crismado, porque fazia parte de uma congregação de consagrados e porque sacerdote. Aplicam-se bem as palavras que mais tarde os bispos reunidos em Assembléia em Aparecida, falando dos consagrados, afirmaram: Como discípulo o consagrado é um apaixonado por Jesus Cristo, caminho ao Pai misericordioso; é chamado a ser um apaixonado pela vida missionária anunciando Jesus Cristo, verdade do Pai; por isso mesmo leva uma vida radicalmente profética que aspira a entregar a sua vida em santidade e martírio. É apaixonado por Jesus, vida do Pai que se faz presente nos mais pequeninos e nos últimos a quem serve a partir do próprio carisma e espiritualidade. Naquela manhâ de 24 de julho de 1985 eu estava reunido com o povo das Comunidades Eclesiais de Base em Santo Antonio da Praínha, caminho para a Fazenda Catuva. Pe. Ezequiel vinha de Cacoal e parou para pedir informações, pois nâo conhecia o caminho que levava à fazenda Catuva, onde havia um grupo de sem terra ameaçados de morte. Apenas sabia que lá estava um grupo de rabalhadores sem terra e que estavam ameaçados de morte pelos proprietários da fazenda Catuva. Queria convencê-los a sair da fazenda e buscar o caminho de justiça para conseguir aquela terra. Obtidas as informações prosseguiu viagem. Só voltou no dia seguinte, sem vida. Era o bom Pastor que dera sua vida pelo rebanho. Fora se encontrar com um grupo de “sem terra” em missão de paz. O fazendeiro com seus pistoleiros nâo queriam paz, queria guerra. Pe. Ezequiel é um dos numerosos padres, a imensa maioria que, graças a Deus, serve o nosso povo. São presbíteros que vivem uma profunda experiência de Deus, configurados com o coração do Bom Pastor, dóceis às orientações do Espírito; missionários movidos pela caridade pastoral que os leva a cuidar do rebanho a eles confiado, e a procurar as ovelhas mais distantes, pregando a Palavra de Deus, sempre em profunda comunhão com a Igreja, servidores da vida, atentos às necessidades dos mais pobres, comprometidos na defesa dos direitos dos mais fracos, e promotores da cultura da solidariedade. O rebanho do Pe. Ezequiel era formado por gente sem terra e por muitos índios que o amavam, freqüentavam a casa do padres em Cacoal, onde sempre eram bem recebidos e atendidos em suas necessidades. Os pastores daquela paróquia amavam aquele rebanho e eram por ele amados. Um amor de completa doação, até ao extremo. Celebrando estes 25 anos do martírio do Pe. Ezequiel, que lições devemos levar? Levemos o compromisso de trabalhar para que nossa Igreja continue sendo, com maior afinco, companheira de caminho de nossos irmâos mais pobres, inclusive até o martírio. Que esta celebração ratifique e potencialize a opção preferencial pelos pobres. Somos membros de uma Igreja que é chamada a ser sacramento de amor, de solidariedade e de justiça entre nossos pobres. Vivemos tempos em que a globalização da economia vai não só excluindo, mas descartando multidões da mesa para todos, que deve ser este mundo tão rico e tão belo. Vivemos num tempo que nos leva a nos deixar contagiados facilmente pelo consumismo individualista. Por isso, nossa opção pelos pobres corre o risco de ficar em plano teórico ou meramente emotivo, sem verdadeira incidência em nossos comportamentos e em nossas decisões. É necessária uma atitude permanente que se manifeste em opções e gestos concretos, evite toda atitude paternalista. A celebração deste mártir da justiça e da partilha nos deve levar a dedicarmos tempo aos pobres, prestar a eles amável atenção, escutá-los com interesse, acompanhá-los nos momentos difíceis, escolhê-los para, a partir deles, fazer acontecer o Reino de Deus que é o Reino da vida. São Daniel Comboni, rogai por nós. Que quanto antes possamos oficialmente invocar: Santo Ezequiel Ramin, rogai por nós. Amém! D. Antonio Possamai, bispo emérito de Jí-Paraná Detalhes da nova constituiçãoNas fotos: mapa do Quênia e uma aldeia da tribo masai A nova Constituição do Quênia foi aprovada no referendo de 5 de agosto com 67,2% dos votos apurados, ou seja, 5 milhões 954.767. A nova Constituição mantém o sistema presidencial e abole o cargo de Primeiro-Ministro, introduzido em 2008 para encerrar a crise política que provocou graves desordens e milhares de mortos, feridos e desabrigados. Os poderes do Chefe de Estado são, porém, balanceados por uma série de atribuições parlamentares. De modo especial, as nomeações feitas pela Presidência (ministros, procurador geral, embaixadores, etc...) devem ser aprovados pelo Parlamento, como, por exemplo, nos Estados Unidos. O Presidente, que é o Chefe de Estado e do Executivo, pode ser destituído pelo Parlamento. Para ser eleito, o Presidente deve obter a maioria absoluta em nível nacional e mais de 25% dos votos na metade das 47 regiões nas quais a nova Constituição subdivide o território nacional. O Parlamento é composto pela Assembléia Nacional e do Senador. Este último é composto por 47 membros representantes das regiões, aos quais se somam 16 membros escolhidos pelos partidos políticos em função de sua representatividade, dois representantes da juventude e dois das pessoas com deficiências. A Constituição introduz uma reforma fundiária relativa à modalidade de compra das terras estatais, muitas das quais foram confiscadas ilegalmente por altos funcionários do Estado. O texto constitucional prevê a criação de uma comissão nacional das terras, independente do governo, encarregada de indagar sobre as “injustiças históricas” na distribuição das terras do governo, e abre o caminho para a limitação da extensão máxima da propriedade privada e da abolição da propriedade perpétua para estrangeiros, reduzida a 99 anos. 1- A política é arte de amar o próximo de maneira mais eficaz (Já dizia o Papa Paulo VI em 1971: OA.46). Eis algumas sugestões de caridade política em tempo de eleições.2- Frente à globalização da economia que está na mão de poucas pessoas e que exclui 5 bilhões de pessoas, a única saída é a globalização da política (CNBB 61 n 133), organizando grupos permanentes de Fé Política. 3- Política não é politicagem, é participar das lutas para o bem do povo (Lc.10,25-37). Política não é só votar, mas lutar a vida inteira em favor do povo sofredor e injustiçado (Mt.25,31-46). Esta política é dever de todos. 4- Politicagem é usar a política para interesses pessoais ou grupais sem respeito ao bem comum. Esta é proibida a todos. 5- A pessoa que não se mete em política é egoísta, pensa só para si, é como Caim (Gn.4,9). 6- Política partidária não é o meio para manter ou conseguir o poder, mas o meio para lutar para que todos cidadãos participem na construção de uma sociedade diferente. 7- As eleições são só um meio de participar da política. As eleições são muito importantes porque podem decidir definitivamente os rumos do país e porque são escolhidas as pessoas que decidirão os rumos do país. 8- A melhor maneira de participar da política é participar da luta pelo bem comum todo tempo e não só em tempo de eleições. Outro meio é organizar um grupo permanente de Fé e Política. 9- Não votar é lavar as mão como Pilatos (Mt.27,01-26). Ninguém fica neutro. Não votar é ficar do lado dos mais fortes, dos que matam os outros pela fome, pelo salário, etc. É isso que os grandes esperam: que a gente não vote ou vote nulo. 10- Quem se deixa comprar é tão corrupto como quem compra. 11- 'Vender o voto é promover o corrupto e tornar-se cúmplice da corrupção dele' (Carta dos Bispos de 1994). 12- Dizer que todos os partidos e candidatos são iguais é como dizer que todos os gatos são pardos. O próprio Deus faz opção política (Lc 4,18-20; Ecli 13,1-23). 13- O mais importante não é a pessoa, mas a prática do partido a que pertence (Mt 7,15-20). 14- Não se pode votar por amizade, ou pela pessoa da mesma igreja. Não se pode votar no partido ou na pessoa que na prática não luta pelos interesses do povo injustiçado (Mt 25,31-46). 15- Nenhuma Igreja ou pastoral pode ter candidato próprio, deve educar para a política. Todo candidato imposto, de direita como de esquerda, é um ato de dominação. 16- Não se pode votar em quem só fala bem, faz grandes promessas ou se diz cristão: temos de olhar os frutos da prática (Mt.7,21). 17- Não se pode votar num partido ou numa pessoa que deixa as coisas como estão ou que quer pequenas mudanças deixando as injustiças como estão. O bom médico não é aquele que bota panos quentes, mas aquele que vai à raiz do mal e sara o doente. A situação do nosso país exige 'mudanças profundas, urgentes e radicais' (Carta dos Bispos de 1994). 18- Devemos exigir dos candidatos e dos partidos: Projeto político. Prática de luta pelo bem do povo. 19- Não se pode votar em qualquer um. Ninguém confia seu filho doente a qualquer médico. Assim não podemos confiar nosso país a qualquer político. Antes de votar devemos conhecer os projetos políticos dos partidos e dos candidatos e a prática deles. 20- Só podemos votar em pessoas que desde sempre está lutando pelos direitos dos trabalhadores empobrecidos e injustiçados. 21- Para conhecer melhor os partidos e os candidatos é bom debater com amigos para esclarecer junto as dúvidas. 22- Os politiqueiros depois das eleições param para esperar as próximas eleições. Os verdadeiros políticos continuam a lutar pelos direitos da vida do povo nas várias organizações eclesiais, populares, sindicais e partidárias e nos grupos de Fé Política. 23- Quem não se engaja na política faz o jogo do opressor e nega o amor a Deus e ao próximo. Hoje amar o próximo com esmola é ofender o cidadão e manter as causas da opressão e de morte. Política não é só votar, como querem os partidos, política é colaborar constantemente para criar um novo projeto político capaz de criar uma sociedade sem excluídos. 24- A fé é necessariamente política, quem nega a política é ateu porque nega a forma melhor de amar a Deus e o próximo. 25- A fé cristã exige a luta contra o CAPITALISMO 26- A fé para ser eficaz deve criar um PROJETO POLÍTICO 27- Votar e depois das eleições não lutar pelo bem comum merece cadeia. Você concorda com tudo isso? Debata com amigos e mande suas opiniões, clicando em 'comentários' logo aqui abaixo. Na foto: carros e ônibus passam por via inundada em Lahore, no Paquistão. Mais de 3,2 milhões e pessoas atingidas pelas inundações. Segundo um balanço ainda provisório, as vítimas dos alagamentos no Paquistão, especialmente na região do Punjab, seriam mais de 1.000. Dezenas de milhares de habitantes ainda estão isolados do resto do país. São as inundações mais graves no Paquistão desde 1929. Segundo nota enviada à Agência Fides pela assessoria de imprensa da Caritas Alemanha, com sede em Friburgo, prevê-se que os residentes precisarão de ajudas a longo prazo, pois grande parte das terras cultivadas estão submersas pelas águas e não haverá colheita por um longo período. A Caritas enviou as ajudas imediatas às populações atingidas. Colaboradores da Caritas Paquistão estão distribuindo alimentos, tendas e artigos higiênicos a 1.300 famílias. 3 mil pessoas recebem ajudas médicas do serviço médico: a seção de ajudas internacionais da Caritas internacional da Alemanha colocou a disposição cerca de 50 mil euros para programas emergenciais na região do Punjab. Os colaboradores da Caritas Paquistão estão particularmente preocupados com a situação nas regiões atingidas pelas inundações. Como informa Eric Dayal, responsável das ajudas de emergência da Caritas Paquistão, depois de sua visita à região inundada, a maior parte das casas foi destruída pelas águas. Os habitantes foram obrigados a fugir para a região das montanhas. Teme-se a difusão de doenças infecciosas. Para evitar epidemias, a Caritas colocou a disposição dos postos de saúde vacinas a serem administradas à população, em colaboração com as autoridades locais. MÉXICO - Católicos descontente com lei migratóriaNuma nota de imprensa emitida pelo Bispo Auxiliar de Texcoco, Dom Víctor René Gómez Rodríguez, secretário-geral da Conferência Episcopal do México, percebe-se claramente o descontentamento da Igreja Católica local pela entrada em vigor da lei migratória SB 1070 do estado do Arizona, no sul dos Estados Unidos. O documento, que expressa a solidariedade aos cidadãos mexicanos que vivem no Arizona, agradece a nobreza de espírito e a generosidade do povo dos Estados Unidos que durante anos acolheu os irmãos mexicanos e de todo o mundo, e por isso, escrevem os Bispos mexicanos nos fere, e nós condenamos com veemência a atitude egoísta e irresponsável de alguns grupos poderosos que querem a separação, ofuscar e afundar na pobreza assustadora inúmeras famílias, que com enormes sacrifícios arriscaram tudo em busca de uma vida melhor e um futuro de prosperidade e justiça para seus filhos'. O documento continua: 'Unimo-nos aos pedidos das pessoas de boa vontade que tem levantado a sua voz, chamando as autoridades, as famílias mexicanas e paróquias do México, para que através da pastoral social, possam acolher com especial afeto e amor os nossos irmãos, que são forçados a retornar'. 'Continuaremos a lutar para tornar o nosso povo no México,'casa e escola de comunhão', a fim de estar presente através da fé e da oração. Com a bênção dos nossos pastores, os confiamos ao Coração de Deus e de Seu Filho Jesus Cristo e de Nossa Senhora de Guadalupe”. O documento dos bispos mexicanos se une à voz de muitos outros bispos da América Latina contrários à lei do Arizona. Na foto: as crianças sudanesas aguardam, sem saber, um futuro de paz e prosperidade!Aguardando o plebiscito de janeiro de 2011 Segundo o bispo sudanês Dom Paride Taban, o povo de seu país está decidido a desempenhar seu papel no referendo previsto para janeiro de 2011, quando se decidirá sobre uma eventual independência em relação ao Sudão do Norte. Falando à associação humanitária internacional Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), o prelado demonstrou preocupação com a crescente instabilidade no Sudão após as eleições de abril. Dom Taban afirmou que suas esperanças de um futuro de paz ganharam novo fôlego com os recentes comentários feitos por Salva Kiir, presidente do semi-autônomo Sudão do Sul, que disse não acreditar na possibilidade de um retorno à violência. Referindo-se à fase de transição que se seguiu ao acordo de paz de 2005, assinado entre o norte e o sul do país, o bispo comentou que, 'mesmo durante este período, as pessoas enfrentaram sérios desafios, mas não houve uma guerra de amplas proporções'. De qualquer forma, Dom Taban reconheceu que tudo dependerá do presidente Bashir respeitar os resultados de referendo. 'Se o que o presidente Bashir diz sobre o resultado do referendo for verdade, então será um bem, mas ainda não sabemos o que ocorrerá', disse o prelado. 'Deixemos que o povo decida. Não forcemos ninguém, seja numa direção ou outra. Ajudemos as pessoas a serem felizes', acrescentou. 'Não será fácil, mas devemos aprender a partilhar os recursos de que dispomos - inclusive o petróleo.' 'O povo do sul pode ser de boa vontade, mas precisa do apoio da comunidade internacional - assinalou. Precisa ser reforçado, caso contrário muitos temerão um retorno à guerra', concluiu. 25º aniversário do martírio do padre Pe. Ezequiel Ramin Uma crônica das várias celebrações. O padre Alcides Costa, superior provincial dos Missionários Combonianos do Brasil Sul, participou das celebrações realizadas em Rondônia pelo 25º aniversário do 'martírio de Pade Ezequiel Ramin (1985 - 24 de julho - 2010). Ele preparou uma crônica das celebrações, que transcrevemos a seguir: A celebração dos 25 anos do martírio do Pe. Pe. Ezequiel Ramin iniciou com uma celebração Eucarística presidida pelo presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha no dia 25 de junho de 2010 e disse “que o assassinato dos religiosos os faz participantes da páscoa de Jesus. O nome de cada um deles foi lembrado no início da missa com um breve relato de sua vida e a causa de seu assassinato. Missionário comboniano, nascido em Pádua, na Itália, em 1953, Pe. Ezequiel Ramin chegou ao Brasil em 1º de setembro de 1983 e passou a residir em Cacoal (RO), diocese de Ji-Paraná. Ele foi assassinado no dia 24 de julho de 1985, vítima de uma emboscada. “Em minha volta, as pessoas morrem, a malária cresceu assustadoramente, os latifundiários aumentam, os pobres são humilhados, os policiais matam lavradores, as reservas indígenas são invadidas. “Com dificuldade os meus olhos conseguem ler a história de Deus por aqui”, escreveu Pe. Ezequiel Ramin pouco antes de ser assassinado”. NA CIDADE DE CACOAL: 24 de julho Na cidade de Cacoal, Rondônia, a celebração iniciou no dia 24 de junho com uma homenagem ao Pe. Ezequiel Ramin e também a exposição do trabalho realizado pelo Projeto Pe. Ezequiel Ramin, da Diocese de Ji-Paraná que há 21 anos leva adiante a proposta de proporcionar um espaço de organização e formação com homens, mulheres e jovens, por meio do trabalho para promover à cidadania, o desenvolvimento sustentável, a defesa da vida e da justiça. Esta mostra se repetiu também no dia da celebração no Salão paroquial da paróquia Sagrada Família. No dia 15 de julho houve também um momento de reflexão sobre a missão e o martírio com os participantes da escola de Teologia para leigos “Pe. Ezequiel Ramin”, da Diocese de Ji-Paraná que há vinte anos leva adiante este trabalho. No dia 17 de julho houve o campeonato de futebol do Campo onde participaram jogadores e representantes de várias comunidades da paróquia, com a medalha de Honra ao Mérito Pe. Ezequiel Ramin. A noite, no salão paroquial aconteceu o encontro com os jovens das comunidades da paróquia Sagrada Família e também grupos jovens vindos de outras paróquias da Diocese. Foi um momento importante de reflexão sobre a vocação missionária e o compromisso com a vida a exemplo do Pe. Ezequiel Ramin, que disse: “Se Cristo necessita de min, não posso recusar-me”. No dia 19 de julho aconteceu a Mesa redonda na Câmara de Vereadores que tratou de questões relacionadas à terra, Reforma Agrária, a violência no campo e o martírio do Pe. Ezequiel Ramin. Houve também o depoimento do Adílio de Souza, quem estava com o Pe. Ezequiel Ramin no momento do acontecido. Neste ato participaram também representantes da CPT, da OAB, Igreja Católica, Igrejas cristãs, povos indígenas. Nesta mesa redonda foram lembrados alguns momentos da história e da luta do dos anos oitenta: a luta pela terra, a causa indígena, a organização, articulação e lutas de movimentos sociais e populares contra a implantação de um sistema de latifúndio. Foi no meio do conflito gerado por esses interesses antagônicos que o Pe. Ezequiel Ramin veio a se encontrar. Claro que ele não ficou em cima do muro. De certa forma não havia escolha, pois a coerência com o Evangelho e com a justiça indicavam, decidida e definitivamente, o lado. O que estamos frisando é o fato de que o conflito não foi criado por Pe. Ezequiel Ramin, pois já estava posto. Pode-se dizer que este conflito vem acompanhando e configurando a questão social do Brasil desde a chegada dos portugueses. Assim ninguém pode, em sã consciência, afirmar que Pe. Ezequiel Ramin procurou a morte. Foi a incessante busca da vida que provocou sua morte. Nos dias 20 a 21 de julho aconteceram encontros nos setores das comunidades da cidade com a participação de combonianos, Irmãs combonianas, seminaristas refletindo sobre o martírio, a vocação missionária e o compromisso da comunidade na luta pela vida, a partir do testemunho de entrega do Pe. Ezequiel Ramin. O dia 23 de julho foi marcado pela peça teatral da vida do Pe. Ezequiel Ramin. O teatro estava cheio e todos atentos aos vários momentos da vida de Pe. Ezequiel Ramin, desde a sua infância até o seu martírio, pontualizando desde o início a sua preocupação pelo serviço ao irmão, a luta pela justiça e pela vida, seja na Itália e aqui no Brasil. A solene celebração do dia 24 de julho No dia 24 de julho, às 19h, aconteceu a Celebração Eucarística do 25º aniversário do Pe. Ezequiel Ramin. Estavam presentes representantes das comunidades da paróquia Sagrada Família de Cacoal, de várias paróquias da Diocese de Ji-Paraná e da Paróquia Nossa Senhora das Graças da Arquidiocese de Porto Velho. Presidiram a celebração Dom Antonio Possamai, bispo emérito de Ji-Paraná e Dom Bruno Pedron, atual bispo, vários combonianos e muitos padres da Diocese de Ji-Paraná e de Porto Velho e quatro padres da diocese de Pádua, Itália. Estavam presentes também as Irmãs Missionárias Combonianas e Leigos missionários Combonianos. Também estava presentes Antonio Ramin, irmão do Pe. Ezequiel Ramin e um grupo de italianos vindos de Pádua da paróquia onde o Pe. Ezequiel Ramin nasceu. Segundo cálculos estimativos estavam presentes umas cinco mil pessoas. A celebração foi muito animada com cantos e muitos símbolos representando a vida do Pe. Ezequiel Ramin que continua vivo na vida de muitos cristãos e comunidades de todo o Brasil. Na homilia Dom Antonio Possamai fez a memória da vida do Pe. Ezequiel Ramin, lembrando a sua luta e o serviço missionário em favor da vida e da justiça, os momentos mais difícil após a sua morte, mas ressaltou com muita força que Pe. Ezequiel Ramin continua vivo no meio de nós, o que ele representa hoje para as comunidades cristãs da Diocese, mas também da Igreja do Brasil. Ao terminar a reflexão intercedeu dizendo: Santo Pe. Ezequiel Ramin rogai por nós e se seguiram muitos aplausos. No final da celebração foi feita a leitura da Carta do Padre Geral dos Missionários Combonianos, Enrique Sánchez González, o testemunho de Dom Bruno Pedron, do Pároco da paróquia do Pe. Ezequiel Ramin, a carta do bispo de Pádua, o testemunho de Antonio irmão de Pe. Ezequiel Ramin e de Adílio de Sousa. A celebração terminou com um convite de Dom Antonio de continuar lutando e acreditando na esperança da verdadeira vida que o sangue derramado de Pe. Ezequiel Ramin faz nascer. A Comunidade S.C. de Maria de Nova Brasília, em Joinville, SC, acolhe a Irmã Deisy Adair Coelho, missionária combonianaNas fotos: Deisy em Uganda e, embaixo, outras combonianas em Uganda, com o bispo dom Franzelli. Ela voltou da Uganda para se preparar a emitir os votos perpétuos no dia 10 de outubro, festa de São Daniel Comboni. A comunidade expressou o seu carinho durante a missa de acolhida lembrando a forte ligação espiritual com a sua missionária. Querida irmã Deisy, nós vivemos estes 04 anos de missão na Uganda um pouco com você... Não como você viveu. Com menos intensidade,com menos dor, mas mas não com menos angustias que você... Sobrevoamos o lago Vitória com você... lago que você definiu como” majestoso em tamanho e beleza”. Imaginamos as quedas d´água do Rio Nilo mesmo antes de você pousar na Uganda. Ficamos curiosos quando você falou que a missa lá é longa e que se dança em quase todos os momentos. Ficamos imaginando ”a missa dominical cheia de vida,de dança e de cantos em inglês, lango, svahili e acholi...” Não conseguimos entender, mas imaginamos a alegria quando aquele povo recebeu pela primeira vez uma bíblia traduzida em sua própria língua. Você falou que se sente parte deles e nós também... Você falou de um lugar parecido com o nosso, com tangerina,manga e mamão, batata doce, feijão, aipim, milho e arroz... Aprendemos a gostar daquele povo gentil e acolhedor, apesar de estar rodeado de mortes e doenças e do medo pelo risco iminente de ataques de rebeldes. Vivemos momentos de dor, com a notícia das vezes que você pegou a malária, com a história do seqüestro das meninas pelos rebeldes, reconhecemos uma heroína, irmã Raquel, que conseguiu recuperar 109 das 139 moças roubadas... Choramos com você o retorno de Ajok Catherine seqüestrada e que sobreviveu 13 anos com os rebeldes... e passamos a entender porque na terra do sol, a bandeira tem pássaro da paz, mas carrega o vermelho que representa o sangue derramado pela luta da independência... Você não imagina a alegria de ler a carta dos seus dois anos de Uganda. Nela você dizia: 'Dois anos em que Deus deu-me a oportunidade de realizar o sonho da minha vida, o sonho que Ele plantou em mim: a missão além fronteiras. Aqui Ele me deu tantas oportunidades de crescer e aprender e de experimentar seu amor por mim e por este povo.” Neste momento em nosso coração lembramos a música que cantamos no teu envio: ”O Deus que me criou, me quis, me consagrou...” No meio da dor de perceber que crianças são feitas soldados e são exploradas, tínhamos a certeza que você levava para o povo da Uganda a nossa oração e as nossas preces e, principalmente, levava a esperança para que aquele povo tivesse outra forma de vida. De certa forma você é um pedacinho de cada um de nós, que não tivemos a sua coragem, mas vivemos a sua fé. Sentimo-nos impotentes como você disse: ”Sou feliz e realizada apesar da indignação com a nossa realidade e frustração de ver tantas necessidades e não poder fazer nada”. Mas você já mostrava o caminho: ”Que não nos cansemos nunca - vocês ai e eu aqui do outro lado do oceano - de trabalhar,de lutar por outro mundo possível, que é o Reino de Deus. Que o egoísmo e o individualismo que vem deste mundo capitalista, em que vivemos, não nos escravize e não mate o espaço que é de Deus em nós. Que o Reino de Deus triunfe e que a nossa fé vá além do banco da igreja para encontrar o irmão, a irmã que sofre; para transformar a sociedade em uma comunidade de irmãos e irmãs...” Nestes 04 anos temos certeza que você mudou muito, nós também; a nossa comunidade hoje é diferente, vimos e vivemos coisas que só foi possível graças à tua existência, às tuas cartas, às imagens que você enviou... Em muitos momentos destes quatro anos lembramo-nos de você e do povo da África, lembramos que somos missionários, lembramos que somos irmãos universais. Unimo-nos em orações, talvez não com tanta fé como deveríamos, mas temos certeza que tivemos um bom motivo para rezar a sua vida, a sua fé, a sua missão. Você não imagina como estamos felizes e agradecidos a Deus pela tua vida:seja bem-vida! Prontidão de missionárioEzequiel era uma pessoa extrovertida, de fáceis relações humanas. Tinha sido ordenado em 1981 e destinado, depois da ordenação, para um trabalho no mundo juvenil em sua própria terra. Estava começando a entrar nele quando um terremoto sacudiu o sul da Itália. Ele não teve dúvidas: aquele era o lugar do missionário. Deixou tudo e lá foi ele para socorrer as vítimas e ajudar na reconstrução. A chegada em Cacoal, Rondônia Quando, em 1984, Padre Ezequiel Ramin chegou a Cacoal, encontrou comunidades consolidadas em todo lugar. Não teve dificuldade de se inserir. Com pouco mais de 30 anos, ele tinha o entusiasmo necessário para entrar logo na realidade e as experiências anteriores, feitas na vida, o habilitavam a ser um bom padre para todo aquele povo. 'Proibida a entrada!' Pouco tempo depois da chegada de Ezequiel a Cacoal, em uma região entre Mato Grosso e Rondônia, em terras ocupadas por 250 famílias, apareceu uma placa: 'Fazenda Catuva: proibida a entrada'. As terras que as famílias trabalhavam há mais de dois anos, bem relacionadas com os índios suruí, que podiam se dizer os únicos verdadeiros proprietários, estavam sendo reivindicadas por dois fazendeiros. Eles eram proprietários de 2.500 hectares e tentavam abocanhar 50 mil hectares, passando por cima tanto dos índios como das 250 famílias e de suas roças. Tudo começou com uma chegada discreta, mas depois vieram a placa, a cerca e os jagunços para não deixar dúvidas em relação às reais intenções dos fazendeiros. Rotina de violências Em relação a tudo isso Padre Ezequiel mostrava-se profundamente incomodado. Ele dizia: 'Não aprovamos violências nem queremos reivindicações irreais. É irreal pedir comida para a própria família? Ou só quem é poderoso tem filhos que precisam comer? Aqui muita gente tinha terra, foi vendida. Tinha casa, foi destruída. Tinha filhos, foram mortos. Tinha aberto estradas, foram fechadas!'. Na Fazenda Catuva o confronto entre posseiros e jagunços começou a virar rotina. Os padres acompanhavam, realizando encontros com as famílias para orientá-las. A linha de ação era esta: que permanecessem na terra, mas evitando agressões e confrontos. 24 de julho de 1985 Às 5.30h da manhã do dia 24 de julho, Padre Ezequiel saiu, junto com o amigo Adilio de Souza, para a Fazenda Catuva. Quando chegaram ao posto indígena Lourdes, um funcionário da FUNAI quis impedir a passagem. Tinha ordem de não deixar passar ninguém. Mas chegou um carro vindo do interior da fazenda, com um pessoal desconhecido, pedindo que a entrada fosse liberada. Foi o que o funcionário fez. Os dois alcançaram a porteira sem qualquer problema. Chegaram rapidamente ao barraco onde se encontravam os posseiros, onze ao todo, que os aguardavam para acompanhá-los na vistoria da área. O acampamento dos jagunços estava muito próximo, a não mais de 100 metros de distância. Ezequiel e Adílio conversaram com os posseiros. Pediram que desocupassem a área porque a situação estava tensa. Ezequiel puxou da sacola a máquina fotográfica, tirou algumas fotos, inclusive da fazenda e dos jagunços. Adilio fez algumas anotações. Pouco depois das 11 horas, Ezequiel entrou no carro para pegar o caminho de volta... Rajada de balas Depois de dois quilômetros, na saída de uma curva, teve o ataque. Sete homens armados, em posição de tiro, estavam esperando a passagem do carro. Dois deles abriram fogo. Veio uma primeira rajada de balas. Ainda dentro do carro P. Ezequiel foi atingido. Disse: 'Para, para pelo amor de Deus'. Depois saiu do carro, pelo lado do motorista, afastando-se dos atiradores. Adilio saiu em direção contrária, ganhando a mata. Ezequiel caiu uns 50 metros depois. Alguém chegou e descarregou nele a espingarda à queima-roupa. Na madrugada seguinte... Adílio bateu na casa dos padres a uma hora da madrugada do dia seguinte. Estava ensangüentado e exausto. Contou o que tinha acontecido. Não sabia dizer se Ezequiel estava vivo ou morto... Era preciso correr para lá imediatamente. Na mesma hora os dois padres foram à delegacia: o delegado estava ausente e os policiais mostraram pouca disposição de ajudar. Os padres então avisaram o bispo e se dirigiram a Ji-Paraná, onde chegaram por volta das 4.00 horas. Finalmente às 8.00 horas, com mais dois carros da polícia na frente, saíram, e às 11.30 cruzaram a porteira da fazenda. Mais 5 minutos e chegaram ao local. O carro de Ezequiel estava ainda no meio da estrada, com as portas abertas, os vidros quebrados. O corpo logo foi avistado 50 metros adiante, caído à beira da estrada. Nenhum sinal de violência, a não ser as perfurações das balas e dos chumbos: havia sinais de um tiro de espingarda em pleno rosto; os braços abertos, como se tivesse sido crucificado. A família quis o corpo, mas a camisa ensanguentada ficou em Cacoal Os padres estavam providenciando o enterro em Cacoal. Parecia-lhes lógico que o corpo do colega descansasse na terra que tinha recebido seu sangue. Mas chegou um telefonema da Itália: um superior informava que os pais e os irmãos queriam ter o corpo de volta, na Itália. A camisa ensangüentada de Padre Ezequiel ficou exposta na igreja matriz de Cacoal por muito tempo... Em muitas comunidades-igrejas, em todo o Brasil, estão acontecendo celebrações para o 25º aniversário do 'martírio' de Padre Ezequiel Ramin. Oferecemos, a seguir, a 3ª celebração de um tríduo. Baixe o arquivo. [baixar arquivo] Em muitas comunidades-igrejas, em todo o Brasil, estão acontecendo celebrações para o 25º aniversário do 'martírio' de Padre Ezequiel Ramin. Oferecemos, a seguir, a 2ª celebração de um tríduo. Baixe o arquivo. [baixar arquivo] Em muitas comunidades-igrejas, em todo o Brasil, estão acontecendo celebrações para o 25º aniversário do 'martírio' de Padre Ezequiel Ramin. Oferecemos, a seguir, a 1ª celebração de um tríduo. Baixe o arquivo. [baixar arquivo] Para conferir as ofertas, que vieram de ONLUS e da Procura de VERONA, em JUNHO de 2010, baixe o arquivo: Nas fotos: à esquerda, mapa do Sudão; à direita, dom Edward Hiiboro, bispo de YAMBIO, SudãoA experiência de trabalhar e viver nos campos de refugiados Ser pastor de um rebanho sudanês é um privilégio e um peso, afirma o bispo da diocese de Tombura-Yambio, que em sua vida também conheceu o que significa ser refugiado. O bispo mais jovem da Igreja Católica no Sudão, Dom Edward Hiiboro, está à frente de uma diocese muito grande, ainda que materialmente muito pobre, situada no sul do Sudão. Segundo o último censo, há cerca de 2 milhões de pessoas nesta região. 900 mil delas são católicas. É uma diocese antiga: em 2011 fará 100 anos de cristianismo. Esta região está isolada dos principais povoados e cidades de Sudão. A comunicação é muito difícil, o que contribui ao atraso do local, e um problema importante é constantemente enfrentado: a construção e reconstrução destes lugares. O Sudão é o maior país do continente africano. Foi açoitado por uma extensa guerra civil por motivos de desigualdade racial e cultural. Nesta entrevista, o bispo conta sua experiência de trabalhar e viver nos campos de refugiados, suas razões de esperança e suas metas para a comunidade de sua diocese. ZENIT: O senhor também nasceu no sul do Sudão? Dom Hiiboro: Sim, nasci no sul do Sudão. Logo após nascer, dois meses depois, houve um ataque em minha aldeia e mataram minha mãe. Fui criado por minha avó, que fugiu da guerra indo para a República do Congo. Permaneci lá por nove anos. Cresci em um campo de refugiados. Voltei ao Sudão em 1972, após o acordo de paz de Addis Abeba, e continuei meus estudos, que foram novamente interrompidos pela guerra de 1983. Fugimos para Cartum, onde terminei meu seminário. Sou um refugiado de todos os modos, uma pessoa deslocada, e sei o que significa sair do próprio país ou abandonar meu país sem ter absolutamente nada. ZENIT: Como foi capaz de conservar sua fé até o fim ao longo deste difícil caminho? Dom Hiiboro: Bem, tenho que ser grato à minha avó. Ela teve uma criação católica. Quando era pequeno, ensinou-me a rezar. Agora isso é um hábito para mim. Ela me recordava, dizendo: “Você rezou?”. Quando me levantava pela manhã, dizia: “agora temos de rezar. Temos de dar graças a Deus por estarmos vivos”. Aprendi ao longo de minha vida a ver Cristo em cada situação. E isso foi convertido no meu lema agora como bispo. ZENIT: Qual é seu lema? Dom Hiiboro: “Cristo realmente ressuscitou”. Cristo em todo seu sofrimento e após ser pregado na cruz, não permaneceu nela. Nem na tumba. Ele despertou, levantou-se e ressuscitou. Assim detrás de toda cruz está a vida. Cristo está ali, atrás, sob a tumba e sobre ela, está a vida. Por isso, sei que nossas dificuldades no Sudão, nossos problemas na diocese de Tombura-Yambio não terminarão, mas seremos ressuscitados. Chegaremos à vida, e vejo a vida ao final e essa é minha esperança, e assim acredito. ZENIT: Foi uma grande mudança para o senhor, que até agora foi um acadêmico, converter-se de repente em bispo? Dom Hiiboro: Sim. Eu acolhi minha nomeação como bispo com o coração inquieto, porque sempre quis dar destaque ao campo acadêmico. Gosto de ler e escrever. Acabei de publicar meu último livro: “Human Rights: The Church in Post-war Sudan”. Quis avançar na escrita, e agora a possibilidade de ser bispo em uma grande diocese se apresenta aos meus planos e meus esforços, para construir um tipo de diocese que deveria ser. Mas sei que é Deus quem me chama a este trabalho, e é sua obra. É seu projeto e estou seguro que não me deixará sozinho. Estará comigo. Cuidará de mim e me dará pessoas maravilhosas, gente que crê em Deus. Vou trabalhar com eles, e eles me garantiram desde o momento de minha ordenação uma grande alegria, isso demonstrou que não estarei sozinho na hora de suportar a responsabilidade dessa diocese. ZENIT: Em sua ordenação o senhor disse que a responsabilidade é um peso e um privilégio. Qual é o peso que tomou sobre si? Dom Hiiboro: O peso é a cruz das pessoas; trabalhar com pessoas sob situações difíceis nas quais vivem a vida, a realidade da vida que meu povo experimenta, a possibilidade de construir a paz entre eles, a possibilidade de ter uma vida de acordo com plena dignidade, a possibilidade de levar à realidade seus direitos humanos e de ser filhos livres de Deus. Sei que não é fácil; não é um caminho fácil. Sei que as coisas são difíceis. Posso ver e sentir isso. Para mim isso é um peso e, sobretudo, alcançar a paz no país, que em minha região é um pouco mais duradoura, mas é um privilégio porque sou um sacerdote. Sou católico. Sou cristão. ZENIT: Por que é um privilégio em uma situação como esta? Dom Hiiboro: É um privilégio porque sou capaz de realizar o projeto de Deus. É um privilégio falar em nome de Deus. É um privilégio trazer a Boa Nova da salvação para as pessoas que mais necessitam. ZENIT: O povo está aberto a esta lição de salvação? Dom Hiiboro: Sim, o que é interessante em minha diocese é que a princípio foi uma comunidade aristocrática. As pessoas tinham reis e escutavam seus reis. Quando os cristãos chegaram, há 97 anos, o cristianismo substituiu este tipo de tendência a se aliar com os reis, e as pessoas abraçaram o cristianismo. Não se podia encontrar uma pessoa entre cinco que não mencionasse o nome de Deus. Assim se pode ver que as pessoas amam seu Deus. Estão em relação com Deus. Pode-se ver em minha própria ordenação a grande alegria que era possível ver nas pessoas. Ao viajar pelas paróquias pude ver a grande alegria que tinham por mim, o acolhimento foi grande, e também veio a presença da Sagrada Eucaristia, a frequência no acudir aos sacramentos e seu estilo de vida me animaram porque estão abertos à Boa Nova de Deus, e isso me estimula muito. É verdade que me falta muito trabalho para fazer, mas vejo desta forma: a melhor e primeira coisa que tenho de fazer é aprofundar o processo de evangelização de meu povo. Eles conheceram a Deus. Eles têm de estar em casa com ele. Têm de experimentá-lo e se tornar a base para construir uma paz que dure. Falei e insisti para que as pessoas coloquem Cristo o centro, sendo o fundamento do que fazem. Só se nos convertermos a ele, que é o autor da paz, poderemos ser capazes de construir a paz. ZENIT: Quais desafios existem? Dom Hiiboro: As pessoas se traumatizaram durante anos. Não experimentaram a paz. O único modo de alcançar algo que conhecem é por meio da violência. Por isso, para trazer a cultura da paz, é necessário um processo gradual. Tenho de ir lentamente. Tenho de estudar e encontrar porque sempre temos dificuldades para construir a paz. Sabe, devido à guerra, muitas pessoas fugiram como refugiados para diferentes países, e todos voltaram com mentalidades diferentes. Temos muitos que se deslocaram como refugiados internos para outras zonas do país; todos voltaram com mentalidades diferentes, e temos pessoas que nunca saíram durante os tempos de guerra; estas pessoas também têm visões diferentes. Agora, ao por toda estas pessoas juntas, o processo de integração não é fácil; na verdade é muito difícil. Mas temos de ir nos movendo ao passo de cada um destes grupos e dizer-lhes que temos uma meta em comum. Temos de alcançar o equilíbrio correto na construção da paz entre nós, aceitando todos e cada um de nós. ZENIT: Pode nos falar um pouco de sua própria situação? O senhor também trabalha com os deslocados? Dom Hiiboro: Sim, quando era estudante em Cartum, antes de minha ordenação e também quando tinha acabado de me ordenar, trabalhei com pessoas deslocadas. O arcebispo me enviou a um dos campos de refugiados chamado Jabel Aulia, na parte norte da cidade. Fomos o primeiro grupo de pessoas que chegou ao campo de refugiados. A vida era muito dura. Era um deserto. E pude ver as mães cavando buracos na terra para manter seus filhos aquecidos. Era inverno. Fazia muito frio. Não havia muita coisa para comer. A vida era dura e foi naquele momento que começamos a perder as crianças. As pessoas as sequestravam. Vinham fazer mingau de aveia e sequestravam as crianças. Tivemos de colocar alertas e informar das crianças perdidas. Depois de um ano, levaram-me à República Centro-Africana, para ser reitor de um seminário menor em um campo de refugiados. Estive ali sete anos, e pude ver o quanto era difícil para as pessoas viverem longe de sua terra. A vida era difícil para os seminaristas no campo. Tínhamos de cultivar nossa própria comida para alimentar estes jovens, assim como as pessoas dessa região. Experimentei, portanto, a vida dos refugiados assim como das pessoas deslocadas. ZENIT: Qual seria seu pedido? Dom Hiiboro: Meus pedidos são três: peço amizade. Gostaria que visitassem minha diocese, e quero voluntários. Preciso de pessoas que venham para se unir com nós. Venham nos visitar, e todos aqueles que possam estar atentos para trabalhar conosco, seria algo grandioso. O segundo pedido é: queria que vocês escolhessem um projeto que enfrentasse as emergências, que permitisse independência e autossuficiência para que as pessoas fossem capaz de cuidar de si mesmas. Estes desafios são muitos: saúde, educação e serviços sociais. O terceiro pedido que gostaria de fazer é que continuasse se consolidando a paz no país. Não é um projeto fácil. É difícil. É delicado e pode se desfazer a qualquer momento. Estamos fazendo o que nos corresponde, mas necessitamos dos esforços de muitos de nossos amigos que estiveram conosco durante os temos de guerra e durante a época de enfrentamento, para que novamente seja garantida esta paz e que não se acabe, que se consolide. Por isso estou muito agradecido. Sei que meu convite para que venham e meu pedido para que elejam algum projeto pode levar à independência e à autossuficiência. E que contribuam para o processo de consolidação da paz no país. Por isso lhes agradeço muito pela importante ajuda a nós dada no passado. Mantiveram-nos vivos. Deus, eu diria, chora em Sudão, mas gostaríamos que sorrisse no Sudão. Nas fotos: diversas situações de refugiados pelo mundoRelatório ACNUR: mais de 43 milhões de pessoas no mundo fogem de guerras e perseguições No final de 2009, no mundo existimos 43.3 milhões de pessoas obrigadas a fugir das guerras e perseguições. É o número mais alto da média dos anos noventa, e ao mesmo tempo, o número de refugiados que voltaram espontaneamente às suas casas é o mais baixo dos últimos anos. É o que se lê no Relatório estatístico anual (“Global Trends 2009”) do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), há pouco publicado. O relatório evidencia como o número de refugiados, 15.2 milhões permaneceram relativamente estáveis. Os dois terços delas são de competência do ACNUR, um terço permanece nas competências da Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA). A causa do persistir dos conflitos, mais da metade dos refugiados de competência do ACNUR se encontram em situações de exílio. Segundo o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugados, António Guterres, não se prevê uma solução para os principais conflitos em andamento, como os do Afeganistão, Somália e na República Democrática do Congo e os conflitos que parecem ser resolvidos ou em fase de resolução, como no sul do Sudão ou no Iraque a situação está até agora estagnada. O ano de 2009 não foi um ano positivo para os que voltaram aos seus países, foi o pior nos últimos vinte anos. Segundo o relatório do ACNUR somente 251mil refugiados voltaram às suas casas, em 2009, enquanto a média anual na última década era de milhões que voltavam espontaneamente. A percentagem de deslocados, pessoas em fuga por causa dos conflitos dentro de seus paíse, cresceu 4%: no final de 2009 os deslocados eram 27.1 milhões. O aumento é devido principalmente ao perdurar de conflitos na República Democrática do Congo, no Paquistão e Somália. O relatório evidencia como sempre mais os refugiados vivem em áreas urbanas, principalmente nos países em fase de desenvolvimento, e por isso existe uma invasão de refugiados nos países industrializados. O número de novos pedidos de asilo político no mundo aumentou cerca de um milhão. A África do Sul foi o país que no ano passado registrou o maior número de pedidos de asilo político: 220 mil. O Relatório estatístico se ocupa também dos deslocados. Estima-se que no final de 2009 os deslocados no mundo fossem 6.6 milhões mesmo se as estimativas não oficiais falam de cifras que chegam a 12 milhões. Em relação ao mecanismo através do qual os refugiados que vivem num país de asilo, um país em fase de desenvolvimento, são transferidos a outro país, geralmente um país industrializado – em 2009 o ACNUR propôs esse tipo de tratamento para 128 mil pessoas, o número mais alto nos últimos 16 anos. No final de 2009, 112.400 pessoas foram acolhidas em 19 países entre eles o EUA (79.900), Canadá (12.500), Austrália (11.100), Alemanha (2.100), Suécia (1.900) e Noruega (1.400). O grupo principal de deslocados são provenientes de Mianmar (24.800), Iraque (23 mil), Butão (17.500), Somália (5.500), Eritreia (2.500) e República Democrática do Congo (2.500). Pobreza e analfabetismo favorecem o aumento do trabalho infantil em toda a Angola O Presidente da Associação de Crianças pobres em Angola, em seu pronunciamento à Rádio Ecclesia, afirmou que a sua organização registrou um forte aumento de casos de trabalho infantil no país. Segundo Joaquim Dalas, a exploração das crianças è um fenômeno difundido em todo o país, sem que as autoridades intervenham para bloqueá-lo. “Em todas as províncias onde nós fomos sempre encontramos vários casos de trabalho infantil, até mesmo na capital do país. Em todas as periferias de Luanda o trabalho infantil é muito difundido” – disse o Presidente da Associação. A pobreza que afeta a maior parte das famílias angolanas e o elevado índice de analfabetismo são as principais causas do fenômeno. “As razões do trabalho infantil são várias: negligência dos pais, a falta de conhecimento dos próprios direitos e dos problemas que surgem da pobreza’. Para reduzir o trabalho infantil, Joaquim Dalas espera na criação de um programa de ajuda às famílias em condições de extrema pobreza. “Seria muito bom se o governo tivesse um programa de ajuda às famílias vulneráveis ou que estão desempregadas”. Isto poderia criar bases para passar a uma fase sucessiva, ou seja, a erradicação do trabalho infantil, com o apoio da sociedade civil, como recomendado pela Organização Mundial de Trabalho. A Angola é um dos principais produtores de petróleo e diamantes da África, mas a riqueza produzida não foi ainda utilizada em benefício da população. O silêncio nas famílias é uma das principais causas da violência perpetrada contra meninasSegundo um grupo de pesquisadores de Casamance, região situada no sul do Senegal, a segurança das meninas depende da vontade das famílias de falar das violências sexuais. De um estudo do Unicef e da universidade de Ziguinchor, emerge uma violência muito difundida contra as meninas de 10 a 13 anos de idade. Em Kolda, Sédhiou e Ziguinchor, a família, as opressões sociais e culturais alimentam o silêncio e a impunidade. Conhecendo tantos casos precoces e de violência nas escolas e arredores, o Unicef, em 2008 e 2009, iniciou e conduziu esta pesquisa para ter um quadro mais detalhado sobre a natureza, a gravidade e as causas deste fenômeno: “É urgente que os tabús que circundam a violência sesual sejam evidenciadas na sociedade e na família”, lê-se no relatório. Nesta cultura a honra familiar é um fator importante. Pensa-se a salvar a face dos adultos da vergonha; as pessoas não pensam nas consequências graves que estas pobres meninas carregar ão consigo por toda a vida. Em alguns casos, aqueles que reagem pensam em resolver a questão em casa. Além disso, as famílias não querem falar dos “acordos” entre os membros das próprias famílias e os autores das vilências, tornando difícil a abertura de um debate sobre o problema e sober o impacto dentro da comunidade. Em muitos casos o agressor é um membro da família. As meninas são destinadas ao matrimônio, por isto as famílias não querem que sejam deixadas sós e abandonadas. O impacto cultural negativo nas moças não se deve somente aos casos de violências sexuais, mas infelizmente, há outras práticas violentas, como o casamento forçado em idade jovem, gestações prematuras e a mutilação genital. Trata-se de ritos e práticas originais de crenças religiosas e tradicionais, e nem sempre é fácil erradicá-las. O relatório destaca que as instituições de saúde, de instrução e os serviços sociais devem trabalhar juntos para combater toda forma de violência contra crianças. As duas instituições apelam à melhoria da educação sobre violências sexuais e direitos infantis, seja para pequenos como adultos, fornecendo assistência legal às vítimas, e reforçando os serviços sociais para as jovens traumatizadas pelas violências. 3º dia do tríduo em preparação à festa do Coração de Jesus (11 de junho de 2010).Uma meditação para cada dia: 11 de junho de 2010: CORAÇÃO HUMILDE E SINCERO Jesus nos ensina: 'Cuidado com a vaidade e com o fingimento!' Leia em São Mateus 5, 1 - 6): 'Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus. Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo, eles já receberam a sua recompensa. Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade, vos digo, eles já receberam a sua recompensa...'. Junte-se aos Missionários Combonianos. Mande sua reflexão ou seu pedido de orações. Basta clicar no 'comentários' abaixo. A universalidade do amor de Cristo impele-nos para a missão. É esta urgência que leva São Paulo a dizer: “Ai de mim se não anunciar o Evangelho!” (1Co 1,17), e na primeira carta, São João afirma: “Nisto conhecemos o amor: Jesus Cristo ofereceu a sua vida por nós. Também nós devemos oferecer a vida pelos nossos irmãos (1Jo 3,16). Nascido no Espírito do Pentecostes, o caminho do coração torna-se um itinerário para todas as estradas da humanidade, próximas e distantes, acolhendo os esquecidos, curando as feridas, reconciliando os conflitos, colaborando com os esforços de desenvolvimento, infundindo esperança e anunciando a presença de Deus na vida e na história dos homens. Penetrando no Coração de Cristo, compreendemos mais profundamente a lógica da missão como solidariedade de Deus, que não se limita a oferecer de longe a sua salvação e a perdoar os pecados na sua misericórdia. Em Jesus, Ele veio para o meio da humanidade pecadora, partilhando o seu drama, angústias e esperanças, abrindo, apresentando e tornando possível um caminho novo como homem e Filho de Deus. Nesta luz, compreendemos a lógica do Bom Pastor, que organiza o próprio rebanho e quer ir buscar as ovelhas que estão fora (Jo 10,16), que perde o tempo com uma única que se tresmalhou e necessita de cuidados especiais (Lc 15,4-7) e que, por todas, oferece a própria vida. Assumir assim a missão exige um coração livre, humilde e generoso, unido ao de Cristo. A missão está presente em toda a parte no mundo, perto de cada um de nós e de cada uma das nossas comunidades e está alem fronteiras. É a partir do Coração de Cristo que somos enviados a comunicar o seu amor. Coração de Jesus, faz o nosso coração semelhante ao vosso, um coração solidário, um coração aberto a todos. Eis que um soldado com uma lança vem abrir o coração de Jesus: Daí jorra água e sangue! Surgem os sacramentos e a Igreja. Abre-se de forma misteriosa a via de acesso ao amor de Deus: O CORAÇÃO ABERTO DE JESUS, O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS. “A contemplação do «lado transpassado pela lança», na qual resplandece a vontade infinita de salvação por parte de Deus, não pode ser considerada como uma forma passageira de culto ou de devoção: a adoração do amor de Deus, que encontrou no símbolo do «coração transpassado», continua sendo imprescindível para uma relação viva com Deus”. “O olhar no lado transpassado do Senhor, do qual saem «sangue e água», nos ajuda a reconhecer a multidão de dons de graça que daí procedem e nos abre a todas as demais formas de devoção cristã que estão compreendidas no culto ao Coração de Jesus”. “O culto do amor que se faz visível no mistério da Cruz, representado em toda celebração eucarística, constitui o fundamento para que possamos converter-nos em instrumentos nas mãos de Cristo”. “Só assim podemos ser arautos críveis de seu amor. Esta abertura à vontade de Deus, contudo, deve renovar-se em todo momento: «O amor nunca se dá por “concluído” e completado”. “O significado mais profundo desse culto ao amor de Deus só se manifesta quando se considera mais atentamente sua contribuição não só ao conhecimento, mas também, e sobretudo, à experiência pessoal desse amor na entrega confiada a seu serviço”. “Também é necessário sublinhar que um autêntico conhecimento do amor de Deus só é possível no contexto de uma atitude de oração humilde e de disponibilidade generosa. Partindo dessa atitude interior, o olhar posto no lado transpassado da lança se transforma em silenciosa adoração”. Coração de Cristo, Coração de homem. Coração de Deus: ouve nosso grito. Coração querido, somos filhos teus. Um coração novo para um mundo novo, viemos implorar. Junte-se aos Missionários Combonianos. Mande sua reflexão ou faça seu pedido de oração. Basta clocar no 'comentários' abaixo. PROGRAMAÇÃO das CELEBRAÇÕES em CACOALno 25º ANIVERSÁRIO DO MARTIRIO do Padre EZEQUIEL RAMIN Dias 24 – 28 de Junho: Exposição das atividades do Projeto Padre Ezequiel Ramin da Diocese de Ji-Paraná na Câmara Municipal de Cacoal, RO Dia 28 de Junho: Homenagem ao Padre Ezequiel na Câmara Municipal de Cacoal, RO De 24 de junho a 19 de julho: Encontro dos grupos de reflexão em toda a Diocese a partir da vida e do testemunho do martírio do Pe. Ezequiel. Dias 20-23 de julho: Tríduo de preparação dos 25º aniversário do martírio do Pe. Ezequiel em todas as comunidades da Diocese. Dia 17 de julho: Encontro com os jovens da Diocese e Paróquia Sagrada Família de Cacoal. Dia 19 de julho: Mesa redonda na Câmara Municipal de Cacoal, com os temas: Reforma Agrária e Violência no Campo, o Martírio do Pe. Ezequiel hoje. Dias 20 – 22 de julho: Encontro com as comunidades dos setores da cidade da paróquia Sagrada Família, em Cacoal, as 19h30. Dia 23 de julho: Encenação da Vida e do martírio do Pe. Ezequiel, no Teatro Municipal de Cacoal, às 19h30. Dia 24 de julho: Grande celebração Eucarística Diocesana do 25º Aniversário do Martírio do Pe. Ezequiel a partir das 18horas. 2º dia do tríduo em preparação à festa do Coração de Jesus (11 de junho de 2010).Uma meditação para cada dia: 10 de junho de 2010: CORAÇÃO PURO E AMOROSO Jesus nos ensina a amar não só os amigos, mas também os inimigos. Leia em Mateus 5,43-48: 'Vós ouvistes o que foi dito: 'Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!' Eu, porém, vos digo, amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai, que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons e faz cai r a chuva sobre justos e injustos. Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito'. Junte-se aos Missionários Combonianos. Mande sua reflexão ou seu pedido de orações. Basta clicar no 'comentários' abaixo! 1º dia do tríduo em preparação à festa do Coração de Jesus (11 de junho de 2010).Uma meditação para cada dia: 09 de junho de 2010: O CORAÇÃO COMPASSIVO DE DEUS: Do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (11,25-30): Naquele tempo, Jesus disse: «Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Meu Pai entregou tudo a mim. Ninguém conhece o Filho, a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar. Venham para mim todos vocês que estão cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhes darei descanso. Carreguem a minha carga e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas vidas. Porque a minha carga é suave e o meu fardo é leve». Junte-se aos Missionários Combonianos. Mande sua reflexão ou seu pedido de orações. Basta clicar no 'comentários' abaixo! Para conferir as ofertas, que vieram de ONLUS e da Procura de VERONA, em MAIO de 2010, baixe o arquivo: [baixar arquivo] Que feio! - Que bonito! Um menino tinha uma cicatriz no rosto e as pessoas de seu colégio não falavam com ele e nem sentavam ao seu lado; na realidade, quando os colegas de seu colégio o viam franziam a testa devido a cicatriz ser muito feia. Então a turma se reuniu com o professor e foi sugerido que aquele menino da cicatriz não frequentasse mais o colégio. O professor levou o caso à diretoria do colégio. A diretoria ouviu e chegou à seguinte conclusão: Que não poderia tirar o menino do colégio e que conversaria com o ele. Ele seria o ultimo a entrar em sala de aula e o primeiro a sair. Desta forma nenhum aluno via o rosto do menino, a não ser que olhasse para trás. O professor achou magnífica a idéia da diretoria; sabia que os alunos não olhariam mais para trás. Levada ao conhecimento do menino a decisão, ele prontamente aceitou a imposição do colégio, com uma condição: Que ele comparecesse na frente dos alunos em sala de aula para dizer o porquê daquela CICATRIZ. A turma concordou e, no dia, o menino entrou em sala, dirigiu-se à frente da sala de aula e começou a relatar: - Sabe, turma, eu entendo vocês; na realidade esta cicatriz é muito feia, mas foi assim que eu a adquiri. Minha mãe era muito pobre e para ajudar na alimentação de casa passava roupa para fora; eu tinha por volta de 7 a 8 anos de idade... A turma estava em silêncio, atenta a tudo. O menino continuou: - Além de mim, havia mais 3 irmãozinhos: um de 4 anos, outro de 2 anos e uma irmãzinha com apenas alguns dias de vida. Silêncio total em sala. - Foi aí que, não sei como, a nossa casa que era muito simples, feita de madeira, começou a pegar fogo; minha mãe correu até o quarto em que estávamos, pegou meu irmãozinho de 2 anos no colo, eu e meu outro irmão pelas mãos e nos levou para fora. Havia muita fumaça e as paredes que eram de madeira pegavam fogo e estava muito quente... Minha mãe colocou-me sentado no chão do lado de fora e disse-me para ficar com eles até ela voltar, pois tinha que pegar minha irmãzinha que continuava lá dentro da casa em chamas. Só que, quando minha mãe tentou entrar na casa em chamas, as pessoas que estavam ali não a deixaram buscar minha irmãzinha. Eu via minha mãe gritar: 'Minha filhinha esta lá dentro! Vi no rosto de minha mãe o desespero, o horror e ela gritava, mas aquelas pessoas não a deixaram buscar minha irmãzinha... Foi aí que decidi. Peguei meu irmão de 2 anos que estava em meu colo e o coloquei no colo do meu irmãozinho de 4 anos e disse-lhe que não saísse dali até eu voltar. Saí entre as pessoas e, quando perceberam, eu já tinha entrado na casa. Havia muita fumaça, estava muito quente, mas eu tinha que pegar minha irmãzinha. Eu sabia o quarto em que ela estava. Quando cheguei lá ela estava enrolada em um lençol e chorava muito... Neste momento, vi caindo alguma coisa; então me joguei em cima dela para protegê-la e aquela coisa quente encostou-se em meu rosto... A turma estava quieta atenta ao menino e envergonhada; então o menino continuou: - Vocês podem achar esta CICATRIZ feia, mas tem alguém lá em casa que acha linda e todo dia quando chego a casa, ela, a minha irmãzinha, me beija porque sabe que é marca de AMOR. Na foto: Mateo RicciChina, Xangai: oe 400 anos da morte do missionário pioneiro da China A diocese chinesa de Xangai iniciou na terça-feira passada o Ano de Mateo Ricci, que será celebrado até 11 de dezembro, por ocasião do aniversário de 400 anos da morte do missionário pioneiro na China. Com um ato celebrado no seminário de Sheshan, nas cercanias da cidade, foi inaugurado este tempo especial de graça no qual a Igreja pede 'novo impulso à tarefa evangelizadora entre os sacerdotes, religiosos e leigos', disse o bispo de Xangai, Dom Aloysius Jin Luxian, que presidiu a cerimônia. O evento 'não constitui apenas uma comemoração, mas também tem um significado prático' para os católicos, explicou o prelado, indicando 'como podem dar continuidade ao trabalho deste jesuíta de origem italiana de adaptar a fé à cultura chinesa'. A diocese preparou uma agenda de atividades comemorativas para estes sete meses, que inclui seminários, a composição de um hino, encontros de oração e uma ordenação sacerdotal. O ato oficial de abertura foi celebrado no final de uma peregrinação diocesana ao santuário mariano de Sheshan. Cerca de mil católicos se reuniram na basílica de Santa Maria para rezar pela continuidade da obra do Padre Ricci, que viveu de 1552 a 1610. Durante o ato, o bispo auxiliar de Xangai, Dom Joseph Xing Wenzhi, destacou que Padre Ricci seguiu os costumes chineses, entendeu a cultura chinesa e manteve amizade com intelectuais do país. 'Ele merece ser um modelo para nossa diocese de difusão do Evangelho nestes tempos de rápidas mudanças', afirmou. Também participou do evento o cônsul geral da Itália em Xangai, Massimo Roscigno, que exortou a seguir o exemplo do missionário para 'reforçar os laços de amizade entre a China e Itália'. Amizade fecunda O prelado destacou que, sem a ajuda de seu melhor amigo chinês, Paulo Xu Guangqi, o Padre Ricci não teria sido capaz de completar seus escritos em chinês nem sua tradução de clássicos do chinês ao latim. De fato, alguns católicos na China esperam que Xu Guangqi, o primeiro católico de Xangai, possa também ser proclamado santo juntamente com o Padre Matteo Ricci. Paulo Xu Guangqi (1562 - 1633) foi oficial do governo imperial chinês e colaborou intensamente com o jesuíta italiano na tradução de textos ocidentais sobre matemática, hidráulica, astronomia, trigonometria e geografia para o idioma chinês. Também traduziram juntos clássicos do confucionismo para o latim, introduzindo, assim, na Europa, a filosofia dominante na China. Xu, nascido em Xangai, era estudioso de ciências da agricultura, astronomia e matemática, sob a dinastia Ming. Conheceu o Padre Ricci em 1660 e ficou impressionado com sua sabedoria e santidade. Três anos depois, foi batizado e recebeu o nome de Paulo. ' Na foto - Papa Bento XVI em um momento de sua visita a Portugal.Todos testemunhas da ressurreição de Cristo O Papa Bento XVI convidou a todos que estavan com ele em Portugal: “Meus irmãos e irmãs, é preciso que vocês se tornem comigo testemunhas da ressurreição de Jesus. De fato, se vocês não forem suas testemunhas em seus ambientes, quem será em seu lugar? O cristão è na Igreja e com a Igreja, um missionário de Cristo enviado no mundo. Esta é a missão não prorrogável de toda comunidade eclesial: receber de Deus e oferecer ao mundo Cristo ressuscitado, para que cada situação de enfraquecimento e de morte seja transformada, mediante o Espírito Santo, em vista do crescimento e da vida”. Foi esta a exortação que o Santo Padre Bento XVI dirigiu aos numerosos fiéis reunidos na Avenida dos Aliados da cidade do Porto, onde celebrou a Santa Missa na manhã de sexta-feira 14 de maio, antes de concluir a sua viagem apostólica em Portugal. Tomando como ponto de reflexão a pessoa do apóstolo São Matias, cuja festa litúrgica foi celebrada na sexta 14 de maio, o Papa na homilia se deteve sobre a importância do testemunho e sobre o significado da missão. A escuta atenta da Palavra de Deus e a participação da mesa eucarístivca farão de nós “testemunhas e, mais ainda, anunciadores de Jesus Ressuscitado no mundo, levando-o aos diferentes setores da sociedade e aos que nela vivem e trabalham” – afirmou o Papa, sublinhando que “não impomos, mas sempre propomos, como Pedro que nos recomenda em uma de suas cartas”. A experiência ensina “que é Jesus aquele que todos esperam”, porque “sem Deus o homem não sabe aonde ir e não consegue nem mesmo compreender quem ele é” – reiterou Bento XVI. “Devemos vencer a tentação – prosseguiu o Pontífice – de nos limitar àquilo que ainda temos, ou achamos ter, de nosso e de seguro: seria um morrer no fim, enquanto presença de Igreja no mundo que pode somente ser missionária no movimento difusivo do Espírito. Desde o início, o povo cristão advertiu com clareza a importância de comunicar a Boa Nova de Jesus aos que ainda não o conhecem. Nests últimos anos, mudou o quadro antropológico, cultural, social e religioso da humanidade; hoje a Igreja é chamada a enfrentar novos desafios e está pronta a dialogar com culturas e religiões diferentes, buscando construir juntos em cada pessoa de boa vontade a pacífica convivência dos povos. O campo da missão ad gentes se apresenta hoje notavelmente ampliado e não definido somente se baseando nas considerações geográficas; de fato, nos esperam não somente os povos não cristãos e terras distantes, mas também âmbitos socioculturais e sobretudo os corações que são os verdadeiros destinatários da ação missionária do povo de Deus”. Enfim, Bento XVI reiterou que “somos chamados a servir a humanidade de nosso tempo, confiando unicamente em Jesus”, enquanto “tudo se define a partir de Cristo, em relação á origem e à eficiência da missão: a missão a recebemos sempre de Cristo, que nos mostrou aquilo que ouviu de seu Pai, e somos inseridos através do Espírito, na Igreja. Como a própria Igreja, obra de Cristo e de seu Espírito, trata-se de renovar a face da terra partindo de Deus, sempre e somente Dele!” Meu nome é PADRE LUCIANO MARINI. Sou missionário comboniano. Desde 1967 vivo no Brasil. No começo trabalhei no interior do Espírito Santo. Depois de 7 anos fui convidado pelos bispos de Vitória, mo Estado do Espírito Santo. Com dom Luiz Gonzaga Fernandes ajudei a preparar o primeiro encontro das CEBs. Depois de 8 anos fui convidado por dom Cláudio Humes para acompanhar a PASTORAL OPERÁRIA no ABC. Entrei neste setor porque percebi que a causa e chave da exploração é o trabalho. Até hoje fiquei impressionadíssimo pelo texto da encíclica sobre o trabalho de João Paulo 2, que diz: “Para se realizar a justiça social nas diversas partes do mundo, nos vários países e nas relações entre eles, é preciso que haja sempre novos movimentos de solidariedade dos homens do trabalho e de solidariedade com os homens do trabalho. Uma tal solidariedade deverá fazer sentir a sua presença onde a exijam a degradação social do homem-sujeito do trabalho, a exploração dos trabalhadores e as zonas crescentes de miséria e mesmo de fome. A Igreja acha-se vivamente empenhada nesta causa, porque a considera como sua missão, seu serviço e como uma comprovação da sua fidelidade a Cristo, para assim ser verdadeiramente a « Igreja dos pobres». E os « pobres » aparecem sob variados aspectos; aparecem em diversos lugares e em diferentes momentos; aparecem, em muitos casos, como um resultado da violação da dignidade do trabalho humano”. Outro texto, que privilegio, é de Paulo VI quando disse: “A política é uma maneira exigente - se bem que não seja a única - de viver o compromisso cristão, ao serviço dos outros”. Por tudo isso estou dedicando a minha vida à formação do mundo do trabalho e da política. Estou escrevendo vários artigos para passar para os leigos essa grande paixão e vocação missionária do mundo do trabalho e da política. Espero atingir este objetivo. Padre Luciano Marini, missionário comboniano. TEXTOS BÍBLICOS QUE ILUMINAM NOSSA OPÇÃO PELOS TRABALHADORES Gn 01,26-31 Missão libertadora do trabalho no mundo. Gn 03,01-24 Pecado original. Qual a origem dos males de ontem e de hoje? Gn 04,02-14 Caim e Abel. Por que Deus protege Abel? Gn 11,01-08 Torre de Babel: Deus é contra o modo de produção explorador. Gn 25,19-34 Luta entre Esaú e Jacó. Gn 27,41-45 Gn 29,01-35 Labão explora o sobrinho Jacó (Lia e Raquel). 31,01-16 Gn 31,38-42 Deus defende o explorado Jacó contra o explorador Labão. Ex 01,07-14 Plano de exploração do faraó contra os trabalhadores. Ex 02,01-22 Para sair de Babilônia precisa ter solidariedade com os de baixo Ex 03,07-12 Deus escuta os gritos dos trabalhadores explorados. Não tenha medo. Javé Ex 03,19-22 Deus vai libertar o povo explorado na marra. Ex 05,01-22 Tentativa de negociação entre Mosés e o Faraó. Ex 32,07-14 Idolatria do bezerro de ouro. Lv 25 O ano jubilar e ano sabático para dar aos pobres condições de sobrevivência. Is 41,14 Deus é o vingador dos empobrecidos. Is 49,25-26 'Eu mesmo vou libertar teus filhos. Farei os opressores comer sua própria carne e eles se embriagarão com o próprio sangue como se fosse vinho novo. Assim toda criatura saberá que teu salvador sou eu, o Senhor, o teu VINGADOR'. Is 58,03-10 A verdadeira penitência que Deus quer. Is 61,01-04 A verdadeira religião é a libertação dos oprimidos. Is 65,17-25 A nova sociedade que Deus quer. Jr 21, 12 'Livrai o explorado da mão do opressor, para que minha cólera não ...” Jr 22, 03 'Praticai o direito e a justiça. Livrai o explorado do opressor”. Jr 22, 13 Ai daquele que não paga o justo salário! Ecli 13,1-23 Deus faz opção de classe. Ecli 38,24-34 Sabedoria do escriba e do trabalhador Pr 21, 13 Quem não ouvir o grito do pobre não será ouvido Mt 10, 10 O trabalhador tem direito de receber o que precisa para viver. Mt 11, 25 Deus se revela aos empobrecidos. Mt 12,09-14 Se o boi cair no poço .... Mt 13,53-57 O filho do carpinteiro não tem vez. Mt 19,16-30 O rico e a agulha. Mt 20,01-16 Parábola dos trabalhadores desempregados. Mt 21,28-32 Pai manda dois filhos a trabalhar. Mt 25,31-46 Juízo final: vai ter vida quem luta pela vida dos sem vida. Mc 02,23-27 O sábado é para o homem. Lc 01,38-45 Maria visita Isabel. Lc 01,46-56 Canto revolucionário de Maria. Lc 04,18-19 Missão de Jesus é anunciar as Boas-Notícias aos empobrecidos. Lc 06,20-24 Felizes os pobres..., malditos os ricos.. Lc 06,30-34 Jesus resolve a questão do povo faminto, superando as leis opressoras. Lc 10,25-37 O bom samaritano: vai ter vida quem ajuda os sem vida a ter vida. Lc 12,35-48 Parábola do senhor que serve os empregados Lc 14,01-06 Nós, como Jesus, devemos desobedecer as leis opressoras. Lc 14,07-24 Parábola do banquete: convite é para pobres, aleijados, coxos, cegos, etc. Lc 15,11-32 Parábola do filho pródigo. Lc 16,19-31 Parábola do rico e o pobre Lázaro. Lc 18,01-08 Parábola do juiz desonesto e a viúva injustiçada. Lc 19,01-10 Zaqueu se salva porque devolveu com juro e correção monetária. Lc 23,03-13 Jesus é condenado porque subversivo. Jo 10,01-10 O bom pastor e os assaltante. At 07,23-24 Solidariedade de Moisés. 1 Cor 01,26-28 A sabedoria dos fracos derruba os grandes. 2 Tm 02, 06 O trabalhador deve ser o primeiro a participar dos frutos do trabalho. Tg 01,09-10 'O irmão pobre deve ficar contente quando Deus o faz melhorar de vida e o rico deve sentir o mesmo quando Deus o faz piorar de vida'. Tg. 02,05-07 Vocês desprezam os pobres..! Tg. 05,01-06 Malditos os ricos... que não pagam os trabalhadores..! 1Jo 03, 14 Deus é amor Ap 12,01-12 Mulher e criança derrubam a besta fera luciano.marini@uol.com.br (A lista é meramente alfabética) - (PO = Pastoral Operária) 1- Os trabalhadores hoje se sentem abandonados pelas igrejas, sindicato, partido, sociedade. 2- Toda separação do trabalho da vida, da fé, do sindicato, da escola, do partido é alienação. Queremos saber por que isso acontece. 3- Toda vez que não refletimos sobre o trabalho nos alienamos da realidade. 4- O trabalho revela a superioridade do homem sobre o animal que não trabalha. O animal age por instinto, o homem pensa antes de agir, durante a ação e depois da ação. Isso permite melhorar sua ação transformadora. O animal repete sempre o mesmo trabalho, o mesmo ninho, é incapaz de pensar e de criar algo novo. O animal e o homem agem para sobreviverem, mas a ação do animal é só instinto, a atividade do homem é instinto regulado pela razão, pela reflexão. O animal não evolui, não desenvolve porque é incapaz de refletir. 5- Necessidade de aprofundar o valor do trabalho assalariado e não remunerado. 6- O homem se auto-constrói pelo trabalho. 7- Os bancos geram riqueza? Não, eles acumulam, concentram a riqueza produzida pelo trabalhador. 8- O que a bíblia fala do trabalho? 9- Por que a bíblia é desligada do trabalho? 10- A reflexão nos permite descobrir a ligação entre trabalho e bíblia. 11- Não existe capital sem trabalho. 12- O trabalho pode superar todos os sistemas de opressão, inclusive o capitalismo. 13- Oportunidade para entendermos concretamente o que é capitalismo. O trabalho revela toda a iniqüidade do capitalismo. Menina 12 anos na catequese 14- Necessidade de superar a idéia de Trabalho como castigo e descobri-lo como fruto das relações humanas. 15- Revela as causas das injustiças. Assim me alou uma Menina 12 anos na catequese 16- O trabalho é provavelmente a chave da questão social.( Encíclica Trabalho Humano N° 2-3; 8). Queremos saber se o trabalho é também a chave para entender a Bíblia e a fé. 17- A forma de trabalho condiciona a relação do homem com a máquina, com a natureza, com a sociedade. 18- O trabalho gera conflitos entre os homens, enfrentamento das classes e suas superações. 19- O Trabalho cria conhecimentos. 20- Não conhecemos os direitos dos desempregados e de todos os trabalhadores. 21- Conhecer os nossos diretos de trabalhadores na constituição 22- O trabalho cria coisas novas, os animais só repetem, por isso não trabalham 23- O trabalho continua a criação e transformação do mundo 24- O trabalho gera crises e continua a obra e criação de Deus. 25- O desempregado tem sentido de culpa por não ter emprego. 26- Revela a justiça e democracia de um país. 27- Necessidade de entendermos melhor o trabalho para vencer os problemas do desemprego. 28- O ser humano se desenvolve através do trabalho. 29- O debate sobre desemprego exige um aprofundamento do tema do trabalho. 30- O trabalho é um direito de todos, pois sem ele não há vida. 31- É um direito do trabalhador ter um espaço onde desabafar suas lutas e comungar suas esperanças. Bispo de Mogi proibia grupos de PO e Diadema 32- Os trabalhadores e desempregados não conhecem seus direitos. 33- Por que se tem medo de discutir o trabalho?Medo de perder o poder;Igreja, Paulão assembléia s André 1600 desempregados. 34- Hoje é urgente discutir o trabalho porque é a atividade que mais nos ocupa desde a manhã até a noite e ninguém discute: nem igrejas, nem sindicatos, nem partidos, nem escolas. 35- Por que a educação é desligada do trabalho? 36- O trabalho nos permite entender melhor o tipo de sociedade em que vivemos. 37- A escola não fala de trabalho: por que? 38- Trabalho é escola, aprendizagem. 39- O trabalho escraviza e liberta 40- Nossa espiritualidade foi de obediência ao poder opressor dos donos da riqueza. 41- Nossas relações de trabalho são de escravidão. Precisamos nos libertar e criar novas relações de trabalho. 42- Por que muitos padres, políticos, sindicalistas não falam do trabalho? 43- Quem falar do trabalho ficará excluído pela sociedade. 44- Por que a fé é desligada do trabalho? 45- O trabalho é fator determinante da história. 46- Necessidade de conhecer a história do trabalho para entendermos o trabalho de hoje. 47- O trabalho é a expressão mais radical e profunda do ser humano. 48- Como podemos humanizar, tornar menos desumano e mais humano o trabalho? 49- A igreja não fala de trabalho: por que? 50- O que o ensino social da igreja fala do trabalho? 51- O trabalho é fonte de injustiças. 52- Necessidade de adaptação à todas as inovações do trabalho. 53- Gera libertação. 54- O trabalho marca a passagem do macaco para o ser humano. 55- Todo trabalhador que não reflete sobre seu trabalho vira novamente macaco, não evolui. 56- As igrejas, os partidos, os sindicatos, as escolas, as universidades que não ajudam o ser humano a refletir sobre o trabalho ajudam o homem e a mulher a virarem novamente macaco. 57- Descobrir o trabalho como missão. 58- Povo de Deus no ano 500 aC sem projeto sentiu-se perdido porque havia mudado as relações de trabalho. 59- O trabalho transpõe fronteiras, mundializa. 60- O trabalho é uma necessidade do ser humano, pois sem ela não se pode sobreviver. 61- Com o trabalho o homem planeja suprir as necessidades, materiais e espirituais. 62- Toda nova organização do trabalho modifica todas as relações econômicas, sociais, políticas, sindicais, culturais, religiosas, jurídicas. Como acontece hoje a exploração e a libertação? 63- “O trabalho..exige renovada atenção e decidido testemunho. Com efeito,surgem sempre novas interrogações e novos problemas, nascem novas esperanças, como também motivos de temor e ameaças, ligados com esta dimensão fundamental da existência humana,..no meio de muitas tensões, conflitos e crises que, em relação com a realidade do trabalho, perturbam a vida de cada uma das sociedades e mesmo da inteira humanidade”. (LE 1) 64- No capitalismo o trabalhador vira objeto e a mercadoria sujeito. Outros decidem por nós. 65- Gera opressão e dependência entre os homens. 66- A Páscoa, êxodo, nasceu na luta dos trabalhadores contra o Faraó. 67- O pensamento depende da prática do trabalho. 68- As piores injustiças, humilhações e violências acontecem no trabalho. 69- A PO não fala de trabalho: por que? 70- È urgente entender melhor o trabalho para entender melhor PO. 71- Revela as causas da pobreza 72- O trabalho nos ajuda entender o valor da comemoração do primeiro de maio: só os políticos falam e não os trabalhadores 73- Promove a cultura, a ciência, faz vir a existência o inexistente. 74- O trabalho hoje é usado só para propaganda política. Por que? 75- O PT nasceu na luta dos trabalhadores 76- O PT não fala de trabalho: por que? 77- Quase nenhuma instituição hoje reflete sobre o trabalho: nem partido, nem sindicato, nem igrejas, nem escolas. 78- Nos preparar para as lutas das reformas trabalhistas 79- O trabalho é condição geral e necessária para que haja relação do homem com a natureza e com os outros homens. Isso em toda organização humana da história. 80- É fator determinante nas relações entre os homens, modifica as demais relações. 81- E fala de renda mínima: por que não se fala de renda digna? 82- Só o trabalho gera riqueza. Os bancos não geram riquezas, eles acumulam, concentram a riqueza. 83- O trabalho revela a justiça e a democracia de um povo. 84- O que o sindicato fala do trabalho? Por que? 85- Sem trabalho é impossível sobreviver. 86- O Trabalho é uma atividade social. 87- O trabalho deveria ser fonte de realização e alegria, mas na realidade é fonte de sofrimento e humilhações.. 88- 'É necessário prosseguir interrogando-se sobre o sujeito do trabalho e sobre as condições da sua existência. Para se realizar a justiça social nas diversas partes do mundo, nos vários países e nas relações entre eles, é preciso que haja sempre novos movimentos de solidariedade dos homens do trabalho e de solidariedade com os homens do trabalho....A Igreja acha-se vivamente empenhada nesta causa, porque a considera como sua missão, seu serviço e como uma prova da sua fidelidade a Cristo, para assim ser verdadeiramente a 'Igreja dos pobres'. E os 'pobres' aparecem sob variados aspectos; aparecem em diversos lugares e em diferentes momentos; aparecem, em muitos casos, como um resultado da violação da dignidade do trabalho humano..' LE 8 89- Criança do Sossego: o senhor só sabe falar, meu pai trabalha para eu comer 90- O trabalho cria nova tecnologia. A tecnologia é criada pela experiência do trabalhador e roubada pelo patrão de graça. 91- A tecnologia provoca desemprego? 92- Necessidade de conhecer os vários tipos de trabalho, a importância do trabalho assalariado e dos demais trabalhos como da dona de casa, da criança que cuida dos irmãos mais pequenos, da criança e do jovem que estudam: precisamos valorizar todo tipo de trabalho. 93- Todos os movimentos revolucionários nasceram da luta dos trabalhadores para uma nova sociedade 94- O trabalhador é excluído, não tem valor, é descartável. 95- O trabalho é a atividade mais importante da nossa vida. O trabalho é uma graça, faz a gente crescer. 96- O trabalho transforma o mundo, as coisas, as pessoas. 97- O trabalho é importante porque gera vida para uns e morte para os outros. 98- Sem trabalho não há vida. 99- O trabalho produz vida, a morte é fruto da organização do trabalho, da política opressora 100- Revela as causas da violência. 101- Sem trabalho não dá para viver. luciano.marini@uol.com.br NAS PEGADAS DE DANIEL COMBONI Entrevista com o Padre FIDÈLE KATSAN F.KOKOUVI Depois de alguns anos passados no Brasil, como formador e animador de CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), o padre Fidèle, 47 anos, regressa à África com a finalidade de preparar para a Missão os aspirantes missionários combonianos. Nascido em Vogan, em 1963, na diocese de Lomé (Togo), entrou na Congregação dos Missionários Combonianos, no Congo, em 1989. Estudou filosofia em Lomé (Togo) e teologia em Roma, e foi ordenado sacerdote em janeiro de 1997. Exerceu o ministério sacerdotal em Salvador (BA) e foi formador no Escolasticado Internacional dos Combonianos em São Paulo. Na despedida, o padre Fidèle deixa seu testemunho em entrevista à Missão Sem Fronteiras: MSF – Quando conheceu os combonianos? - Conheci os missionários combonianos aos 14 anos de idade, quando eu freqüentava o segundo grau. Um amigo católico me convidou para visitar a paróquia dirigida por padres combonianos europeus. Na primeira visita à Igreja, durante a santa Missa, fiquei impressionado pelas palavras do evangelho de João (3,16): “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”. MSF – Essas palavras do evangelho o tornaram simpatizante da Igreja católica? - Sim! Comecei a estudar o catecismo e, depois de três anos de preparação, fui batizado com 17 anos de idade, no dia 24 de Maio, festa de Nossa Senhora Auxiliadora. MSF – Como foi a passagem do batismo para a vocação missionária? - Uma vez que se conhece Jesus e sua missão de amor, não se pode fazer outra coisa senão colocar-se a serviço dele. Na paróquia que eu freqüentava só havia padres brancos, e eu pensava que o sacerdócio fosse um privilégio exclusivo dos brancos. Mas tive a alegria de encontrar um jovem vocacionado da minha da terra e com ele descobri que havia também padres negros. MSF – Por que optou entrar na Congregação dos Combonianos? - Pelos livros e revistas missionárias, conheci Dom Daniel Comboni e sua obra em favor dos negros, com o lema “Salvar a África pela África” e fiquei feliz de vestir a mesma “camisa”. Entrei na Congregação dos Missionários Combonianos, no Congo, em 1989. Estudei filosofia em Lomé (Togo) e teologia em Roma, e foi ordenado sacerdote em janeiro de 1997. No mês de abril do mesmo ano, vim para o Brasil e exerci o ministério sacerdotal, antes em Salvador (BA), em seguida, fui chamado para ajudar no Escolasticado Internacional dos Combonianos em São Paulo. MSF – Como você se sentiu no Brasil? - Notei que a Igreja católica no Brasil é bem aberta aos problemas humanos. Na Bahia, trabalhei na “Pastoral Afro”, procurando despertar auto-estima pela raça negra, vencer o complexo de inferioridade e, assim, resgatar a própria identidade com todos os valores positivos. MSF – Você conseguiu algum resultado? - A escravidão, imposta pelos europeus invasores durante séculos, deixou muitas cicatrizes no subconsciente coletivo do negro. Com a liturgia, principalmente, procurei valorizar a cultura negra. Procurei infundir nas pessoas a ideia que Deus ama a todos, igualmente: negros, brancos, amarelos, vermelhos, ricos e pobres. Este tem sido um elemento fundamental para despertar a própria confiança e aceitar a própria identidade e raça. MSF – O que você vai levar para a África? - Levo uma Igreja próxima do povo, companheira de caminhada com as pessoas. A Igreja no Brasil leva adiante uma ortopraxia mais do que ortodoxia, isto é, procura mais viver com o povo do que ensinar ao povo. MSF – O que você deixa à Igreja do Brasil? - Eu aprendi a me inculturar no Brasil, e, também, a enriquecer a religiosidade brasileira com elementos africanos. Nas celebrações valorizamos a natureza e enriquecemos a liturgia com alguns elementos musicais africanos, como, por exemplo: dança acompanhada por atabaque, tambor, etc. A celebração da missa não é teatro, é participação. MSF – Qual é a novidade que se espera para a Igreja africana? - Ao Sínodo africano foi enviado um texto onde se pede uma Igreja africana, mais africana e mais perto do povo, e que participe da vida do povo. Tenho certeza de que, no futuro, nós africanos, teremos uma Igreja verdadeiramente africana com um Cristo realmente africano, aberto ao mundo. E-mail de padre Fidèle: fidelekatsan@yahoo.com.br EXPERIÊNCIA COM OS APÓSTOLOS:Fundamentado na Bíblia e na Tradição das primeiras comunidades apostólicas, este livro apresenta a história dos APOSTOLOS, nossos pais na fé: Pedro apresentando-se a nós - Quem é João - A vida e a experiência de André - A percepção de Tiago filho de Alfeu - A vida e a origem de toda a fé de Bartolomeu - Conhecendo Simão, o zelota - Quem é o apóstolo Mateus - Felipe, um apóstolo assustado - Tiago, mais um pescador - Tomé, aquele que tem dúvidas - Um pouco de Judas Tadeu - Matias, o substituto - S.Daniel Comboni - 25 anos de 'martírio' de padre E.Ramin. Custo: R$ 2,00 + correio. Faça seu pedido enviando um e-mail para pe.remo@ig.com.br HORA DE EVANGELIZAR: Para Infância Missionária de 4 até 9 anos. Desenhos bíblicos para as crianças pintarem e assim conhecerem a Bíblia. A segunda parte contém encarte para assessores e Coordenadores IAM com as 04 áreas integradas para 28 encontros. São 46 paginas e o custo do livro é R$ 3,00 + corrêio. Faça seu pedido enviando um e-mail para pe.remo@ig.com.br Cel: (47) 9951 5876. Na foto: mapa da R.Centro Africana; uma aldeia, e pe.Everaldo ao se despedir do Brasil Padre Everaldo Alves de Souza, comboniano mineiro, foi ordenado sacerdote em dezembro de 2009. Após ter partilhado as primícias de seu sacerdócio nas comunidades mineiras, onde mora sua família, passou umas semanas no Espírito Santo, onde havia terminado o seu tempo de formação. De São Paulo viajou no início de maio para a sua missão na República Centro Africana. Alguns dias após sua chegada a Bangui, nos mandou estas notícias: POR QUE TEVE A CORAGEM DE VIR? Comigo tudo bem, graças a Deus, como espero de vocês todos. Vou lhes comunicar minhas primeiras impressões da República Centro Africana. Estou provisoriamente em Bangui (a capital). Cheguei aqui há 6 dias e estou muito feliz. Fui muito bem acolhido pela comunidade comboniana e pelos demais missionários, que aqui trabalham. Também o povo centroafricano é muito acolhedor e se mostra sempre grato e feliz com a chegada de novos missionários. Fiquei marcado com uma pergunta que quase me assustou: 'Por que um jovem padre como o senhor teve coragem de vir, sabendo que vai correr risco de vida aqui'? Minhas primeiras impressões O povo é muito acolhedor e alegre, mas também muito sofrido no meio dos numerosos e intermináveis conflitos que já presenciou no interior do pais; conflitos que continuam ameaçando várias regiões do país. Realmente o povo é muito pobre, mais do que em todos os outros lugares onde passei, e vive ainda uma situação política muito indefinida e ameaçadora. O presidente Bozige é um verdadeiro ditador, embora tenha o título de democrático. Mas ele não tem controle sobre o país que é constantemente invadido e ameaçado por rebeldes de países vizinhos, sobretudo ugandeses. Atualmente, a metade do país é dominada dominada pelos rebeldes, sem nenhum controle do governo. Naturalmente estes rebeldes, que vivem saqueando as famílias e roubando o pouco que elas tem, massacram inocentes por qualquer suspeita de que a pessoa esteja escondendo deles algum bem ou dinheiro. Portanto, a metade do pais vive esta situação de insegurança e ameaça; mas não tendo televisão local, o povo não sabe de tudo, porque a informação não circula. Esperança de paz Apesar de tudo, o povo guarda a esperança de que a paz vai chegar, pois está cansado de violência e insegurança. Este ano deveria ter eleições diretas em junho, mas o presidente (ditador disfarçado) mudou a constituição alegando que a insegurança não lhe permite organizar as eleições agora, prolongando o seu mandato por tempo indeterminado. Esta é a situação que percebo e algo do que ouço nestes poucos dias. A igreja neste contexto deve ser sinal de esperança, mas ela (sobretudo os padres daqui) também é influenciada pelo meio e vive uma situação de crise moral e ética. Isso, atualmente tem provocado um conflito entre clero local e missionários (estrangeiros), no sentido de que o clero local tem acusado os missionários de 'dedurá-los' a Roma. Nestes dias todos os bispos do pais foram convocados a Roma com urgência. A reunião deles em Roma terminou ontem; conforme nos disse um bispo, eles foram convidados e desafiados pelo Papa a se colocarem a serviço (juntamente com todo o clero) do povo e a superar o racismo e as divisões, que enfraquecem o testemunho da igreja. Apesar de tudo há a esperança e há muita gente séria: padres, irmãs e também leigos que estão lutando e gastando suas vidas pelo Reino, pelo Evangelho e pela promoção dos mais pobres e abandonados. Meu primeiro destino Da minha parte, fui nomeado pra uma comunidade do interior que fica a 300 Km da capital. Lá não tem energia nem internet nem telefone; possivelmente partirei para lá ainda hoje. Portanto, estaremos sem contatos com vocês e com o mundo por um período de tempo. Nesta comunidade trabalharei e estudarei línguas africanas. É previsto que eu fique lá por 6 meses e depois seja transferido para outra comunidade. Embora sem contatos por algum tempo, a gente se mantém unido a vocês pelas saudades e sobretudo pelas orações. Um grande abraço e que Deus abençoe a todos vocês. Que todos nós sejamos fiéis no cumprimento da missão que Ele nos confiou. Fraternalmente. Pe. Everaldo Na foto: Rosivaldo Ferreira da Silva, o Cacique Babau, um líder do Povo Tupinambá, foi preso por homens fortemente armados, em sua aldeia, na comunidade da Serra do Padeiro, na Bahia.A prisão do cacique Babau A obscura prisão de Rosivaldo Ferreira da Silva é mais um capítulo da luta pela terra de um dos primeiros povos indígenas a ter contato com a invasão Portuguesa Ao reorganizar seu povo e acatar a decisão de liderar a reconquista de sua terra original, Rosivaldo Ferreira da Silva chocou-se de frente contra a decadente sociedade cacaueira do sul da Bahia. Desde 1989, a região foi fortemente afetada pela praga da “vassoura de bruxa”, que fez cair em mais de 40% a produção do cacau. A partir dessa decisão, tomada em 2004, quando as primeiras fazendas encontradas praticamente abandonadas foram recuperadas, os Tupinambá saltaram de 15 hectares para os cerca de 3 mil hectares em 20 fazendas que atualmente ocupam. A conquista das terras propiciou a criação de pequenos animais, pomares e roças, onde se produzem variados tipos de alimentos para subsistência, o que erradicou a epidemia de subnutrição que, na época, afligia 30 crianças da comunidade. Hoje, preso há mais de 1.300 km de sua casa na serra do Padeiro, aldeia Tupinambá, município de Buerarema, Rosivaldo, mais conhecido como cacique Babau, envia cartas à sua família e sua comunidade aconselhando a continuarem na luta. Além da prisão de seu cacique, os Tupinambá se depararam com reações racistas e truculentas. Na mais virulenta delas, em junho de 2009, uma mulher e quatro homens da comunidade foram gravemente feridos pela Polícia Federal, cujos agentes desferiram chutes, coronhadas, spray de pimenta e choques elétricos, entre outras agressões. A prisão Na madrugada de 10 de março, por volta das duas horas, três homens armados, camuflados e não identificados invadiram a casa do cacique Babau, o algemaram e o levaram. Sua irmã, Magnólia Jesus da Silva, ainda o avistou ser levado pelos três homens mato adentro pela serra do Padeiro. Sem saber o paradeiro do cacique ou quem o havia carregado, a notícia de que ele estava preso na delegacia da Polícia Federal de Ilhéus chegou até a família somente seis horas depois. “Até as oito da manhã, estávamos apavorados. Não sabíamos o que tinha acontecido. Para onde ele tinha sido levado ou quem tinha levado”, lembra Magnólia. A única testemunha ocular da prisão é o filho de Babau, “Tiri”, de três anos, que dormia no mesmo quarto. “Meu filho ficou traumatizado, não quer comer, emagreceu muito. Ficou introvertido e só falava da prisão do pai. Quando chega um carro estranho, ele estranha e imagina ser da polícia”, lamenta Joscelia Santos da Silva, professora indígena e mãe de Tiri. O Ministério Público Federal (MPF) de Ilhéus afirma ter provas materiais e testemunhais das irregularidades na prisão, confirmando a violação a domicílio durante a madrugada e o abuso de autoridade por parte dos policiais. Ainda segundo o MPF, Babau teria sido levado para um posto de gasolina, onde se esperou o amanhecer para se efetuar a prisão. Acusações Dez dias depois, Givaldo Ferreira da Silva, irmão de Babau, foi preso com base nas mesmas acusações: crime contra a paz pública e formação de quadrilha ou bando, o que provocou a prisão preventiva dos dois ainda na fase de investigação do inquérito policial. “Quadrilha ou bando é, por sinal, o clássico crime imputado às lideranças de movimentos sociais, porque permite enquadrar a conduta delas na previsão legal do tipo penal que é: ‘Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes’. Comete-se, assim, a insensatez jurídica de achar que, ao se juntarem para ocupar uma fazenda no intuito de pressionar o governo para demarcar uma área, os índios estão formando uma quadrilha para cometer delitos. O juiz raciocina da mesma forma com que julga um grupo de mais de três pessoas que se associam para roubar um banco”, esclarece Luciano Reis Porto, advogado de defesa dos dois irmãos e assessor jurídico do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Transferência Na perseguição a Babau, Luciano Reis ressalta a grande quantidade de acusações incluída em inquéritos, termos circunstanciados e ocorrências contra seus clientes: “Há cerca de duas dezenas de procedimentos contra Babau, seu irmão e outras lideranças da serra do Padeiro, sob acusação de esbulho possessório, roubo, dano qualificado, ameaça, quadrilha ou bando, sequestro e cárcere privado, constrangimento ilegal, resistência, desacato, dentre outros”. No dia 17 de abril, Babau foi transferido da superintendência da Polícia Federal em Salvador para Mossoró, na Paraíba, sob a alegação de que em 19 de abril (Dia do Índio) poderiam acontecer fortes manifestações na capital baiana. “A superintendência pediu para que houvesse transferência temporária com medo de que poderia haver uma manifestação no Dia do Índio, uma manifestação na porta [da superintendência]. E que dentro desta manifestação poderia haver um confronto entre manifestantes e policiais. E até, talvez uma ocupação”, alega o juiz federal Pedro Holliday que concedeu a transferência e que cuida do caso. De homem a monstro Enquanto isso, nos últimos meses, dar a Babau adjetivos superlativos, responsabilizá-lo por atos que não aconteceram ou simplesmente duvidar de sua identidade, faz parte da rotina na imprensa local que chegou a alcançar, inclusive, uma das publicações de maior vendagem do Brasil, a revista Época, da Editora Globo. Na matéria intitulada “O Lampião Tupinambá”, publicada em novembro do ano passado, a repórter Mariana Sanches afirma que Babau seria um dos que “se autointitulam tupinambás”, “cujos traços faciais revelam mais sua ascendência negra do que a indígena”, e que, por seus feitos, “é uma espécie de versão cabocla de Lampião”. Seguindo o tom da reportagem, o juiz Holliday aponta que “o modus operandi do grupo que se diz indígena é semelhante ao dos sem-terra”. “A mídia vem, a gente dá entrevista, mas nunca sai o que dissemos. Essa menina mesmo da revista foi muito bem tratada. Teve a chance de conhecer nossa comunidade, nossas produções, nossas casas de farinhas, a escola, nossas crianças. Aproveitou de toda nossa hospitalidade. Mas mentiu, desviou todas as informações que passamos”, critica a professora Joscelia Santos da Silva. Terras ancestrais A Fundação Nacional do Índio (Funai) já realizou estudos antropológicos nas terras ancestrais dos cerca de 4.700 tupinambás (segundo a Fundação Nacional de Saúde - Funasa) que se encontram espalhados em 23 comunidades, entre serras e litoral. O levantamento confere ao território 47.376 hectares de área. Nele, ficaram de fora perímetros urbanos e a maior parte de faixas do litoral exploradas pelo turismo. Mesmo assim, Armínio Fraga, o ex-presidente do Banco Central e dono de um hotel na região, é um dos que se sente lesado pelo fato da demarcação pegar parte de seu empreendimento. A “desconfiança” do setor de turismo é que a presença dos verdadeiros donos da terra afastem os visitantes. Se, por um lado, os interesses turísticos apenas levantam questionamentos, por outro, o conflito com fazendeiros – que estimulam pequenos agricultores, ocupantes de parte das terras presentes no estudo, contra os índios – é o mais preocupante. “Há muita incitação por parte dos políticos e dos fazendeiros contra os Tupinambá, principalmente via rádio. E isso eleva muito o clima de tensão, que pode levar a conflitos na região”, observa Haroldo Heleno, coordenador do Cimi na região. Entre os pequenos agricultores, há ainda os como o senhor José Faustino de Oliveira Filho, proprietário de 30 hectares, que entendem os direitos indígenas e se relacionam bem com os vizinhos. “Trabalhamos juntos nas feiras e posso dizer que eles são bons vizinhos. Eles estão no direito deles. Agora, a gente espera é que a Funai indenize a gente e resolva a situação logo”. Na foto: mapa da Somália, 'chifre da África'.Uma crise humanitária estratégica Vítima de constantes e desastradas intervenções militares externas, a Somália, país do “chifre africano”, afunda em ciclo de fome e violência de proporções inéditas O RPG, abreviação em inglês de lançador de granadas em foguetes (rocket-propelled grenade), é semelhante a uma bazuca. Colocando-o no ombro, o atirador dispara um foguete explosivo não muito preciso, mas capaz de perfurar blindagens e causar enorme dano. Foi com um desses que, em 1993, em meio a um dos inúmeros combates da guerra civil que dividiu a Somália a partir de 1991, um helicóptero dos Estados Unidos foi derrubado em Mogadíscio, a capital do país. O episódio ficou famoso ao inspirar o filme “Falcão Negro em Perigo” (Black Hawk Down), de 2001. Hoje, 19 anos depois, a guerra civil ainda não terminou e o uso de RPGs e metralhadoras em áreas urbanas virou uma constante diretamente relacionada ao altíssimo número de mortes de civis nos combates. Neste ao, no entanto, não há estimativa. Entre 10 e 12 de março, por exemplo, foram recolhidos mais de 80 corpos das ruas da capital. De acordo com analistas internacionais e integrantes de grupos de ajuda humanitária que atuam há anos na Somália, a situação nunca foi tão crítica. Fugas em massa O agravamento dos conflitos vem provocando fugas em massa de somalianos tentando sobreviver. Só em março, mês marcado por batalhas violentas, 270 mil deixaram a região de Mogadíscio, fazendo com que o número de deslocados internos passasse de 1,5 milhão – o equivalente à população de uma cidade do tamanho de Recife (PE). “Alguns foram hospedados por amigos ou parentes, mas muitos simplesmente não têm condições de fugir para áreas mais seguras. A situação é alarmante. Já empobrecidos por anos de conflitos e expulsos de casa, eles estão rapidamente ficando sem meios de sobrevivência”, resume a porta-voz do Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Melissa Fleming. Aos desabrigados internos, que vagam pelo país fugindo das áreas mais caóticas, somam-se mais de 560 mil refugiados que buscaram abrigo em campos superlotados na Etiópia, Quênia, Djibuti e Eritréia, países vizinhos. Fome Além da violência, a fome é uma constante e atinge principalmente mulheres e crianças. A estimativa do Programa de Alimentação da Organização das Nações Unidas é de que 2,5 milhões de pessoas dependam do envio de comida, o equivalente à população de uma cidade do tamanho de Brasília (DF). Destes, 625 mil vivem em regiões em que a distribuição foi interrompida em janeiro. A ONU suspendeu a atuação no sul e em partes da região central alegando não haver o mínimo de segurança e ser impossível atender as exigências dos grupos que controlam a área. Ao mesmo tempo em que a distribuição de alimentos vem sendo comprometida, a própria organização se vê tendo que dar explicações após denúncias do Grupo de Monitoramento da ONU de desvios de alimentos e corrupção. Pessoas contratadas pelo Programa de Alimentação teriam participado inclusive de comércio de armas. Uma em cada seis crianças somalianas sofre de desnutrição. Na região que deixou de ser atendida, a média sobe para uma em cada cinco crianças. Armamento pesado Apesar da crise humanitária gravíssima em curso na Somália, as agências internacionais de notícias dão mais atenção à pirataria no golfo de Aden do que às mortes constantes de civis. A instabilidade no país afeta o principal eixo de ligação entre o mar Mediterrâneo, que banha a Europa e é caminho para o Atlântico Norte, e o oceano Índico, rota para a Ásia e para o golfo Pérsico e suas reservas de petróleo. De acordo com a Organização Marítima Internacional, por ano, cerca de 22 mil cargueiros atravessam o golfo de Aden, passando pelo canal de Suez, no Egito, que liga o Mediterrâneo ao mar Vermelho. Tal movimentação representa aproximadamente 8% do comércio mundial e inclui mais de 12% do petróleo transportado por via marítima no mundo. A Somália, com três mil quilômetros de costa, tem posição estratégica no principal eixo de ligação da importante rota de escoamento de boa parte do petróleo que abastece os países do Norte e numa das principais rotas de acesso aos mercados da Índia e China, países com um constante crescimento do nível de consumo de suas populações que, somadas, chegam a 2,5 bilhões de pessoas. Posição estratégica Portanto, mais do que as reservas de petróleo e gás ainda não exploradas que o país possui, é a posição estratégica no chamado Chifre da África que atrai a cobiça internacional. Não é à toa que os Estados Unidos mantêm, há anos, uma política agressiva na região. Especialistas apontam que o caos atual é resultado direto das intervenções constantes e desastradas, ao longo dos anos, de governos poderosos, muitas apresentadas como “missões de paz” ou “intervenções humanitárias”. “A Somália virou um tabuleiro de xadrez com diferentes grupos sendo usados por países que têm diferentes interesses. Eles armam facções rivais e prolongam a anarquia e a guerra civil”, explica o analista somaliano Ismail Adan Mohamed, que hoje vive em Dubai, nos Emirados Árabes. “Os Estados Unidos têm apoiado o governo transitório, que é fraco e obscuro. As armas que fornecem são vendidas abertamente nos mercados de armas de Mogadíscio e abastecerá a guerra civil e o sofrimento por mais anos e anos”, denuncia. Envio de armas Em 26 de julho de 2009, os Estados Unidos enviaram 40 toneladas de armas e munições para a Somália. Foram nove toneladas de balas, granadas e mísseis, 48 rifles lançadores de granadas, uma versão mais leve dos RPGs, dez morteiros e 36 metralhadoras PKM e 12 DShK – estas, feitas para derrubar aeronaves. Na ocasião, mesmo com o alerta dado por grupos de direitos humanos e analistas internacionais de que as armas estavam sendo desviadas e provocando um número absurdo de mortes de civis, a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que a meta era dobrar o envio de armamentos em 2010, como forma de fortalecer o frágil e combalido exército do Governo Federal de Transição (TGF, na sigla em inglês). O envio de armas de alto poder de fogo é uma das principais preocupações de quem acompanha a crise humanitária somaliana. Em relatório divulgado em abril, a organização não-governamental Human Rights Watch conclamou os Estados Unidos a interromperem o fornecimento para as tropas governamentais. “As armas têm sido utilizadas sem nenhuma consideração às leis de guerra, destruindo casas e deixando famílias desabrigadas. Os grupos da ONU e as representações ocidentais, incluindo a União Africana, deveriam pedir que a Missão da União Africana na Somália (Amisom, a tropa internacional que luta ao lado da TFG) respeite as leis de guerra em vez de fechar os olhos para os abusos que têm acontecido”, acusa o documento. Em função da instabilidade na região, como forma de evitar mais mortes, foi estabelecido, em 1992, um embargo internacional que proibia a exportação de armas para a Somália. Os Estados Unidos, porém, têm conseguido sucessivas exceções para enviar armamento pesado para seus aliados no país. O resultado, até agora, tem sido o aumento da letalidade nos conflitos e do caos interno. Interesses em conflito Perceber a ligação direta entre a formação de grupos fortemente armados controlando regiões de maneira brutal e o interesse de outros países é essencial para compreender o complexo jogo de poder em curso na Somália. Há quem defenda que a falência total de qualquer resquício de ordem institucional é resultado de uma política planejada pelos Estados Unidos para evitar que um Estado forte se estabeleça na região e possa negociar com potências rivais não só a influência sobre uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, como também as reservas de gás e petróleo que o país possui. “Os Estados Unidos não têm garantias de que um governo estabelecido no futuro, seja qual bandeira política adotar, não vá adotar uma política de independência e negociar com a China. Os imperialistas ocidentais não querem uma Somália forte e unificada”, defendeu o etíope Mohamed Hassan, ex-diplomata e especialista em geopolítica no Oriente Médio, em entrevista ao centro de pesquisas internacionais canadense “Global Research”. Intencional ou não, a desestabilização provocada pelos Estados Unidos se dá seja pela presença ostensiva de tropas, seja pelo envio constante de armas de alto poder de destruição, que têm sido utilizadas em áreas urbanas, provocando alto número de mortes de civis. Base militar Hoje, os Estados Unidos não só mantêm uma das principais bases militares de seu Comando Africano (Africom) no país vizinho, o pequeno Djibuti, como dão apoio tático e treinamento a exércitos da região, como o da Etiópia. Desde a guerra de 1977 e 1978, Somália e Etiópia têm uma relação tensa, ainda relacionada a disputas de fronteira que remontam ao período colonial, em especial em relação à região conhecida como Ogaden. Assim, como as demais tropas internacionais que atuam na Somália, a Etiópia, hoje, é aliada às forças militares do frágil governo provisório. Oficialmente, o principal argumento para essa mobilização militar capitaneada pelos Estados Unidos é, como em diversas regiões do Oriente Médio, o combate a grupos terroristas. Se essa é a intenção real, então a estratégia tem se revelado um fracasso total. As ações militares dos últimos anos, que incluem associações com violentos líderes locais e apoio a verdadeiros massacres, acabou fortalecendo e ampliando o apoio da população aos defensores da linha mais radical de resistência. Foi assim que os rebeldes islâmicos conquistaram e têm mantido relativa estabilidade em partes da região central e no sul do país. Padre REMO MARIANI, missionário comboniano, já muito conhecido na região sul do Brasil, onde está atuando há muitos anos como animador missionário e promotor vocacional, tem atualmente sua base no:Seminário Missionário Comboniano Av.Alcir Bastos, 633 - Fazendinha 81330-400 CURITIBA PR Tel.: (0xx41) 3288.2651 Cel.:(0xx47) 9951.5876 E-mail: pe.remo@ig.com.br 'Na minha experiência de missionário encontrei muitos jovens em busca da felicidade verdadeira. Este blog deseja ser um cantinho de diálogo com os jovens'. ![]() Saí pela rua da minha cidade: encontrei muitas crianças, sozinhas ou com seus papais, empolgadas com a escolha do presente para dar à mamãe. Saí pelo Brasil... Saí pelas Américas... Estiquei depressa atè a África... Cheguei até na China. E sempre encontrei muitas crianças procurando presente para dar à mamãe. Parei para descansar um pouco. Na minha cabeça apareceu a pergunta: 'Mas onde estão as mamães? Não é o Dia delas?' O jeito foi o de procurar mães. - Encontrei uma mãe, aliás muitas de uma só vez (eu estava no Haiti ou, talvez, mais perto, aqui no Brasil). No rosto, uma lágrima e, nas palavras delas, muita tristeza: 'Há mais de 2 meses o terremoto (ou as chuvas pesadas) me deixaram sem casa... e ainda continuo assim... O que vai ser de meus filhos?' - Encontrei outra, muitas outras mães, se lamentando: 'Estou voltando da cadeia; meu filho, o segundo, 20 anos, está lá jogado; me suplica para arranjar um advogado, mas não temos dinheiro... nem advogado não resolve!' - Descendo e subindo pelas terra da África, encontrei mães, magrinhas, conformadas: 'Por aqui é guerra a toda hora. Os homens desaparecem. Nossos filhos morrem de fome...' - Em outro lugar do mundo, encontrei mães, que me contaram: 'Ser mãe é coisa grande e bonita: é bom gerar filhos... mas não é bom ser reduzidas a fêmeas parideiras!' - Andei, andei e encontrei muitas mães; as que me pareceram menos sofridas foram aquelas que eu chamo de 'mães duas vezes', quero dizer as avós! Me pareceram mais fortes, mais serenas: cheias de esperanças! Por isso, elas me contaram que estão tomando contas de muitos netos e netinhas... e a voz dela se enchia de alegria! Cansado, pensativo, parei. Decidi entrar numa igreja dedicada à outra mãe: Maria, a mãe de Jesus! Ajoelhei bem na frente da imagem maior dela. Fiquei olhando com amor no rosto dela, tentando entender o que ela tinha no coração e gostaria de me dizer... De repente, tive a sensação que a estava confundindo com as mães, que eu tinha encontrado antes, pois Maria me dizia: 'Sem recursos, com José fomos até Belém no tempo de Jesus nascer... Tivemos que fugir da maldade do rei e nos esconder no exterior... Contudo, também nas horas mais complicadas, eu sempre tive certeza que Jesus não aprontava, mas não passou muito tempo e o puseram morto, em meus braços!' Vi uma lágrima escorrer pelo rosto de Maria; também dos meus solhos desceram lágrimas... Maria, porém, me sacudiu, dizendo: 'Mas ELE RESSUSCITOU, Ele está VIVO, vencedor! E ELE vai mandar o ESPÍRITO SANTO e vai juntar muitos seguidores: o mundo vai ser uma casa bonita para todos. Por isso, entre as maravilhas de se viver na justiça e com paz, também todas as mães terão sempre a alegria de contemplar nos seus filhos o semblante de Jesus, meu filho, Filho de Deus Pai!' (Lmg) Na foto - Soldado dos EUA passa por crianças em Marjah, no Afeganistão, onde tropas lutam contra a insurgênciaPermanecer no Afeganistão... para realizar um delicado trabalho social e a missão em que hoje estamos engajados: esta é a intenção dos jesuítas indianos que decidiram permanecer no país e não seguir as indicações e medidas do governo indiano, que aboliu vários projetos iniciados no Afeganistão. Várias organizações não-governamentais indianas abandonaram Cabul. Infelizmente, recentes ataques ocorridos na capital e em outras áreas do país tiveram como mira pessoas de nacionalidade indiana. O fato mais grave ocorreu em 26 de fevereiro passado que custou a vida de 16 pessoas, entre elas sete indianos. Faltam condições básicas de segurança e por isso, o governo de Nova Délhi desistiu do compromisso e do envolvimento direto na obra de reconstrução do Afeganistão. Os jesuítas e seus colaboradores leigos, que formam o grupo católico maior do país, decidiram não somente permanecer, mas também ampliar seus programas sociais. 'Acredito que o Espírito Santo fortifique e guie os nossos amigos nesta difícil missão' – explicou numa nota Pe. Edward Mudavassery SJ, responsável por quatro mil jesuítas presentes na sul da Ásia. 'Os jesuítas estão conscientes do clima de insegurança que reina no Afeganistão, mas todos os religiosos decidiram voluntariamente permanecer e continuar desempenhando suas obras sociais também no campo da educação, que dão uma preciosa ajuda ao bem da nação' – concluiu o sacerdote. Na foto - templos de Karnataka, sul da Índia.Tensões entre seitas protestantes e grupos fundamentalistas hinduístas em Karnataka, mas a situação está sob controle A situação em Karnataka (sula da Índia) está sob controle e não existe perigo de violência anti-cristã generalizada: é o que referem as fontes de Fides da Igreja em Karanataka, depois das notícias de um recente ataque de fundamentalistas hinduístas contra alguns grupos de peregrinos cristãos, que tinham participado do “Festival da paz” no distrito de Udupi, na diocese de Bangalore. O “Global Council of Indian Christians”, organização cristã com sede em Bangalore, publicou um relatório alarmista, mas expoentes da Igreja local falando à Fides, jogam água no fogo. Uma crível fonte de Fides na diocese de Bangalore explica: “Grupos fundamentalistas hinduístas como o Bajrang Dal se difundiram pelo território. Em 2008 lançaram uma campanha contra os cristãos, atacando as igrejas. Hoje a situação está sob controle. Os nossos fiéis católicos não oferecem a eles oportunidades para desencadear a violência. Os católicos são pessoas pacíficas, tolerantes, que vivem sua fé no respeito por todos. O problema real é que as seitas protestantes com seu estilo de proselitismo provocam os fundamentalistas hinduístas. Existem seitas, como a New Life Felloship, que se colocam fora das Igrejas oficiais protestantes, que negam todo tipo de contato com as Igrejas oficiais e rejeitam qualquer discurso de ecumenismo e de diálogo. Cria-se assim, um confronto entre fundamentalistas que termina em violência. Os outros fiéis cristãos são envolvidos, infelizmente, nestes conflitos e pagam o pato”. Também Dom Bernard Moras, Arcebispo de Bangalore, numa conversa com a Fides desencoraja os alarmistas: “estamos preocupados com a presença de grupos fundamentalistas hinduístas em Karnataka, mas hoje a situação melhorou em relação a dois anos atrás. Depois da onda de ataques, procura-se ganhar espaço no campo do diálogo e da paz”. “Não é preciso criar alarmismos” – ressalta o Arcebispo. “Convidamos os fiéis católicos a serem prudentes, a evitar provocações, a testemunhar a fé na verdade e com serenidade. As tensões nascem porque numerosas denominações cristãs protestantes possuem um estilo de evangelização considerado provocatório: não produz efeito positivo sair distribuindo Bíblias e condenando as outras religiões'. Comportamentos desse tipo, servem de pretextos para as agressões dos fundamentalistas hinduístas' que são apoiados, politicamente pelo partido nacionalista hinduísta Bharatiya Janata Party, no governo em Karnataka. “A situação é difícil” – conclui o Arcebispo – e “deve ser tratada com delicadeza e diplomazia. Os fiéis católicos permanecem na paz e na oração”. Na foto: Defensora dos direitos de pequenos produtores rurais da região de Altamira (PA), Dorothy Stang foi morta com sete tiros em fevereiro de 2005, em Anapu (PA)Justiça do PA condena último envolvido na morte da missionária Dorothy Stang O pecuarista Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como 'Taradão', foi condenado a 30 anos de prisão por mandar matar a missionária norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang. Defensora dos direitos de pequenos produtores rurais da região de Altamira (PA), área de intenso conflito fundiário, Stang foi alvejada com seis tiros numa estrada de Anapu (PA) em fevereiro de 2005. Cinco anos depois do assassinato, Galvão foi o último envolvido no caso a ir a julgamento em Belém. Durante o júri, que começou às 8h desta sexta-feira (30), ele negou a acusação e se disse inocente. Há cerca de duas semanas, Vitalmiro Bastos de Moura, o “Bida”, foi condenado a 30 anos de prisão também pela suspeita de ser mandante do assassinato. Outros três envolvidos no crime já foram considerados culpados e estão presos: Rayfran das Neves, o Fogoió, condenado a 27 anos; Clodoaldo Batista, o Eduardo, condenado a 17 anos; e Amair Feijoli, sentenciado a 27 anos. Galvão foi denunciado e pronunciado em 2006 sob acusação de homicídio qualificado e respondia ao processo em liberdade. Na foto: a fachada de uma igreja paroquial em BamendaA nova Universidade Católica dos Camarões Bamenda (CATUCB) abrirá suas portas no próximo ano letivo de 2010-2011 em Bamenda, capital da província Noroeste do país, na zona de língua inglesa. Esta será a segunda universidade católica inaugurada no país, após a Universidade Católica da África Central, situada em Yaoundé, na zona de língua francesa. A universidade, que funcionará segundo o modelo anglo-saxão, terá seis faculdades: Ciências do Empreendedorismo e Gestão, Ciências Humanas e Sociais, Ciências da Educação, Engenharia Civil, Ciências da Agricultura e Ciências dos Recursos Naturais. Estão previstas ainda a abertura de outras faculdades no futuro, como as de Tecnologia da Comunicação e de Ciências Médicas e Sanitárias, que estarão sediadas em Kumbo. A Faculdade de Direito entrará em operação na cidade de Buea. Líderes tradicionais ofereceram os terrenos para a construção das diversas faculdades. “Esta universidade é o último instrumento de proclamação da justiça e da esperança”, disse o bispo da diocese de Kumbo, Dom George Nkuo, durante uma missa celebrada em 10 de abril na presença dos quatro bispos da província eclesiástica de Bamenda para comemorar a criação da nova universidade. “Precisamos da ajuda de todos, camaronenses e estrangeiros, visto que este dia marca o início de uma nova era para nosso sistema educacional”, disse aos fiéis reunidos na Catedral metropolitana de Bamenda. A missa foi presidida pelo arcebispo metropolitano de Bamenda, Dom Cornelius Fontem Esua, acompanhado de Dom George Nkuo, da diocese de Kumbo, Dom Immanuel Bushu, da diocese de Buea e por Dom Francis Teke Lysinge, da diocese de Mamfé. Os prelados convidaram os fiéis a “demonstrarem seu apoio a este projeto”, sublinhando que a instituição universitária necessita, para que as obras sejam completadas, de 250 milhões de francos camaronenses (cerca de 380 mil euros). Já foram obtidos 28 milhões de francos para o início das atividades. Os responsáveis pela administração das faculdades juraram sobre a Bíblia que desempenharão sua funções “com diligência, em conformidade com os cânones universitários e no temor a Deus”. Na foto: Não basta acompanhar os números...O mercado é incapaz de autorregular-se A crise global deve deixar uma lição, considera Bento XVI: a economia global exige uma ética, pois ficou claro que o mercado é incapaz de autorregular-se. Foi o que o Papa expressou esta sexta-feira, ao receber em audiência os participantes na sessão plenária da Academia Pontifícia das Ciências Sociais, sobre o tema “A crise em uma economia global. Voltar a projetar nosso caminho”, que se celebra até o dia 4 de maio no Vaticano. “O colapso financeiro em todo mundo demonstrou, como sabemos, a fragilidade do sistema econômico atual e das instituições relacionadas com ele”, começou constatando o pontífice. “Também demonstrou o erro da hipótese de que o mercado é capaz de autorregular-se, independentemente da intervenção pública e do apoio das normas morais”, seguiu esclarecendo. “Esta hipótese se baseia em uma noção empobrecida da vida econômica, como uma espécie de mecanismo de auto-equilíbrio impulsionado pelo interesse próprio e a busca de ganhos. Como tal, passa por alto o caráter essencialmente ético da economia, como uma atividade de e para os seres humanos”. Segundo o Papa, a economia não é uma “espiral de produção e consumo em função de umas necessidades humanas”. Ele esclareceu que “a vida econômica deveria ser um exercício de responsabilidade humana, intrinsecamente orientada para a promoção da dignidade da pessoa, a busca do bem comum e o desenvolvimento integral – político, cultural e espiritual – de indivíduos, famílias e sociedades”. Por este motivo, o pontífice considera que “a crise atual nos obriga a revisar nosso caminho, a dar-nos novas regras e a encontrar novas formas de compromisso”. Voltar a planejar o caminho, acrescentou, supõe também “buscar normas exaustivas e objetivas com as que julgar as estruturas das instituições e as decisões concretas que orientam e dirigem a vida econômica”. E entre “os princípios indispensáveis” para proporcionar este “enfoque ético integral à vida econômica”, o Santo Padre apresentou “a promoção do bem comum, baseado no respeito da dignidade do ser humano e principal objetivo dos sistemas de produção e do comércio, das instituições políticas e bem-estar social”. Ao final, concluiu, todas as decisões econômicas e políticas devem estar encaminhadas à “caridade na verdade”, já que “a verdade preserva e canaliza a força libertadora da caridade em meio das vicissitudes e das estruturas humanas, cada vez mais contingentes”. Pois “sem verdade, sem confiança e amor pelo que é verdadeiro, não há consciência social e responsabilidade, e a ação social termina servindo aos interesses privados e às lógicas de poder, dando lugar à fragmentação social”. Na foto: no Sudão os conflitos, além da seca, fazem aumentar a fome...Sudão: bispo alerta para risco de genocídio após eleições A tensão que se seguiu às eleições provocou uma onda de violência generalizada que pode se converter num “verdadeiro genocídio”, denunciou o bispo Eduardo Hiiboro Kussala, de Tombura-Yambio, ao sul do Sudão. Falando à associação humanitária Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), o prelado afirmou que as tensões se intensificaram após as denúncias de fraudes nas eleições recentemente realizadas – as primeiras pluripartidárias dos últimos 25 anos no país. As eleições, realizadas entre 11 e 15 de abril, levaram a vitória do partido do presidente em exercício, Omar al Bashir, o National Congress Party, e do Sudan People's Liberation Movement (SPLM), presidido por Silva Kiir. O processo eleitoral se deu em meio a denúncias de irregularidades, entre as quais se incluem a intimidação de eleitores e fraudes. Segundo a AIS, um dos caminhões que transportava cédulas eleitorais foi incendiado. Para o prelado, “os resultados das eleições podem desencadear sérias violências”. O bispo advertiu que “uma animosidade já radicada no coração de muita gente, de diversos grupos étnicos no sul do país, pode conduzir a nada menos que um genocídio”. Uma série de “questões não resolvidas”, como a disputa por territórios nas fronteiras entre o norte e o sul do Sudão e a disputa pelo controle da região de Abyei, rica em petróleo, contribuem para acirrar os ânimos. “A menos que a crise política não seja gerida de maneira construtiva, a possibilidade de que toda nação se precipite no abismo constitui um cenário verossímil”, confessou ele. Dom Hiiboro destacou ainda que prosseguem as negociações sobre uma possível separação do Sul do Sudão – questão que será submetida a um referendo popular em janeiro de 2011, com as exigências referentes à partilha dos dividendos da exploração petrolífera, às relações comerciais com o Norte e aos direitos de cidadania. Tais questões deveriam ter sido resolvidas com o acordo e paz de 2005, que conferiu relativa autonomia ao Sul do Sudão, após 20 anos de guerra civil entre o regime islâmico da capital Cartum e a guerrilha rebelde SPLM, com sede no Sul. Acusando SPLM de ser o principal responsável pela ausência de progressos desde 2005, Dom Hiiboro declarou que “a única responsabilidade deste fracasso é dos próprios sudaneses do sul, seja dos que estão no governo, seja da oposição”. “A morte em vão de cidadãos sudaneses será devida à incapacidade dos líderes políticos de criar um melhor processo para a resolução dos conflitos”. “Promover as disparidades a ponto de levar a nação ao colapso e exasperar as diferenças tribais e religiosas apenas para chegar ao poder, mantendo-o a qualquer custo, não pode ser considerada uma política salutar”, denunciou. “Nenhum povo ou nação merece tal tipo de política tóxica”. As advertências do bispo Hiiboro destoam de outros relatos de relativa tranqüilidade referentes às eleições em outras regiões do Sudão. O bispo auxiliar de Cartum, Daniel Adwok Kur, reportou à AIS que o processo eleitoral havia se processado “pacificamente”, e que era improvável a ocorrência de qualquer surto de violência “porque as partes envolvidas teriam muito a perder para permitirem que o processo democrático fosse interrompido”. Este otimismo parece não se aplicar à diocese do bispo Hiiboro, que sofre com as atrocidades cometidas pelos rebeldes do Exército de Resistência do Senhor (Lord's Resistance Army, LRA), guerrilha cristã com sede em Uganda ligada ao partido governista do sul do Sudão. No final do verão passado, o LRA promoveu uma série de assassinatos com crucificações em Nzara; a Igreja de Nossa Senhora da Paz foi profanada e ao menos 17 pessoas, em sua maioria adolescentes, foram seqüestradas. Na foto: 'Estamos cansados de guerra...!'Congo: Papa pede esforços às autoridades para acabar com guerra Ao receber o novo embaixador da Santa Sé, o Papa Bento XVI pediu às autoridades congolesas que dediquem todos os seus esforços a acabar com a guerra, que ainda continua atingindo algumas regiões do país. O Papa fez em seu discurso ao novo embaixador da República Democrática do Congo, Jean-Pierre Hamuli Mupend, ao recebê-lo hoje no Vaticano por ocasião da apresentação das suas cartas credenciais: 'Convido as autoridades publicas a fazerem o possível para pôr termo à situação de guerra, que infelizmente ainda existe nalgumas províncias, e a dedicar-se à reconstrução humana e social da nação no respeito dos direitos humanos fundamentais', declarou. Destacando a função dos cidadãos e da comunidade internacional neste sentido, afirmou: 'A paz não é unicamente a ausência de conflitos; é também um dom e uma tarefa que obrigam os cidadãos do Estado'. E continuou: 'A Igreja está convencida de que a paz não pode ser alcançada a não ser no respeito à ‘gramática' escrita no coração do homem pelo seu divino Criador'. 'Convido a comunidade internacional envolvida de várias maneiras nos sucessivos conflitos que a vossa nação conheceu, a mobilizar-se para contribuir eficazmente para levar à Republica Democrática do Congo a paz e a legalidade.' 'Depois de tantos anos de sofrimento, o vosso país precisa empreender com determinação o caminho da reconciliação nacional', indicou Bento XVI ao novo embaixador. Apesar da importância do compromisso assumido em Goma em 2008 e a aplicação dos acordos internacionais, particularmente o pacto sobre a segurança, estabilidade e desenvolvimento da Região dos Grandes Lagos, 'é mais urgente trabalhar nas condições prévias à sua aplicação'. Para a paz, educação Para alcançar a paz, um dos melhores meios, segundo o Papa, é a promoção da educação das jovens gerações. 'É preciso investir na educação das novas gerações, permitir que elas possam estudar e ajudar suas famílias nas despesas da educação.' 'E formação - acrescentou - quer dizer não só receber cultura, mas também sólidas bases morais e espirituais que ensinem os jovens a evitarem a tentação da violência e o ressentimento, para escolher aquilo que é justo e verdadeiro; uma tarefa para a qual os católicos dão e darão a sua contribuição.' Justiça O Papa se referiu às 'importantes riquezas naturais com as que Deus dotou sua terra e se converteram infelizmente em uma fonte de cobiça e de lucros desproporcionados para muitos no interior e no exterior do seu país'. E garantiu que estas riquezas, distribuídas com justiça, 'permitem, graças a uma justa distribuição dos lucros, ajudar a população a sair da pobreza'. Bento XVI também assegurou que 'este dever de justiça promovido pelo Estado consolidará a reconciliação e a paz nacional e permitirá à população desfrutar de uma vida serena, base necessária da prosperidade'. O Papa valorizou a presença do novo embaixador da República Democrática do Congo na Santa Sé, 'depois de longos anos vacante', que, em sua opinião, 'manifesta o desejo do chefe de Estado e do governo de fortalecer as relações com a Santa Sé e eu lhes agradeço por isso'. Na foto: Nossa Senhora dos Desamparados, da qual o padre Peter era muito devoto.'Uma vida oferecida a Deus e ao próximo' “Nós sacerdotes oferecemos a nossa vida no dia da ordenação. A nossa vida não nos pertence, mas é de Deus. Pe. Peter hoje foi acolhido pelo Senhor e por Nossa Senhora dos Abandonados, à qual era muito devoto”: é o que declara numa conversa com a Agência Fides, Dom Felix Machado, Bispo de Vasai (nas proximidades de Mumbai), contando sobre um evento que abalou toda a comunidade do território, católica e não: a morte de Pe. Peter Bombacha, sacerdote de 74 anos, assassinado por desconhecidos na noite passada, em sua casa pouco distante do arcebispado. 'Encontrei o corpo de Pe. Peter num lago de sangue esta manhã' - conta à Fides Dom Machado, alertado por alguns leigos que trabalhavam com o sacerdote. 'Tinha uma corda no pescoço e tesouras enfiadas na garganta. Foi uma cena chocante. A polícia foi logo ao local, iniciou a investigação post-mortem, do fato acontecido”. O bispo continua: “A comunidade está sob shock. Pe. Peter criou e administrava, com a colaboração de alguns leigos, uma casa de recuperação para alcoolizados. Ele nasceu em Vasai e vinha de uma comunidade de pescadores: por isto seu nome era ‘Pedro’. Era querido e estimado por todos'. “Não temos ideia dos motivos do assassinato, talvez roubo ou alguém que tinha alguma coisa contra ele' – disse o Bispo, excluindo a pista de violências dos fundamentalistas hinduístas: 'Não pensamos nos grupos extremistas hinduístas. Antes de tudo, as relações com a comunidade hindu no território são ótimas. Muitos fiéis hindus vieram hoje manifestar desaprovação e solidariedade. E muitos estarão presentes no funeral, que celebro na tarde do dia 29 de abril, que contará com a participação de cerca de 10 mil pessoas'. A missa fúnebre 'será um momento de oração em que a comunidade, que está triste por este fato, se unirá e celebrará com esperança. Recordarei, enquanto vivemos o Ano Sacerdotal, que nós sacerdotes oferecemos a nossa vida, que pertence a Deus e dedicada ao serviço ao próximo. 'Procurarei também dar uma mensagem de coragem às pessoas, que está abalada e amargurada: oferecemos o nosso sofrimento confiando-nos a Nossa Senhora dos Abandonados, a quem Pe. Peter se dirigia na oração com grande confiança e devoção'. ![]() Os Combonianos convidam todos a pedir a Jesus Ressuscitado a graça de viver os anseios e a sentir a intercessão de Padre EZEQUIEL RAMIN: Leia a biografia dele, clicando aqui Leia o que está acontecendo e vai acontecer nos 25 anos do martírio dele: clicando aqui Uma estampa de padre Ezequiel (21 x 29 cm ) de BRINDE a quem a pedir. Basta clicar aqui. Leia o número especial do nosso Jornal MISSÃO SEM FRONTEIRAS, clicando aqui Não deixe de oferecer sua colaboração missionária na memória de padre Ezequiel: clique aqui. Na foto - a camisa ensanguentada (dir.) de padre Ezequiel, relíquia-memória de sua vida oferecida para o povo.MÁRTIR EM MISSÃO DE PAZ O Instituto Humanitas Unisinos (IHU), por telefone, entrevistou o missionário comboniano padre Pedro Bracelli. Italiano, 77 anos, está no Brasil há 49 anos; trabalhou no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, onde vive atualmente. No Brasil, ajudou a encaminhar a causa da beatificação de Padre Ezequiel Ramin. IHU – Quem foi Ezequiel Ramin? - Ezequiel Ramin foi um missionário coerente e inteligente, que se comprometeu a estudar os problemas do Brasil. Ao chegar da Itália, fez o Curso no Centro de Formação Cultural Missionária - Cenfi, em Brasília – DF. Enviado à Rondônia, em poucos meses se tornou o testemunho mais novo entre todos os combonianos espalhados pelo Brasil afora, pela sua dedicação total aos mais pobres. IHU – Por que e quando ele foi morto? - O padre Ezequiel foi morto no dia 24 de julho de 1985, na Rondônia, em missão de paz, quando procurava eliminar um conflito entre fazendeiros, pequenos posseiros e índios Suruí, os quais disputavam a posse da mesma área. IHU – Qual a situação atual das pessoas que mataram o Padre Ezequiel? - Houve dois processos em Cuiabá; um dos criminosos foi condenado, mas está foragido até hoje. Poucos meses depois da morte de Ezequiel, houve um conflito entre colonos e fazendeiros, e um dos fazendeiros, considerado responsável pela morte do padre, foi morto numa emboscada. O caso, juridicialmente, não foi resolvido. IHU – Como está o processo de beatificação do Padre Ezequiel? - Estamos dando os primeiros passos oficiais. Recebemos “sinal verde” também dos confrades combonianos e de colegas do Padre Ezequiel, os quais, com muitos testemunhos e relatos bonitos, confirmam a caridade heróica do padre Ezequiel. IHU – Porque a camisa chamou tanta atenção? - Quando o corpo foi levado para a Itália, a camisa ficou como uma relíquia de Ezequiel: ensaguentada, perfurada de muitas balas, tornou-se o símbolo do martírio, uma bandeira de esperança de vida melhor para todos os povos mais pobres da região. “A vocês pertence a minha vida e a vocês também pertencerá a minha morte” – dizia ao povo o padre Ezequiel, revelando a sua doação total para o próximo. IHU – Passados 25 anos do assassinato do Padre Ezequiel, quais são os grandes desafios hoje na região de Ji-Paraná e em Rondônia? - Rondônia ainda é vítima de desigualdade entre os proprietários de terras e os empregados; porém, as pragas piores são, sobretudo, as drogas e a corrupção política. Podendo e querendo, não deixe de mandar sua oferta missionária na memória de padre Ezequiel: clique aqui A espiritualidade de Padre EzequielONDE CRISTO ESTÁ ESCONDIDO O lugar privilegiado da presença de Cristo está claro para Ezequiel. Cristo vive e morre na pessoa dos mais pobres, nas áreas de conflito, onde a vida humana é ameaçada! É o Evangelho de Mateus (25,35-40) que lhe indica esse lugar. 'Na nossa época - escreve Ezequiel aos amigos -, que está sufocando o Cristo nos arranha-céus, asfalto, estradas, metrôs e carros, é preciso descobrir de novo o rosto de Cristo nos irmãos, mesmo se maltrapilhos ou desconhecidos.' 'Para cuidarmos dessa massa de gente e de seus problemas é necessário um grande amor, que nos dê força para nunca cansarmos. É difícil! Até agora tudo correu bem. Mas quando houver alguém querendo enganar-nos, querendo explorar-nos, que nos dá as costas, que usa de violência, aí então estaremos sendo testados em nosso amor. Não devemos amar somente as pessoas que podemos usar para os nossos interesses. Já encontrei muitas dessas pessoas! Mas, se não aprofundarmos alguns temas e valores cristãos, a força para perseverarmos vai desaparecer logo. Não obstante, eu acredito nas pessoas, mesmo sabendo de estar sendo enganado. É difícil enxergar nelas Cristo, mas ele existe.' 'Deus está à minha procura e, repetidas vezes, me convida a segui-Lo. Está me chamando quando ajudo a pessoas com problemas, quando me envolvo perigosamente para salvar os outros, quando estou defendendo o ser humano, por ser ele ser humano, independentemente de tudo, quando com todas as minhas forças acredito não existir ninguém que não possa ser recuperado...' A IGREJA VOZ DO POVO (do lado dos óndios e posseiros) Chegando ao Brasil em 19 de janeiro de 1983, Padre Ezequiel faz um curso de conhecimentos sobre a realidade do País, no Centro de Formação Intercultural, em Brasília. Em seguida, cheio de entusiasmo e de projetos, vai para Cacoal (Rondônia), a serviço da paróquia dedicada à Sagrada Família, na diocese de Ji-Paraná, trabalhando com padres, Irmãs e Irmãos, todos missionários combonianos. Ali, não perde tempo. Começa a visitar as comunidades para conhecer a realidade do povo, assumindo o compromisso de mediar a pacificação do conflito existente entre fazendeiros, sem-terra e povos indígenas da região. “O povo aqui – escreve o Padre Ezequiel a um amigo - vive na miséria. Parece uma situação normal. O povo é tratado como cachorros, para os quais sobram somente os ossos. Muitas vezes, sinto um nó na garganta e uma grande vontade de chorar, ao ver os quilômetros de cerca. O maior escândalo é que, ao redor deste povo miserável e sem terra, existem grandes extensões de terra, mas muita injustiça social.” Nesse tempo, Ezequiel faz sua opção preferencial: 'Coloco-me do lado dos povos indígenas e dos posseiros expulsos de suas terras, que cultivam há anos, só por lhes faltar um documento escrito'. Escrevendo a amigos, Ezequiel expressa sua preocupação pelo futuro do povo em Rondônia: “Será possível que, por acaso, alguma estrela de esperança caia finalmente sobre esta pobre terra de Rondônia?' Partilhar a felicidadeNa vida de Ezequiel, otimismo e alegria são os ingredientes que temperam as amarguras das dificuldades e dos sofrimentos, inevitáveis na vida de um missionário. Nos momentos mais dolorosos, quando o sofrimento atinge a sua vida ou a vida de seus familiares, Ezequiel reage com espírito de fé, de esperança, de otimismo e de festa. Festa, mesmo! Para ele toda a realidade ao seu redor é uma festa. Pois Deus é festa, o ser humano é festa, toda a criação é festa: 'Estou feliz - confidencia Ezequiel a seus amigos - quando vejo alguém sorrir, quando posso ajudá-lo, quando recebo o Cristo, quando, às vezes, esqueço a mim mesmo para os outros, quando ocupo bem o dia. Estou feliz quando vivo em plenitude.' Ezequiel se sente apóstolo da felicidade. Em suas homilias aos fiéis, cita freqüentemente a frase famosa, título de um dos livros de Raoul Follereau: 'Ninguém tem o direito de ser feliz sozinho!' Ele acha maravilhosa a existência da felicidade quando no mundo há tanta coisa errada. Certamente haveria mais felicidade se as pessoas comunicassem umas às outras sua felicidade, em vez de só fazerem confidências quando se sentem tristes, e deprimidas. É bom ver todo mundo feliz, ainda que estranhos uns aos outros. Eu, Ezequiel, creio em Cristo! Os ensinamentos de um padre, professor de liceu, ficaram gravados na memória de Ezequiel por muito tempo. Ao amigo André, Ezequiel escreve: 'Levar Cristo aos outros é levar alegria. Estou seguindo o caminho do missionário não por minha iniciativa, mas porque Deus está à minha procura e, repetidas vezes, me convida a segui-lo. Está me chamando quando ajudo a pessoas com problemas, quando me envolvo perigosamente para salvar os outros, quando estou defendendo o ser humano, por ser ele ser humano, independentemente de tudo, quando com todas as minhas forças acredito não existir ninguém que não possa ser recuperado... 'Se alguém faz um processo para tomar de você a túnica, deixe também o manto! Se alguém obriga você a andar um quilômetro, caminhe dois com ele'” (Mt 5,40). “Agora, sinceramente, se Cristo quer servir-se de mim, não posso recusar-me, mesmo tendo consciência de minha pequenez diante dele.' 'Eu creio em Cristo - escreve a outros amigos -. Ele nunca me decepciona. Creio na justiça, mesmo se, às vezes, incompreensível. Nessa hora, eu me entrego em suas mãos. Na realidade, o testemunho cristão se paga caro e pessoalmente'. 'Fé em Cristo. Às vezes é difícil acreditar nele diante de situações dramáticas, mas, guardando a fé, Ele me dá tamanha carga, que me ajuda a ser sempre um verdadeiro homem, capaz de amar numa dimensão universal.' 'Assumi o compromisso de procurar as pessoas que precisam de mim.' 'Existem, hoje, muitos excluídos, marginalizados, esquecidos. Nos hospitais, penitenciárias, asilos, reformatórios, barracos. São os excluídos da vida humana. Como se pode ficar indiferente diante de tamanha dor do ser humano?' Nas fotos: o 'martírio' de padre Ezequiel se tornou inspiração de luta para o povo de Rondônia e de muitas outras regiões.Um sonho sempre sonhado Ordenado sacerdote em 29 de setembro de 1980, pelo bispo comboniano Dom Eduardo Mason, na paróquia de São José em Pádua, começa seu trabalho no meio dos jovens, na comunidade de Nápoles (Itália). E, quando o terremoto devasta várias cidades do sul da Itália, em novembro do mesmo ano, Ezequiel, com outros colegas, corre em ajuda aos flagelados. 'Padre Ezequiel - escreveu um colega de trabalho - demonstrou não somente qualidades de 'chefe', de organizador exato e cuidadoso, mas cativou, por sua caridade e abnegação, o coração do povo do Sul. Os quarenta dias passados com os flagelados do terremoto, no meio da lama e da neve, dormindo só algumas horas de noite num pequeno trailer que servia de escritório paroquial, coordenando as ajudas, enterrando os mortos e consolando os sobreviventes, foram o ensaio geral do martírio que o esperava no Brasil.' 'É bonito sonhar de fazer feliz toda a humanidade' Deixando o trabalho de emergência na paróquia flagelada pelo terremoto, Ezequiel, de janeiro de 1981 a dezembro de 1983, por desejo dos superiores reassume a animação vocacional e missionária na cidade de Nápoles e, posteriormente, na cidade de Tróia, no sul da Itália. Antes mesmo de ser padre, estando ainda em Chicago, respondendo às cartas e às ofertas enviadas pelas alunas da professora De Biase Maria, da cidade de Tróia, na Itália, em quatro de novembro de 1981, Ezequiel assim se expressa: 'Recebi as cartas de vocês e a coleta para o meu povo. Agradeço a todas vocês com muito carinho. Gostaria de dizer uma coisa muito importante para todas vocês, sensíveis às coisas bonitas: Tenham um sonho! Tenham um lindo sonho. Sigam somente um sonho. O sonho de toda sua vida. A vida humana que tem um sonho é alegre. A vida humana que segue um sonho renova-se a si mesma a cada dia. A vida humana que parece ser longa é curta. Que o sonho de vocês seja o sonho de quem se preocupa em tornar alegre não somente todas as pessoas, mas também seus descendentes. É bonito sonhar de fazer feliz toda a humanidade. É um sonho possível! A serenidade, a alegria, o amor, a concórdia, a amizade...são possíveis!' Vosso missionário, padre Lele'. AMOR A CRISTO JESUSAlgumas cartas do Padre Ezequiel nos revelam seu profundo amor a Cristo. Ezequiel ama a Deus e acredita na Providência. Mas lamenta que a evolução das técnicas e das ciências crie estruturas que, em vez de ajudar o ser humano a estreitar relações entre si, o marginalize socialmente e o manipule politicamente. Lamenta, em particular, que a juventude seja alienada e obrigada a viver numa realidade distorcida, em que a percepção da presença de Deus é menos freqüente. Experimenta também, nos seus colegas, que a confiança na Providência que constrói a história humana está, lamentavelmente, sendo substituída pela cega confiança na técnica. Pelo contrário, Ezequiel aprofunda-se cada vez mais na fé em Cristo. Escrevendo ao seu antigo professor, expressa sua gratidão: 'Durante os anos de estudo muito apreendi com seu testemunho. Permaneço sempre seu discípulo. Nesta Páscoa compreendi mais profundamente o mistério grande do Senhor. Sinto-me por ele amado. Estou tranquilo. Na Igreja existem muitos membros. Peço ao Ressuscitado para ser o coração (é demais?!), para dar esperança e bondade. Ao findar deste ano, partirei para o Brasil, para começar a vida de missão. Ainda não sei o lugar, mas estou muito alegre em partir'. Não amemos somente em palavras! Entre os escritos de Ezequiel, encontramos um rascunho de reflexão que fez durante a missa no Dia Mundial das Missões. Com abundantes estatísticas, traça um quadro da situação dos pobres no mundo, e com o Evangelho na mão explica aos ouvintes a necessidade de se engajarem na luta contra a injustiça. Finaliza a reflexão convidando os presentes a fazer um gesto concreto de amor e de partilha para com os pobres: 'Acho oportuno dizer algumas palavras sobre o significado deste nosso encontro que não quer ser uma palestra nem uma prática, mas uma reflexão em comum. É uma tentativa para eu poder colocar às claras algumas contradições de hoje. Eu pergunto: é justo deixar que 20 mil pessoas por dia morram de fome, enquanto engolimos comprimidos para emagrecer, para manter o físico em forma? É cristão que 600 mil crianças cresçam desnutridas, enquanto aqui até morremos por indigestão por comida demais; é justo que existam mais de um bilhão de analfabetos?' 'Destaco essa profunda desigualdade social porque de um lado vejo a trágica desnutrição e a fome, e de outro o bem-estar e esbanjamento escandaloso' Jesus Cristo nos fala no Evangelho: 'Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem. E quem tiver comida, faça a mesma coisa' (cf. Lc 3,11). Mas as estatísticas da ONU e da FAO falam claro: hoje nós não repartimos nosso pão com nosso irmão, porque amamos somente em palavras.' Se Cristo quer servir-se de mim, não posso recusar-me.'Assumi o compromisso de procurar as pessoas que precisam de mim.'... 'Existem, hoje, marginalizados e esquecidos, nas penitenciárias, nos hospitais, asilos, reformatórios, barracos, nas calçadas e debaixo dos viadutos das grandes cidades. São os excluídos da sociedade e da vida. Como se pode ficar indiferente diante de tamanha dor do ser humano?' 'Se Cristo quer servir-se de mim, não posso recusar-me.' Estas palavras foram escritas e, sobretudo, vividas pelo padre Ezequiel Ramin, missionário Comboniano. Nascido em Pádua, na Itália, aos 9 de fevereiro de 1953, Ezequiel freqüenta o primeiro grau no colégio Alessandro Manzoni e o segundo, no colégio Barbarigo. Os pais proporcionam aos seis filhos a dimensão da vida cristã, sendo, em concreto, oração e sacrifício. O cristianismo é vivido com muita seriedade, com idéias claras e sem hipocrisias. Um dia, após o vestibular, Ezequiel anuncia aos pais sua intenção de ser missionário. Seu chamado à vida religiosa tem a finalidade de colocar-se a serviço. Pois a descoberta da existência dos outros inclui também o caminhar para o encontro dos outros. Sua decisão é causada pelas estatísticas oficiais sobre a pobreza: sessenta milhões de pessoas por ano morrem no Terceiro Mundo; delas, quarenta milhões morrem por falta de alimento; vinte mil morrem a cada vinte e quatro horas, oitocentas por hora e treze por minuto. As mais atingidas são as crianças: delas, uma em cinco está condenada a morrer. Na Ásia, principalmente na Índia, por uma falsa idéia encarnacionista, prioriza-se a vida das vacas e de outros bichos, absurdamente considerados sagrados e intocáveis, deixando que a fome atinja milhões de pessoas. A África, terra dos contrastes, só consegue receber os restos e as migalhas dos países ricos do Primeiro Mundo. Na América Latina, muitas crianças morrem vítimas da desnutrição e violências, provocadas por sistemas injustos e corruptos. E tudo por causa do egoísmo do Primeiro Mundo. Esse quadro dramático de fome angustia continuamente Ezequiel. Sua preocupação é aliviar os sofrimentos dos necessitados. Líder do movimento 'Mãos Estendidas', procura estudar soluções para alguns problemas do Terceiro Mundo, com 'micro projetos' em favor de uma e outra comunidade da África e da Ásia. Nas oficinas de trabalho, que organiza com seus colegas, cata papéis, ferro velho, móveis e roupa usada que, vendidos, dão algum dinheiro para financiar projetos. Mas sabe que isso não é suficiente para aliviar a pobreza. É necessário muito mais. Consagrar e colocar sua vida, e para sempre, a serviço dos mais necessitados. 1985 - 2010: 25º Aniversário do martírio do Padre EZEQUIEL.ELE CONTINUA VIVO! No décimo aniversário da morte do padre Ezequiel Ramin, ao apresentar a biografia do mártir “Terra e arame farpado” de Enzo Santângelo, Edições Loyola, SP, o bispo da diocese de Ji-Paraná, Dom Antônio Possamai escrevia: “Já se passaram dez anos desde que o padre Ezequiel Ramin derramou seu sangue porque quis ser coerente até o fim com a opção que fez por Jesus na pessoa dos pobres. Foi no dia 24 de julho de 1985. Fazia pouco mais de um ano que viera para Cacoal como missionário. Era tempo de forte migração. De todos os pontos do Brasil acorria gente para Rondônia, acreditando na propaganda, julgando que aqui seria fácil conseguir terra para si e para seus filhos'. Mas a realidade era outra. Terra havia. E muita. Não havia programação nem vontade de distribuí-la com justiça para os que não tinham. Era até tirada de quem tinha, mas não tinha recursos para se defender, os índios. Multiplicaram-se os sem-terra que, cansados de viver com sua família debaixo de lona preta, foram buscar o que de direito lhes pertencia. Foi por eles que Ezequiel optou. Anunciou o Evangelho da justiça. Denunciou o pecado da acumulação. Desagradou a muitos. Tornou-se conhecido dos pequenos e amado por eles. Odiado pelos poderosos. E seu sangue encharcou esta terra brasileira. Tinha ido ao encontro dos sem-terra para buscar caminhos que o fizeram calar. Silêncio foi o que não aconteceu. Depois de morto, falou muito mais alto. Não somente para seus paroquianos. Para toda a diocese, para todo o Brasil, para o mundo. E continua falando. Os ouvidos dos que deveriam ouvir e se converter ensurdeceram. Continuam concentrando, expulsando, matando, esticando cercas. Mas os fracos estão presentes, crendo nos novos céus e na nova terra que já estão acontecendo e que haverão de acontecer muito mais. Porque ninguém consegue calar quem dá seu sangue por uma causa justa”. Dedicamos este número especial de Missão Sem Fronteiras à memória do Padre Ezequiel, o qual, após 25 anos do seu martírio, continua VIVO! (N.G.) N.15 - Maio de 2010Edição especial pelos 25 anos do 'martírio' do Padre EZEQUIEL RAMIN - (1985 - 24 de julho - 2010) Para ir à página inicial do site, clique aqui ![]() Na foto: padre Wellington com um grupinho do seu povo no sul do Sudão. Ele nos enviou esta carta por meio da internet. Caríssimos amigos e amigas, há mais ou menos um mês atrás começamos a ter acesso á internet. Este foi realmente um dom no que concerne à comunicação. Imaginem que desde Janeiro não tivemos a oportunidade de enviar ou receber cartas. Apesar da dificuldade de comunicação nunca esqueço-me de meu querido Brasil, de todo o povo, amigos e amigas, pessoas que acreditam que um mundo melhor é possível e não cessam de dar um pouco de si para que este sonho se concretize. Este ano tem sido um tanto quanto difícil em nossa paróquia. Nossa paróquia está entre o povo Nuer. O povo Nuer é a segunda maior tribo do Sul do Sudão vivendo ao longo do Rio Nilo. São aproximadamente 1.5 milhões de pessoas. São pecuaristas. Sua comida básica é o leite e o sorgom, além do peixe, é claro. O povo nuer é guerreiro, forte e esbelto. São acolhedores e hospitaleiros. Quando visito as comunidades, sempre partilham o melhor que tem, me dão sua cama para dormir além de prepararem muita comida. Normalmente todas as senhoras me trazem um prato. Nossa diocese tem 7 paróquias. Todas as paróquias contam com a presença do povo Nuer. Em duas delas, todo o povo é Nuer. O povo Nuer está dividido em muitos clãs, inimigos entre eles, mas que se ajudam se houver conflitos com outras tribos, especialmente contra o povo Dinka, o maior inimigo do povo Nuer. Em nossa paróquia temos a presença de três clãs do povo Nuer: Gaua, Thiang e Lak. Normalmente são pacíficos, mas como em todos os países do mundo, se não forem respeitados podem tornar-se agressivos e como são profundamente comunitários, quem comprar briga com um Nuer, comprará com todo o clã. O ano começou com uma epidemia de karlazar. Desde Agosto do ano passado até o momento atual, muitas pessoas adquiriram esta doença e muitos faleceram. Também um de nós contraiu a tal doença e teve que ser levado para fora daqui para tentar um tratamento. Felizmente melhorou e regressou dois meses depois. Acho que karlazar, em português, é leximaniose. É uma doença transmitida pelos mosquitos. Como estamos entre os pântamos tudo contribui para a reprodução dos tais mosquitos. Este ano tivemos uma tragédia em nossa Paróquia. Em Janeiro, em uma festa, um homem do clã Lak matou outro homem do clã Thiang. Com isso o ano começou com muita insegurança porque o clã dos Thiang queria vingar tal morte. Nossa casa está em uma vila chamada Old Fangak, com aproximadamente 10.000 pessoas. As duas tribos estão presentes nesta pequena vila. Com isto, mulheres e crianças fizeram suas trouxas e fugiram para a floresta, com algumas panelas e a comida que podiam carregar. Homens pertencentes aos dois clãs estavam inquietos e prontos para um conflito. Muitos adultos que não concordam mais com estes tipos de conflitos também abondaram a vila. Um grupo de americanos que estão por aqui para construir uma clínica estavam amedrontadíssimos. Chamaram o avião e se foram o mais rápido possível. Alguns catequistas vieram nos dizer que não precisávamos ter medo. Permanecemos na vila com o povo. Nossas celebrações, que normalmente conta com 400 pessoas, estavam tendo uma presença de umas 50 pessoas somente. Nossa vila mais parecia uma cidade fantasma. Também a clínica fechou as portas. Todo o povo ficou proibido de adoecer! Acontece que no início de março um homem Thiang veio até aqui nas proximidades de nossa casa e matou Abraham, que era membro do clã Lak. Este Abraham era o mais comprometido entre todos os nossos cristãos. Era um construtor de paz e amigo de todos. Era um dos melhores enfermeiros da clínica médica. Sempre se voluntarizava para qualquer trabalho comunitário e era o líder de nossa alfabatização de adultos. Todos ficamos muito tristes. Felizmente o conflito acabou. Depois disso começaram as campanhas para as primeiras eleições sudanesas. As últimas eleições foram em 1983 com participação realmente limitada. O cadastramento de todo o povo maior de 18 anos foi realizado em novembro do ano passado. Muitas eram as expectativas com relação à esta eleição. O medo do povo era de que voltasse a guerra, pois o Sudão passou o último século em guerra. Felizmente parece que as coisas caminham bem. Ainda temos medo de quando os resultados finais forém anunciados. Esperamos que os candidatos que perderem as eleições o aceitem em paz. De qualquer forma, este foi um grande passo na direção da democracia. Esta eleição foi um passo importante para a grande decisão que o Sul do Sudão deverá tomar no próximo ano. O povo, em um plebiscito irá decidir se continuam unidos ao norte do Sudão, ou se tornar-se-ão um novo país. O norte está dominado pelos Árabes que migraram para o Sudão há mais de 1000 anos atrás. Eles escravizaram povos negros do Sul, impuseram as leis islâmicas e nunca respeitaram o Sul. Existe uma reação no Sul muitíssimo forte com relação aos árabes. Provavelmente o Sul irá tornar-se um novo país. Esperamos que tudo aconteça em paz e rezamos para isto, especialmente neste ano que antecede ao plebiscito. Semana passada tivemos a visita do nosso Administrador Diocesano, Monsingor Roko Taban. Nosso bispo, Monsignor Vincent Mojwok aposentou-se ano passado e Monsingor Roko assumiu a liderança de nossa Diocese de Malakal. Esta é a maior diocese do Sudão. Somos apenas 10 padres diocesanos e 10 religiosos, 5 irmãos religiosos e umas 10 irmãs religiosas. O novo administrador encontrará muitos desafios, pastoral e financeiramente. Como ele tem sempre expressado o desejo de conhecer o Brasil, quem sabe um dia não o possamos convidar. Quanto a mim, estou bem e animado. Um pouco preocupado com a saúde visto que uma diarréia me persegue desde Janeiro. Mas acho que não é nada sério. Espero poder sempre permanecer sereno e sorrindo onde quer que Deus me envie para testemunhá-lo. Espero nunca perder a chama, para estar sempre pronto para escutar a quem precisa, acolher quem está sozinho, ir ao encontro de quem está doente ou cançado e iluminar o caminho de quem se encontra nas trevas, onde quer que seja. Apesar de todos os desafios e dificuldades, o povo continua sorrindo, partilhando e contagiando qualquer pessoa que os venha visitar. E é bonito estar no meio deste povo e fazer parte de sua história. Logo que tive acesso à internet comuniquei-me com meu povo nas Minas Gerais. Naquele exato dia um senhor realmente muito bom de minha comunidade hávia falecido. Era muito meu amigo. Me disseram, “temos uma notícia muito ruim para te dar.” e eu responde, “não existe notícias ruins. Notícias são somente notícias.” E disseram outra vêz, “Seu amigo morreu.” Parei por um momento, pensei e lhes disse, “Está é realmente uma notícia ruim, se vocês não acreditarem que Cristo ressuscitou, porque se acreditarem deveriam fazer uma grande festa porque tenho certeza de que esta pessoa está junto de Deus.” E peço ao Pai, com muita fé, que chame e envie novos missionários a todos os cantos do mundo. Este é o momento do Brasil, que tanto recebeu, de ajudar outros povos, não somente financeiramente, mas enviando missionários que possam anunciar a boa notícia de que somos todos irmãos e irmãs, filhos de um mesmo Pai, portadores de um mesmo dom, o dom da Vida. O mundo está carente de pessoas que tenham a coragem e a ousadia de anunciar a paz e vivê-la intensamene. Que o Pai plante esta mesma paz no coração de cada um de vocês. Que Deus os abençõe a todos, proteja e guie. Unidos no coração e na oração. Em Cristo, Padre Wellington Alves. ![]() PADRE EZEQUIEL RAMIN é nome adotado por entidades culturais, sociais, comunitárias e missionárias, e por logradouros Ele continua vivo na memória do povo. Padre Ezequiel Ramin é nome de luta e resistência nos bairros, nas escolas, nas comunidades e nos movimentos populares. LISTA (ainda incompleta) de entidades várias e logradouros dedicados à memória de Padre Ezequiel Ramin 1 Assentamento Padre Ezequiel Ramin Pedra Preta MG 2 Avenida Padre Ezequiel Ramin Aripuanã MT 3 Bairro Padre Ezequiel Ramin Belo Horizonte MG 4 Bairro Padre Ezequiel Ramin Rondonópolis MT 5 Casa de Aprendizagem Padre Ezequiel Ramin Fortaleza CE 6 Centro Afro - Promoção da Vida Padre Ezequiel Ramin Salvador BA 7 Centro Catequético Padre Ezequiel Ramin Jarú RO 8 Centro de Defesa dos Direitos Humanos Padre Ezequiel Ramin São Paulo SP 9 Centro Digital Padre Ezequiel Ramin Rondonópolis MT 10 Comunidade Padre Ezequiel Ramin Morada do Ribeiro São mateus ES 11 Comunidade Padre Ezequiel Ramin Nova Brasilândia RO 12 Comunidade Padre Ezequiel Ramin JARÚ RO 13 Comunidade Padre Ezequiel Ramin Paróquia Santa Amélia Curitiba PR 14 Comunidade Padre Ezequiel Ramin Joinville SC 15 Comunidade Padre Ezequiel Ramin Côrrego da Pipoca Água Doce do Norte ES 16 Comunidade Padre Ezequiel Ramin Jardim Rio Claro São Paulo SP 17 Creche Padre Ezequiel Ramin Alto Coqueirinho Salvador BA 18 Escola Padre Ezequiel Ramin Bairro Redondo Alta Floresta d´O. RO 19 Escola Padre Ezequiel Ramin MT 20 Escola Padre Ezequiel Ramin Caroebe RR 21 Escola Padre Ezequiel Ramin Assentamento 25 de Maio Anchieta SC 22 Escola Agricola Padre Ezequiel Ramin Cacoal RO 23 Escola de Teologia Padre Ezequiel Ramin 22 anos de Evang.Libertadora RO 24 Escola Estadual Padre Ezequiel Ramin Juína S.Felix do Araguaia MT 25 Escola Estadual Padre Ezequiel Ramin Bairro Módulo 5 RO 26 Escola Família Agrícola 1º e 2º Graus Padre Ezequiel Ramin RO 27 Escola Municipal Padre Ezequiel Ramin Rio D´Areia de Cima Teixeira Soares PR 28 Escolas Públicas - EEEFM Padre Ezequiel Ramin RO 29 Farmácia Alternativa - Plantas Medicinais Padre Ezequiel Ramin Jí-Paraná RO 30 Fundação Educativa Padre Ezequiel Ramin S.Miguel do Oeste RO 31 IX Taça de Futebol da Prefeitura Municipal Padre Ezequiel Ramin Cacoal RO 32 Projeto Padre Ezequiel Ramin Diocese de Jí-Paraná Ji-Paraná RO 33 Projeto Jornal da Escola Estadual Padre Ezequiel Ramin RO 34 Rua Padre Ezequiel Ramin Campinas SP 35 Rua Padre Ezequiel Ramin Diadema SP 36 Rua Padre Ezequiel Ramin Jardim Alto Alegre São Paulo SP 37 Rua Padre Ezequiel Ramin - Rondolândia, MT 38 Salão Comunitário Padre Ezequiel Ramin La Paz - B.California - México 39 Comunidade Padre Ezequiel Ramin - Ariquemes RO 40 Rua Padre Ezequiel Ramin - Rondonópolis MT 41 Rua Padre Ezequiel Ramin - Cacoal, RO 42 Rua Padre Ezequiel Ramin - Residencial Sol Nascente, SP 43 Fundação Educativa Padre Ezequiel Ramin, Rolim de Moura, RO 44 Casa de Aprendizagem Padre Ezequiel Ramin - Rua Fernando Augusto 609 - Bom Jardim, Fortaleza CE Para ir à página inicial do site, clique aqui Na foto: de um martelo ... a uma loja de ferramentas!O porteiro do prostíbulo! Não havia no povoado pior ofício do que 'porteiro do prostibulo'. Mas que outra coisa poderia fazer aquele homem? O fato é que nunca tinha aprendido a ler nem escrever, não tinha nenhuma outra atividade ou ofício. Um dia, entrou como gerente do prostíbulo um jovem cheio de idéias, criativo e empreendedor, que decidiu modernizar o estabelecimento. Fez mudanças e chamou os funcionários para as novas instruções. Ao porteiro disse: - A partir de hoje, o senhor, além de ficar na portaria, vai preparar um relatório semanal onde registrará a quantidade de pessoas que entram e seus comentários e reclamações sobre os serviços. - Eu adoraria fazer isso, senhor - balbuciou - mas eu não sei ler nem escrever! - Ah! Quanto eu sinto! Mas se é assim, já não poderá seguir trabalhando aqui. - Mas, senhor, não pode me despedir, eu trabalhei nisto a minha vida inteira, não sei fazer outra coisa. - Olhe, eu compreendo, mas não posso fazer nada pelo senhor. Vamos dar-lhe uma boa indenização e espero que encontre algo que fazer. Eu sinto muito e que tenha sorte. Sem mais nem menos, deu meia volta e foi embora. O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse. Que fazer? Lembrou que no prostíbulo, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele a arrumava, com cuidado e carinho. Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego. Mas só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado. Usaria o dinheiro da indenização para comprar uma caixa de ferramentas completa. Como o povoado não tinha casa de ferragens, deveria viajar dois dias em uma mula para ir ao povoado mais próximo para realizar a compra. E assim o fez. No seu regresso, um vizinho bateu à sua porta: - Venho perguntar se você tem um martelo para me emprestar. - Sim, acabo de comprá-lo, mas eu preciso dele para trabalhar ... - Bom, mas eu o devolverei amanhã bem cedo. - Se é assim, está bom. Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e disse: - Olha, eu ainda preciso do martelo. Porque você não o vende para mim? - Não, eu preciso dele para trabalhar e, além do mais, a casa de ferragens mais próxima está a dois dias mula de viagem. - Façamos um trato - disse o vizinho. - Eu pagarei os dias de ida e volta mais o preço do martelo, já que você está sem trabalho no momento. Que lhe parece? Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias.... Aceitou. Voltou a montar na sua mula e viajou. No seu regresso, outro vizinho o esperava na porta de sua casa. - Olá, vizinho. Você vendeu um martelo a nosso amigo. Eu necessito de algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem, mais um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não disponho de tempo para viajar para fazer compras. Que lhe parece? O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um alicate, uma chave de fenda, um martelo e uma talhadeira. Pagou e foi embora. E nosso amigo guardou as palavras que escutara: 'Não disponho de tempo para viajar para fazer compras'. Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas. Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais de dinheiro trazendo mais ferramentas do que as que havia vendido. De fato, poderia economizar algum tempo em viagens. A notícia começou a se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viajem, faziam encomendas. Agora, como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia o que precisavam seus clientes. Com o tempo, alugou um galpão para estocar as ferramentas e, alguns meses depois, comprou uma vitrine e um balcão e transformou o galpão na primeira loja de ferragens do povoado. Todos estavam contentes e compravam dele. Já não viajava: os fabricantes lhe enviavam seus pedidos. Ele era um bom cliente. Com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua loja de ferragens do que gastar dias em viagens. Um dia ele lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e pensou que este poderia fabricar as cabeças dos martelos. E logo, por que não?, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras, etc. E após foram os pregos e os parafusos... Em poucos anos, nosso amigo se transformou, com seu trabalho, em um rico e próspero fabricante de ferramentas. Um dia decidiu doar uma escola ao povoado. Nela, além de ler e escrever, as crianças aprenderiam algum ofício. No dia da inauguração da escola, o prefeito lhe entregou as chaves da cidade, o abraçou e lhe disse: - É com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a honra de colocar a sua assinatura na primeira página do livro de atas desta nova escola. - A honra seria minha - disse o homem. - Seria a coisa que mais me daria prazer, assinar o Livro, mas eu não sei ler nem escrever, sou analfabeto. - O senhor?!?! - disse o prefeito sem acreditar. O senhor construiu um império industrial sem saber ler nem escrever? Estou abismado. E me pergunto: - O que teria sido do senhor se soubesse ler e escrever? - Isso eu posso responder - disse o homem com calma.- Se eu soubesse ler e escrever... ainda seria o porteiro do prostíbulo! Geralmente as mudanças são vistas como adversidades, mas podem se tornar oportunidade de uma vida nova! Na foto: O Sahel (significa “costa” ou “fronteira”) é a região da África situada entre o deserto do Sahara e as terras mais férteis a sul, que forma um corredor quase ininterrupto do Atlântico ao Mar Vermelho, numa largura que ocila entre 500 e 700 km.Normalmente, incluem-se no Sahel o Senegal, a Mauritânia, o Mali, o Burkina Faso, o Níger, a parte norte da Nigéria, o Chade, o Sudão, a Etiópia, a Eritreia, o Djibouti e a Somália. Por vezes, usa-se este termo para designar os países da África ocidental, conhecidos como países de escassa precipitação pluvial. Os apelos à mobilização aumentam, enquanto as populações começam a fugir das zonas atingidas. “Geralmente relutamos em usar esse termo. Mas agora ele deve ser usado: o leste do Sahel enfrenta o fantasma da fome”, explica Olivier Longué, diretor-geral da Ação contra a Fome Madri, filial da organização não-governamental (ONG) que opera nessa região da África onde 300 mil crianças já morrem a cada ano de desnutrição. As chuvas erráticas – fracas demais em alguns momentos, violentas demais em outros – prejudicaram seriamente a produção cerealista de 2009 em alguns países do Sahel: -34% no Chade em relação a 2008, -31% no Níger, -10% em Burkina Faso. Ainda que o Mali tenha se saído melhor no total (+10%), o nordeste do país também foi atingido. E isso gerou verdadeiros temores quanto à segurança alimentar das populações, uma ameaça já identificada há alguns meses. Há alguns dias vêm aumentando os apelos à mobilização: em 31 de março, a ONG Oxfam estimava que “10 milhões de pessoas poderiam ser vítimas de uma grave crise alimentar” nos próximos meses; na terça-feira (6), o Comitê Internacional da Cruz Vermelha anunciava que iria triplicar sua ajuda ao Níger e ao Mali; no mesmo dia, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicava que 860 mil crianças com menos de 5 anos que vivem na região poderiam precisar “de tratamentos contra desnutrição aguda severa”; na quarta-feira, a ONU divulgava que ainda lhes faltava US$ 133 milhões (R$ 230 milhões), de um total de 190 milhões, para completar um programa de ajuda de emergência ao Níger. “Estamos diante de uma situação realmente preocupante, mas não diante de uma fome”, relativiza Alhousseini Bretaudeau, secretário executivo do Comitê Interestadual de Luta contra a Seca no Sahel. “A produção de cereais no Sahel atingiu 16 milhões de toneladas em 2009, para necessidades estimadas em 14 milhões de toneladas. O verdadeiro problema é a má circulação dos alimentos, que cria bolsões de populações subalimentadas”. “Países como o Níger ou o Chade estão sempre na corda bamba, ainda são dependentes das importações”, acredita Bernard Bachelier, presidente da Fundação para a Agricultura e Ruralidade no Mundo (FARM). “Entretanto, depois dos tumultos causados pela fome, os países ricos haviam prometido ajudar no desenvolvimento de culturas alimentares no mundo ao prometer desbloquear 20 bilhões de euros em 2008, e mais 23 bilhões em 2009. Mas essas somas ainda não foram pagas”. O Níger, ainda marcado pela grande fome de 2005, e onde a expectativa de vida é de 45,6 anos, é o país onde a situação é considerada a mais preocupante. No início do ano, um relatório governamental indicava que 7,8 milhões de pessoas, ou seja, 58% da população, se encontravam em situação de insegurança alimentar severa ou moderada. Ou seja, três vezes mais do que em 2008. Essa situação contribuiu bastante, segundo humanitários e diplomatas, para a queda do regime do presidente Mamadou Tandja, em 18 de fevereiro, que tentava minimizar a extensão do fenômeno. A junta militar que chegou então ao poder logo indicou que sua prioridade seria lutar contra “a fome que ameaça a existência de milhões de nigerinos”. Alguns deles já entraram no período de tempo entre o esgotamento das reservas e as novas colheitas, que acontecerão no fim de setembro e início de outubro. Esse período normalmente não começa antes de junho. Por isso, explicam observadores locais, famílias inteiras – e não somente homens, como aconteceu em outros anos - se deslocaram até os centros urbanos, na esperança de ganhar mais dinheiro e encontrar alimentos. Niamey também reconheceu, em 2 de abril, que escolas primárias estavam parcial ou totalmente esvaziadas de seus alunos na região de Zinder (centro-sul), em razão do êxodo das famílias em direção às cidades, onde os salários são, por isso, nivelados por baixo. Os criadores de animais são os mais fragilizados, pois a queda da produção de forragem, da ordem de 60%, afetou profundamente seu gado, que perdeu quase todo seu valor em razão de seu estado: um carneiro, que era vendido a 30 mil a 50 mil francos CFA (R$ 107 a R$ 178), pode agora valer até dez vezes menos. Essa situação exige uma resposta urgente e coordenada, acreditam as ONGs. “Nós estamos reagindo tarde demais”, acredita um diplomata. “Nós já não estamos mais em uma lógica de prevenção, mas sim de atenuação da crise. Não adiantará nada acordar em junho, quando as câmeras da BBC estiverem lá”. Na foto: Consciente do que o caso pode provocar, o Presidente Zuma pediu calma e que “os sul-africanos não permitam aos agentes provocadores aproveitar-se da situação para incitar, ou para alimentar, o ódio racial”.Renasce a desconfiança entre negros e brancos na África do Sul Em uma África do Sul que tenta se reinventar sob uma forma multirracial há menos de vinte anos, a cena parece um pesadelo. Diante do pequeno tribunal de Ventersdorp, onde na terça-feira (06/04) compareceram os dois supostos assassinos do líder de extrema direita Eugène Terreblanche, os brancos estão à direita. À esquerda, os negros. No meio, policiais amedrontados que queriam estender arame farpado entre os grupos vociferantes para evitar que o confronto racial virasse uma briga, mas seus caminhões atolaram. Um breve momento de relaxamento. O que opõe as duas massas hostis é a abertura do julgamento do homem de 28 anos e do adolescente de 15 empregados na fazenda de Eugène Terreblanche, que o teriam matado em uma briga causada por sua recusa em pagar três meses de salários atrasados. Essa versão deve ser ouvida com cautela. No momento, ninguém se pergunta sobre o fato de que um menor seja empregado e aparentemente mal pago em uma fazenda sul-africana. O julgamento, já pego pela fúria racial, será realizado a portas fechadas. Para as centenas de militantes ou simpatizantes do partido de Eugène Terreblanche, o Movimento de Resistência Africâner (AWB) – cujo eixo político foi por muito tempo a utilização da violência para impor os valores do apartheid - , Eugène Terreblanche era um “combatente da liberdade”, segundo Tiaan Theron, que pegou nove horas de estrada para vir até Ventersdorp defender o direito dos africâneres de “se autogovernarem”, e se define como “um bôer” (fazendeiro, e também todos os africâneres, descendentes de colonos europeus)”. Em frente, membros da ANC (Congresso Nacional Africano, partido governista) organizam a contramanifestação. Entre a multidão vinda da municipalidade vizinha de Tshing, ainda se baixa o tom para dizer certas coisas. “Sempre tivemos medo dos fazendeiros. Não se pode brigar com essa gente, eles são perigosos demais”, acredita Godefrey Mokone. “À noite, eles dizem que os negros não devem ficar na cidade...” Do lado da ANC há um herói: Julius Malema, líder do braço da juventude do partido, que trata das relações raciais usando uma linguagem que se inspira mais em Robert Mugabe, o ditador zimbabuano, do que em Nelson Mandela. Julius Malema acaba de colocar novamente em circulação uma antiga canção dos anos de luta, cujo refrão clama “Mate o Bôer!” Ódio palpável! Os africâneres, por sua vez, devolvem a provocação apresentando-se como vítimas de uma campanha “de eliminação”, segundo Quentin Diederichs. Pois tanto entre os negros como entre os brancos, concorda-se em uma coisa: o assassinato de Eugène Terreblanche é uma formidável ferramenta de promoção política. Então não será derramado sangue em Ventersdorp hoje, pois cada lado sabe o quanto o espetáculo da violência seria contraprodutivo. O porta-voz da AWB, Piet Steyn, chega a anunciar que uma “vingança” está fora de cogitação. A AWB estava prestes a ser extinta. O partido garante ter recebido a inscrição de “3 mil novos membros” desde domingo, e ganhou um novo líder, Steyn van Ronge, para promover “soluções não-violentas”, tentando aparecer como o partido dos brancos vítimas das injustiças da África do Sul pós-apartheid. “Como eu poderia estar feliz em ser o representante de uma minoria em um país governado por uma maioria que me é hostil, e onde pessoas como eu são mortas?”, pergunta Tiaan Theron. Alguns agitadores desprezam as recomendações, como o senhor de braços grossos como coxas que não consegue resistir à tentação de dar uma breve aula de história, mas não seu nome: “Éramos só alguns poucos [no século 19, os primeiros africâneres] e conquistamos todas essas terras porque Deus estava conosco. Foi Deus que nos trouxe aqui, não vamos embora assim. Diga isso aos negros”. Do lado africâner, estendem as bandeiras do apartheid e das repúblicas bôeres de antes de 1910. Em frente, os negros cantam. O ódio é palpável, a história sul-africana não chegou ao fim, na terça-feira, em Ventersdorp. ![]() Na foto: O Sudão é o maior país da África. Localizado no Centro-Leste do continente, tem como religião predominante (especialmente no norte) o islã, seguido por 65% da população. As religiões tribais tradicionais são adotadas por 10,61% das pessoas do Sudão, enquanto o cristianismo corresponde a 23,19% dos habitantes. Estes dois últimos grupos se concentram no sul do país. 11 de abril: eleições no Sudão Mais de 15 milhões de sudaneses (80% do último censo eleitoral) estão convocados às urnas em 11 de abril para eleger o novo presidente da República, que deverá preparar o caminho para o transcendental referendo, em janeiro de 2011, sobre a independência do sul do país. Diversas interrogações pairam sobre as primeiras eleições multipartidárias em 24 anos no maior país africano, devastado por décadas de guerras, fome e doenças, que deixaram 2 milhões de mortos e até 4 milhões de desalojados. Os partidos de oposição pediram várias vezes o adiamento das eleições por falta de garantias, e não descartam o boicote. A primeira anomalia do processo é que o presidente e principal candidato, Omar Hassan al Bashir, do Partido do Congresso Nacional (PCN), enfrenta há um ano uma ordem de captura emitida pelo Tribunal Penal Internacional, por crimes de guerra em Darfur. 'Somos a favor da união, mas não queremos ser cidadãos de segunda classe', diz Ali Abdelatif, braço-direito de Yasir Arman, candidato presidencial do Movimento de Libertação do Povo do Sudão (MLPS), principal força política do sul. 'Com uma Constituição federal verdadeira, muitos problemas poderiam ser resolvidos.' Ontem à noite Arman decidiu retirar sua candidatura. A maioria dos sudaneses do norte duvida que a divisão do país seja a solução. O economista Ahmed Osman afirma que 'a experiência demonstra que a região precisa de uma maior integração, e não a desintegração das nações existentes', e que um país como o sul do Sudão, fechado em si mesmo, só seria viável com 'uma ajuda internacional maciça'. 'A independência não funcionaria, da mesma forma que não funciona na Eritréia [nação soberana desde sua separação da Etiópia em 1993]. O sul do Sudão independente correria o risco de entrar em uma fase de guerras tribais', diz Osman. A convocação das eleições para 11 de abril e o referendo no próximo ano fazem parte dos acordos de paz assinados em 2005, que concederam a autonomia ao sul e abriram a porta para um governo de união nacional em Cartum, que não funciona como tal. Os confrontos continuam derramando sangue no sul e em Darfur, e este ano já causaram 450 mortes e deixaram mais 60 mil pessoas deslocadas. Nesse clima de ódio e desconfiança, as questões não resolvidas antes do referendo aparecem como muralhas difíceis de superar. A demarcação dos 12.700 quilômetros que separam o norte do sul, sobre a qual não há acordo entre as partes, é essencial para realizar um referendo em mínimas condições, sobretudo se a maioria dos habitantes do sul votar na independência. Do traçado de uma fronteira clara depende o futuro recuo do exército sudanês, a distribuição de 50% das receitas do petróleo extraído no sul (a localização de alguns poços está em disputa), a água e o futuro de três áreas polêmicas como as montanhas da Núbia, os férteis campos do sul do Nilo Azul e a região petrolífera de Abyei. O censo oficial da população, elaborado a partir do norte, é outro motivo de atrito. Dos 39 milhões de habitantes do Sudão, 8 milhões são originários do sul, segundo esse cálculo. Os dirigentes dos territórios meridionais elevam o número para 13 milhões, para manter o direito de receber um terço do orçamento do Estado, que o governo de Cartum pretende diminuir para um quinto do total. 'A interdependência entre o norte e o sul do Sudão sobre os recursos, a residência, a cidadania e o constante deslocamento da população nômade é palpável', disse sir Derek Plumby, presidente da comissão de avaliação dos acordos de paz de 2005. 'Mas o direito à autodeterminação da população do sul é inalienável', acrescentou. 'É decisão deles. Vamos trabalhar pela união, mas garantindo a boa vizinhança, a interdependência e a paz.' Os dirigentes do sul querem abertamente a independência total. Na realidade, não estão muito longe dela. Têm seu próprio exército, governo, orçamento e US$ 8 bilhões que recebem anualmente pelas receitas do petróleo. O Sudão é um país com uma diversidade de tribos, idiomas, culturas e religiões, ponte entre os mundos árabe e africano, onde 'a união pela força nunca poderá funcionar', segundo um embaixador europeu. 'O sul ameaça com a guerra se não se realizar o referendo', acrescenta. O Sudão viveu os últimos 21 anos (desde o golpe de Estado de junho de 1989) sob um regime autoritário e corrupto que ensanguentou a área rural do país. Mas nos núcleos urbanos, onde vivem 40% da população, é frequente a opinião de que o país melhorou. O petróleo permitiu a construção de estradas, os cortes de luz são menos frequentes e o custo da moradia e dos veículos é mais acessível. Leia mais notícias clicando aqui Na foto: mapa da Jamaica e padre Richard Ho LungEntrevista com o padre fundador Richard Ho Lung O fundador de uma nova ordem monástica internacional dedicada a servir aos mais pobres dos pobres afirma que esta vocação é uma fonte de alegria para muitas pessoas. Com início em 1981, pelo padre Richard Ho Lung, os Missionários dos Pobres somam atualmente 550 religiosos, irmãos e sacerdotes, que trabalham na Jamaica (onde a ordem foi fundada e mantém sua casa geral), Índia, Filipinas, Uganda, Quênia e Estados Unidos. O padre Ho Lung, que originalmente se educou e foi ordenado no seio jesuíta, sentiu um chamado diferente quando se aventurou nos barracos que cercavam a paróquia da qual era pastor na Jamaica. Naquele momento, decidiu se dedicar exclusivamente a construir uma família e uma comunidade entre os pobres e desfavorecidos, através de uma nova ordem religiosa. Nesta entrevista ao programa de televisão “Deus chora na Terra”, de Catholic Radio and Television Network (CRTN), em cooperação com Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), o sacerdote fala sobre seu chamado a servir os pobres, a alegria que experimenta dentro de sua ordem e as esperanças para o futuro. –Como foi este chamado; foi uma decisão fácil? Padre Ho Lung: Houve um incidente em que 155 mulheres e senhoras anciãs morreram queimadas em um edifício pertencente ao governo da Jamaica. Isso revolveu minha consciência. Foi uma tragédia terrível. Depois daquilo, enquanto ensinava na Universidade das Índias Ocidentais, na Jamaica, precipitei-me em oração, e na figura de Cristo, trabalhando (...) com as pessoas mais pobres e as mais esquecidas que chamavam a minha consciência. Comecei a me fazer perguntas. Era o Senhor quem as fazia: “Vais ser de verdade um autêntico cristão ou não? Vais ser um autêntico sacerdote ou não?” –Essas perguntas devem ter sido um processo difícil? –Padre Ho Lung: Sim, é como Jacó lutando com os anjos. E, obviamente, venceu o Senhor. Fui uma época de muita exigência espiritual e (ainda assim também) a melhor das épocas. Em ocasiões eu lutava com o Senhor e lhe perguntava: “como pode ser tão contraditório?” Em primeiro lugar, chamar-me a trabalhar com os mais pobres e nas mais difíceis situações, onde parece que não tenho nada que fazer com meu intelecto. Mas me dei conta de que muitas da formas de enfrentar os problemas dos mais pobres requeria, de fato, cada parte do que eu havia aprendido e, assim, os jesuítas foram verdadeiramente uma preparação para minha vocação (como fundador) dos Missionários dos Pobres. –Sempre teve um coração para os pobres? O que atua no interior? Em que momento disse de verdade: isto é o que sinto chamado a fazer? Padre Ho Lung: Creio que meu pai, que é chinês e veio do Extremo Oriente, ao se casar com minha mãe, implantou em nós uma grande atenção pelas necessidades dos pobres. Não deixava de repetir: “lembrem-se de que vocês são pobres; recordem que eu sou pobre e lembrem-se das pessoas mais pobres”. Ele nos fazia ter em mente que as pessoas da Jamaica, ainda que fossem pobres, eram as melhores pessoas, e sem os pobres que vinham ao nosso lar e ao pequeno comércio de alimentação que tínhamos, não estaríamos vivos. Por isso, dizia: “agradeçam sempre, e haja o que houver na vida, nunca esqueçam dos pobres, onde quer que estejam”. Aquilo foi o início, inclusive antes de que me tornasse católico. –O senhor escolheu como lema: “serviço alegre na Cruz com Cristo”. Por que elegeu este lema para os Missionários dos Pobres? Padre Ho Lung: Uma vez que a comunidade começou, notei um fenômeno estranho. Os irmãos, a cada dia, trabalhariam com as pessoas mais pobres, fazendo os trabalhos mais simples, lavar as pessoas, cozinhar, fazer a barba, cortar o cabelo, e também limpeza. E eles voltavam todos os dias, cheios de alegria, ainda que pudéssemos nos encontrar com pessoas que morriam de Aids, gente com enfermidades psíquicas, ou leprosos. Pensei que isso era muito misterioso. Mesmo sabendo que trabalhar com os pobres é levantar a cruz de Cristo. E no entanto eles estavam tão felizes ao fim do dia que adotamos o lema: “serviço alegre na Cruz com Cristo”. Qual é sua maior alegria neste trabalho? Padre Ho Lung: Saber que somos um com Cristo, mente e coração, e saber também que vivemos dos sacramentos, e da Palavra de Deus. Esse sentido da proximidade e intimidade com Deus é grande. Quando olho estas jovens e belas vocações e vejo sua enorme alegria e entusiasmo, franqueza e felicidade, em gente jovem inclusive até o momento da morte; estão preparados para entregar suas vidas; nada pode me satisfazer tanto como isso. –Qual o maior sofrimento? Padre Ho Lung: Nosso maior sofrimento foi quando dois de nossos irmãos foram assassinados. Foram mortos em Kingston, precisamente no coração do gueto e à noite, de forma misteriosa. Para mim a para a comunidade foi uma tristeza amarga. Que lições tirou destes assassinatos? Padre Ho Lung: Em primeiro lugar, a morte dos irmãos demonstrou o enorme compromisso que os jovens têm. Ninguém se foi. De fato, nossa comunidade cresceu, e verdadeiramente muito, desde a morte de nossos irmãos. E o verdadeiro significado da cruz de Cristo. Tudo se fez muito profundo nos corações e nas mentes dos irmãos. Eles tiveram de passar por um grande discernimento e compreensão de que isso é sério. O que implica tanto sua vida como possivelmente sua morte, mas conseguimos seguir ao lado das pessoas. O impacto na ilha – que não é católica – foi enorme, em cada uma de suas esquinas. Houve um sentido muito profundo da tragédia que é a vida no gueto na Jamaica. –Quais são seus planos e esperanças? Padre Ho Lung: Há pressões pela legalização do aborto na Jamaica, o que é uma grande ofensa ao Senhor. Atravessando os guetos, os irmãos encontraram bolsas de plástico com dois bebês que tinham sido assassinados. Os irmão vieram a mim e disseram: “padre, sabemos o que o senhor sempre nos ensinou sobre o problema do aborto, que é o mais cruel e mais terrível dos crimes. É necessário que iniciemos um lar para mães não casadas, mulheres que abortariam, outro lar para crianças, como uma opção para as mulheres que de outra forma matariam seus filhos”. E após a oração, decidimos, como comunidade, que abriríamos um lar. Muitas das mulheres não estão casadas, obviamente, e todo dia elas podem deixar seus bebês conosco. Podem ir trabalhar em vez de perder seus trabalhos. Depois buscam seus filhos e retornam a casa. Mas também queríamos ter missa, uma evangelização no mesmo edifício, aos sábados e domingos, de modo que as pessoas pudessem se aproximar de Cristo e da Igreja. Também gostaríamos de ter uma clínica pré-natal para que as mulheres que estivessem pensando em abortar viessem a nós e pudessem ter cuidados que as convencessem a não proceder ao abortamento. Perguntaríamos a elas se gostariam de usar nosso centro de cuidado durante o dia, ou se desejariam deixar os bebês para que fossem adotados. Nós daríamos uma solução.
21 Fraccesco Vialetto 27 Giuseppe Cavalieri Abril 3 Angelo Compri 4 Bruno Nzigiye Maio 5 Remo Mariani 6 Aldo Gerna Luigi Falone 9 Angelo Di Prisco 10 Luciano Marini
Elio Savoia 19 Robert Sottara 20 Jaymir Bada Junho 6 Joaquin Sánchez 9 Aurelio Riganti 16 Antonio Zagotto 50 anos de Ordenação sacerdotal: Padre Pietro Bracelli Padre Antonio Di Lella
50 anos de Profissão religiosa: ATA DO CONSELHO PROVINCIAL - 01/2010 Casa Provincial, São Paulo, 10, 11 e 12 de Março de 2010 Presentes: Pe. Alcides Costa, Pe. Joaquim Pinto da Fonseca, Pe. Pietro Bracelli, Pe. Vanderlei Bervian e Pe. Walter Borghesi. Participaram por uma sessão os padres Giampietro Baresi, Carlos Faggion e Bartolomeo Lino Cordero. Projeto Missionário da província e encaminhamentos da Assembléia Provincial de setembro 2010: Secretariados: Evangelização: a) Projeto conjunto dos Missionários Combonianos, Irmãs Missionárias Combonianas e Leigos Missionários Combonianos. O padre Alcides participou do encontro com o bispo diocesano de Humaitá dom Meinard Francisco Merckel no dia 4 de março. Neste encontro participaram o padre Massimo Ramundo, as três irmãs combonianas: Cândida, Rosa e Olga e a leiga comboniana Rose. Nesta ocasião foi decidido que a coordenadora do projeto é a irmã Cândida e o padre Massimo receberá do bispo a provisão para o trabalho pastoral. O bispo oferece a área que vai de Humaitá até Apuí (uma faixa de 300 Km). Na área tem uma ‘quase paróquia’ e a presença de colonos e das comunidades indígenas dos Tenharim e dos Parintintins. A equipe será formada por três Irmãs Missionárias Combonianas que já estão em Santo Antonio do Matupi, o Pe. Massimo Ramundo e o leigo comboniano Osmar que vai chegar no final de abril. Em Santo Antonio do Matupi tem também uma casa para o padre e o leigo. A diocese colabora com um salário e meio para os agentes que nela trabalham. O Pe. Massimo tem como referência a comunidade religiosa de Porto Velho. b) Em Porto Velho nós ficamos com a paróquia de Nossa Senhora das Graças com 3 comunidades. Assumimos a área de São Carlos, distante 60 km de Porto Velho em direção de Humaitá e Calama, para o trabalho com os povos ribeirinhos. O jovem Wigno Paulo dos Santos foi acolhido pela comunidade para um ano de experiência pastoral e discernimento vocacional. c) Leigos Missionários Combonianos: O padre Giorgio Padovan é o encarregado em nome da província para acompanhar os leigos missionários combonianos. d) Encontro continental da pastoral afro: O padre Fidele Katsan que participou em nome da província do primeiro encontro comboniano da pastoral afro em nível continental que aconteceu em Guayaquil (Equador) nos dias 1 a 6 de março deixou para os membros do conselho o relatório final. No encontro participaram 22 missionários e missionárias combonianas que trabalham com a pastoral afro no continente americano. Os objetivos deste encontro: a) obter uma visão geral da pastoral afro no continente; b) chegar a linhas comuns como combonianos na América e c) impulsionar a pastoral para que ajude o povo afro para que seja visto não como objeto e sim como sujeito do Reino. Para articular melhor o trabalho a nível continental foi escolhida uma comissão coordenadora da pastoral afro a nível continental: padre Joaquim Pedro, padre Rafael Savoia (articulador) e padre Arturo Bonandi. Animação Missionária: a) Semana Comboniana nas nossas comunidades: O Conselho Provincial, motivado pelas indicações da assembléia da animação missionária do final do ano passado e pelo secretariado da economia pede que cada comunidade organize uma semana comboniana nas comunidades/paróquias onde estamos presente, por ocasião da Festa do Sagrado Coração de Jesus. Uma equipe em São Paulo vai elaborar o material que será enviado a cada comunidade. É um momento importante para nos dar a conhecer e, ao mesmo tempo, envolver as pessoas próximas a nós no nosso projeto missionário, com a solidariedade, mas também com o apoio econômico. Contamos com a colaboração de todos. b) Semana de animação missionária: Por ocasião da celebração dos 25 anos do Martírio do Pe. Ezequiel Ramin, 18 a 24 de julho de 2010, na paróquia de Cacoal, está sendo organizado uma semana de animação missionária para celebrar este evento. Como província estamos todos convidados a apoiar e a participar. c) Semana vocacional em Carapina: O padre Robinson Castro Cunha comunicou que a semana vocacional deste ano está prevista para os dias 26 a 30 de julho em Carapina onde deverão participar todos os candidatos a ingressar no postulantado em 2011. Formação: a) Encontro de formação no México: O padre Vanderlei Bervian partilhou sobre as conclusões do encontro continental da formação acontecido em Sahuayo nos dia 22 a 27 de fevereiro de 2010 com a presença de 30 formadores e promotores vocacionais que trabalham no continente americano. Esteve presente também o formador do postulantado de Manila padre Rocco Betolli e o secretário geral da formação padre John Baptist Opargiw. Da nossa província além do padre Vanderlei, formador e conselheiro responsável pela formação, participaram também o padre Giorgio Padovan e o padre Carlos Peinhopf. O objetivo do encontro foi atualizar o caminho formativo no continente a partir das orientações do XVII capítulo geral de 2009 e fortalecer a caminhada em conjunto em nível continental neste setor, sobretudo agora em que temos um único noviciado no continente e os escolasticados continentais. Nos dois primeiros dias houve um momento de formação permanente coordenado pelo padre Siro Stocchetti sobre o método educativo da integração e depois disto teve um momento de partilha dos trabalhos feitos e encaminhamentos concretos sobre a elaboração das cartas educativas nas várias etapas formativas. Um dos aspectos abordados foi referente ao limite de idade de admissão de nossos candidatos. Houve consenso no grupo em aceitar que o limite de idade para admissão dos candidatos passe dos 25 anos atuais para 28 tendo em vista que nossos jovens estão demorando mais em tomar uma decisão. Falamos também da necessidade da gradualidade e da continuidade em todas as etapas formativas. Por isso é importante que desde o momento da promoção vocacional os promotores já apresentem aos candidatos os aspectos essenciais do carisma comboniano e que em cada fase seja trabalhado os itens descritos pela Ratio Fundamentalis. Sobre a idéia de postulantados interprovinciais o grupo expressa a importância de manter esta fase formativa na própria província indo de acordo com as orientações do capítulo geral que deseja que em cada circunscrição se crie uma ‘cultura vocacional’ e assim todos os membros se sentem corresponsáveis pela promoção e formação de seus candidatos. No que se refere ao noviciado continental concordou-se que com os números atuais (9 noviços – 5 do segundo ano e 4 do primeiro) é melhor manter apenas um noviciado no continente onde todos os provinciais juntamente com o secretariado de formação acompanhem as atividades do mesmo. Sobre a etapa do escolasticado, o padre Giorgio Padovan teve a oportunidade de explicar aos participantes a experiência iniciada em Nova Contagem de um pequeno grupo de escolásticos inseridos em uma comunidade comboniana. Após sua explicação houve um momento de esclarecimentos e os participantes entenderam melhor em que consiste esta nova experiência que o instituto começou dando-lhe seu apoio. No que se refere ao escolasticado de São Paulo os participantes demonstraram-se interessados na permanência do mesmo, embora com número reduzido de estudantes, por isso mesmo aguardam e apóiam a nomeação do formador substituto do padre Fidele Katsan. b) Pré noviços: Ricardo de Sousa Borges Rego e Eder Ferreira Queiroz participaram no retiro provincial nos dias 25 a 29 de janeiro e logo em seguida foram para Carapina para um mês de trabalho de animação missionária com o padre Robinson. Dia 8 de março ambos chegaram a Nova Contagem para uma preparação prévia ao noviciado. Em meados de Maio vão de férias em família e no início de junho viajam para o México onde terão dois meses e meio para estudar o espanhol e no dia 20 de agosto iniciam o noviciado em Sahuayo. c) Postulantado: O padre Carlos Peinhopf se integrou na equipe formativa e juntamente com o padre Bruno Nzigiye e acompanha o grupo de 8 postulantes: Quatro do primeiro, três do segundo e um do terceiro ano. d) Escolasticado de São Paulo: O ano escolar iniciou com o retiro anual junto com a província. A comunidade é composta pelos dois formadores: Vanderlei e Fidele e 8 escolásticos (4 finalistas, 3 do terceiro e um do segundo ano). O padre Fidele deixa São Paulo em meados de Abril e estamos na espera da destinação dum outro formador para compor a equipe formativa. e) Comunidade de Nova Contagem com a presença de um pequeno grupo de escolásticos inseridos na realidade pastoral e de missão comboniana: Os dois escolásticos Willy e René participaram do retiro provincial e iniciaram o primeiro ano de teologia no início de fevereiro. O padre Sandoval Luis Dutra da Luz já está se entrosando na comunidade e nos meses de março a maio os dois pré noviços: Ricardo e Eder vão fazer ali uma experiência comunitária e de preparação ao noviciado. Para o mês de agosto está previsto a chegada de dois neo-professos para completar assim a comunidade de quatro escolásticos prevista no projeto inicial. f) Renovação dos votos Rafael Gemelli Vigolo: O pedido de renovação dos votos do escolástico Rafael Vigolo foi lido no conselho juntamente com o relatório dos formadores do escolasticado de Lima; tendo em vista a avaliação positiva dos mesmos aprovamos unanimemente o seu pedido. g) Secretário da formação: O Conselho provincial nomeia o padre Karl Peinhopf como o novo secretário da formação. Economia: O ecônomo provincial padre Lino Bartolomeo Cordero participou de uma sessão do conselho onde apresentou o relatório econômico do ano 2009 aprovado pelo secretariado de economia e a apresentação do balancete para o Economato Geral. Após sua explanação houve uma troca de idéias para entender melhor a situação financeira da província. Depois disto tratou-se de alguns temas concernentes a economia e os imóveis da província e foi falado sobre a proposta da venda do seminário de São José do Rio Preto a partir de um orçamento apresentado pelo Ir. Mario Fortuna de uma imobiliária. A proposta foi encaminhada ao secretariado da economia. Diante disso apresentaram a proposta de não vender somente o seminário, mas fazendo uma avaliação da nossa presença em Rio Preto, vender toda a área com o seminário e a casa Comboni e investiríamos o dinheiro em imóveis para ter retorno de manutenção da província. Para a casa dos doentes se pensa de reformar a casa provincial para acolhê-los e assim não teria necessidade de ficarmos com duas casas com esta finalidade, pois as duas precisam de reformas. No próximo encontro do setor este assunto será tratado com os confrades para chegarmos a uma proposta concreta para ser apresentada e decidida na assembléia provincial de Setembro. O Conselho provincial encaminha a proposta para ser estudada pelo secretariado da economia, um membro da comunidade de Rio Preto e outras pessoas entendidas do assunto na cidade de Rio Preto Comunidades: a) Boa Vista: O irmão Antônio Marchi viajou para a Itália para suas férias e para fazer um tratamento médico. Terminado este período e se estiver em boas condições de saúde, volta para a comunidade de Boa Vista. O padre Henry Dunn terminou o curso básico do CIMI, participou da assembléia do regional do CIMI, está animado na causa indígena. Ele está aproveitando a estação da seca para visitar as comunidades indígenas. O padre Joaquim Fonseca comunicou sobre a situação grave da saúde de sua mãe. Ele está programando suas férias logo após o conselho provincial de maio permanecendo um período mais prolongado em Portugal com a família e também para ajudar no cuidado dela. b) Manaus: O padre Alessandro Garbagnati chegou à comunidade no final de fevereiro e está bem animado e se entrosando no trabalho pastoral. O padre Balbino Rodriguez Lorenzana dá continuidade aos trabalhos pastorais com a perspectiva de no final do ano ir de férias e entrar no processo de rotação. O Conselho vê a necessidade de fortalecer a comunidade com novos membros para que seja possível concretizar o projeto inicial partindo da realidade pastoral da paróquia abrangendo as outras dimensões urgentes da Amazônia (mundo indígena, movimentos sociais, JPIC). A previsão é que o padre Walter Borghesi chegue a Manaus no início de 2011. c) Mooca: O padre Giampietro Baresi participou de uma sessão do conselho, e no diálogo com ele, o conselho pede para ele acompanhar o trabalho com os doentes e anciãos. Também pede a ele de elaborar, junto com a equipe o projeto provincial com os idosos. d) Duque de Caxias: Santa Terezinha: o padre Mario Fioravanti depois de vários comunicados e as orientações do conselho provincial, escreveu ao provincial informando que não se sente de ir a Rio Preto, mas está disposto a ir poara a Itália no inicio de Maio O Conselho aceita a decisão e faz votos de que ele possa encontrar a comunidade que o acolha e onde ela tenha todos os meios necessários para ser acompanhado. e) São José do Rio Preto: O padre Lodovico Bonomi chegou de suas férias e está na comunidade de São José do Rio Preto. O padre Enrico Galimberti encontra-se na Itália em tratamento médico. O padre Angelo Zen vai para a Itália em Maio para fazer a cirurgia da perna. Os demais membros da comunidade se encontram bem. Pessoas: O padre Ismaele Matterazo viaja para a Itália no dia 22 de março e será destinado à província italiana. O padre André Pazzaglia continua na Itália, tendo em vista a situação de sua saúde será destinado a província italiana. O padre Mansueto Dal Maso continua em Cacoal e se comprometeu em participar da equipe que está preparando a celebração dos 25 anos de martírio do padre Ezequiel Ramin. Devem-se tomar passos concretos e por escrito para regularizar sua situação. O irmão Antonio Marchi se voltar bem da Itália voltará para Boa Vista, caso contrário pode ser destinado a outra comunidade. O padre Elio Savoia é destinado a comunidade de Carapina a partir de 1º de março de 2010. No mês de junho vai de férias na Itália. O padre Pietro Bracelli viaja para a Itália dia 18 de maio e será destinado à província italiana. Destinações à província: a) Jervas Mawut Mayik Nyok: Está fazendo o curso em Brasília no CCM até o final do mês de abril. Sua família no Sudão está passando por momentos difíceis, por isso ele pediu para voltar para casa para tentar resolver o problema familiar. A proposta é que ele termine o curso e retorne para o Sudão por um período de dois meses e quando regressar à província receberá a destinação. b) Marnecio Coralde Cuarteros: Está fazendo o curso para os missionários estrangeiros no CCM em Brasília e depois vai ser destinado para a Comunidade Boa Vista. Celebração dos 25 anos do martírio de padre Ezequiel Ramin: Na foto: Hia Dexiao, de 83 anos, vive nas ruas de Pequim há dez.Desde o início das reformas econômicas de 1978, nunca a diferença de renda entre o mundo rural e o mundo urbano havia sido tão grande. É um bairro bagunçado composto por barracos sujos, às vezes tortos, prédios feios de sacadas cobertas por varais de roupas, ruelas lamacentas onde o lixo se acumula, tudo isso esmagado pela luz triste e úmida do céu baixo de inverno. Os mercados estão bem abastecidos de aves e peixes, mas cheiros acres e fortes saem dos botecos baratos. Na esquina de uma rua, um cozinheiro mexe uma comida esquisita em uma frigideira wok. Homens de jaqueta de couro falso e bonés estilo Mao conversam enquanto fumam. Mulheres ninam seus bebês embrulhados em cobertas. A menos de quinze minutos de carro das grandiosas instalações olímpicas, Dong Xiao Kou é um bairro de proletários migrantes. Não é miserável, mas é pobre. O lugar ilustra aquilo que a imprensa chinesa anunciou há cerca de dez dias: desde o início das reformas econômicas de 1978, nunca a diferença de renda entre o mundo rural e o mundo urbano havia sido tão grande. Aqui, apesar de estarmos em Pequim, quase todos os habitantes desse subúrbio são de origem camponesa. Eles fazem parte dos 230 milhões de “operários-camponeses” chineses – mingong, em mandarim – que vieram tentar a sorte nas cidades. Mas nem por isso conseguiram alcançar o status de “urbanos”. Consequência: muitos deles não recebem os benefícios sociais obtidos pelos citadinos. A sra. Liu, 50, mãe de família, veio de Hebei, a província que cerca a capital. Ela não se queixa muito de sua sorte. É uma senhora simples, sorridente, falante. Mas precisa ser pressionada para enumerar a lista de suas dificuldades. Primeiro, munida de números, ela constata: “Trabalho como faxineira em um conjunto residencial. Ganho 900 yuans (R$ 217) por mês. Meu aluguel é de 300 yuans”. A sra. Liu mora aqui há oito anos e vive eternamente de maneira provisória: “Já fui despejada do primeiro apartamento onde morei, pois o proprietário vendeu seus imóveis para lucrar com a alta dos preços”. E agora? “Ora, já encontrei outra moradia, mas não tenho garantia nenhuma. Nada. Posso ser expulsa de uma hora pra outra!”, exclama. Ela se sacrifica por suas duas filhas: uma conseguiu entrar na universidade, a outra é vendedora em um bairro comercial de Pequim. Para descrever sua instabilidade, a sra. Liu diz: “No meu trabalho, meus colegas e eu muitas vezes somos humilhados”. As diferenças de renda entre os possuidores e os despossuídos do crescimento chinês são tão gritantes que o primeiro-ministro, Wen Jiabao, abordou o assunto na abertura da sessão da Assembleia Nacional Popular, que se encerrou no domingo: “Não basta que somente nossa riqueza cresça, também precisamos encontrar um sistema de distribuição de renda mais justo”, disse. Segundo os números da agência de estatísticas publicados no início de março, a renda média dos chineses das cidades era em 2009 de 17.175 yuans por ano – cerca de R$ 4.097 – contra 5.153 yuans no campo. Em 2005, os números eram respectivamente de 10.493 contra 3.255. Citado na imprensa no começo do mês, o diretor de um centro de pesquisas sobre a economia rural associado ao ministério da Agricultura, Song Hongyuan, confessava estar “alarmado com o fato de que o abismo entre campo e cidade continuaria a se aprofundar se o país continuasse a se concentrar no desenvolvimento urbano, e não no mundo rural”. Um outro especialista, Zhang Dongsheng, diretor de um departamento da Comissão Nacional para a Reforma e o Desenvolvimento, acusava o governo de ter “dito mais do que feito”, em termos de redução das desigualdades. Alguns anos atrás, durante a sessão de primavera do Parlamento, o primeiro-ministro Wen havia anunciado a criação de um ambicioso programa de construção das “novas campanhas socialistas”. Tradução: desenvolver as zonas rurais e elevar o nível de vida dos camponeses. Neste ano, ele prometeu um orçamento de 800 bilhões de yuans – R$ 193 bilhões – para o mundo rural, 13% a mais em relação ao ano passado. Muitos analistas estrangeiros acreditam que, se a China quiser continuar com seu ritmo de crescimento de 8%, ela precisará manter seu programa de urbanização, acabar com o controverso “passaporte interno”- hukou -, que desfavorece os migrantes que moram no meio urbano, e por um fim a uma situação de “apartheid” entre os chineses das cidades e os chineses do campo: os mingongs são explorados por seus patrões, não recebem reembolso pelo atendimento médico e precisam colocar seus filhos em escolas ilegais, que muitas vezes estão condenadas à demolição. A “estabilidade social”, que tanto persegue um governo assombrado pelo pesadelo da insurgência, não poderá ser garantida se o abismo entre ricos e pobres continuar a se aprofundar. Enquanto a sra. Liu se mata de trabalhar no bairro de Dong Xiao Kou, os ricos enriquecem no império das desigualdades. Segundo Rupert Hoogewerf, fundador do centro independente Hurun, com sede em Xangai, que elabora a lista dos super-ricos na República Popular, “o número daqueles que possuem uma fortuna de pelo menos US$ 150 milhões (R$ 264 milhões) aumentou dez vezes desde 2004”. “Havia 100 deles seis anos atrás, e agora há 1.000”, explica. Na última lista da revista “Forbes” dos mais ricos do planeta, há 64 bilionários chineses, contra 28 no ano passado. Segundo Meng Pengjun, diretor da Luxury Asia Limited Markets, os ultraprivilegiados da China gastaram muito em 2009 no mercado de produtos de luxo, subindo para o segundo lugar mundial nessa área, atrás dos japoneses. Na foto: dom Cesare Mazzolari, bispo de Rumbek, no sul do Sudão.Igreja minoritária, mas sempre presente Apesar de ser o maior país da África em termos de superfície, o Sudão conta só com nove dioceses. Tem 37 milhões de habitantes, dos quais 80% são muçulmanos e 17%, cristãos. Destes, 15% são católicos. Seus bispos encontram-se em visita ad limina apostolorum em Roma, em um momento crucial para a história do país. Um referendo previsto para janeiro de 2011 poderia dar a independência à atual região autônoma do sul do Sudão, cujas disputas com o norte causaram um complexo conflito que deixou um número aproximado de 2 milhões de mortes e 4,5 milhões de deslocados. Tal conflito recrudesceu em 2003, quando um grupo autodenominado Frente de Libertação de Darfur (Darfur Liberation Front) reivindicou um ataque a Golo, o principal centro do distrito Yébel Marra. Em declarações à Rádio Vaticano, Dom Cesare Mazzolari, bispo de Rumbek, diocese do sul do Sudão, ressaltou que a Igreja: “Sempre esteve presente e busca também levar sua própria ajuda humanitária”. Sacerdotes, religiosos e missionários que desempenham seu trabalho pastoral no Sudão comprometeram-se com a assistência da população golpeada pela guerra. Eles gerenciam atividades de desenvolvimento e promoção humana. A Igreja está a cargo de hospitais ambulatórios, casas para inválidos e anciãos, orfanatos e escolas. Mudança possível No mês de abril se celebrarão as eleições presidenciais e parlamentares neste país. Estas serão as primeiras eleições após o fim oficial em 2005 da guerra civil entre o governo, estabelecido no norte do país, de maioria muçulmana, e o Exército de Libertação do Povo do Sudão SPLA, proveniente do sul, de maioria cristã. Atualmente, o governo do Sudão está controlado pelo Partido do Congresso Nacional, do presidente Omar Hasan al Bachir, acusado pela Corte Penal Internacional de crimes de guerra e de danos à humanidade. Dom Mazzolari ressaltou a mediação da Igreja no conflito: “Desde o início demos ao governo nosso parecer a respeito do que consideramos um verdadeiro genocídio no caso de Darfur”. “Mas nossa palavra não foi escutada, e seguimos buscando exercer uma influência construtiva, ainda que com muita dificuldade”, assinalou o prelado. Apesar de ser uma população altamente golpeada pela pobreza, Dom Mazzolari fala de uma pobreza maior: “A falta de identidade. Uma identidade que não foi permitida, desde séculos, nesta condição de um governo islâmico que oprime a população do sul, uma população que quer descobrir a própria identidade e chegar ao ponto de tomar para si a responsabilidade do próprio destino”. A Igreja no Sudão, ainda que pequena, realizou inumeráveis esforços para ser mediadora do conflito no país. Durante estes anos de guerra, fez diversos apelos por um cessar-fogo, e sua conferência episcopal reforçou a Comissão de Justiça e Paz. “Deus nos chama a nos arrependermos dos numerosos pecados que cometemos contra Ele e contra nós mesmos”, disse o arcebispo da diocese de Juba, Dom Paolino Lukudu Loro, em uma carta pastoral sobre as próximas eleições. “Em particular no sul do Sudão: tribos contra tribos, assassinatos, sequestros, corrupção. Devemos expiar estes pecados com orações e boas ações”, assinalou o prelado. Todos os 20 premiados no sorteio da AÇÃO ENTRE AMIGOS dos Combonianos na época de Natal de 2009 já receberam os seus prêmios. Padre Vanderlei Bervian, comboniano brasileiro, que trabalha na região leste de São Paulo, em Sapopemba, entregou o 3º prêmio (um leitor de DVD com karaokê) à senhora VERA LÚCIA R.MAGELLA (foto). Quero aproveitar esta oportunidade para renovar nossa gratidão de missionários a todos aqueles - e são muitos - que nos acompanham e apoiam com suas orações e com sua ajuda. Cristo, o primeiro missionário do Pai, abençoe a todos. Padre LINO. Na foto: Padre Vanderlei entregando o leitor de DVD (con karaokê) - 3º prêmio da AEA) à senhora Vera Lúcia Magella. ![]() Nas fotos: Padre Jorge no barco e com as crianças, alegria da vida dele.NAS MARGENS DO RIO MADEIRA Padre Jorge Brites, comboniano, nos escreveu desde Porto Velho - Rondônia: Olá amigos e amigas. Vou descrever um pouco o ritmo do meu trabalho missionário, no meio deste povo ribeirinho que vive ao longo do Rio Madeira, aqui, na Amazônia. O Rio Madeira nasce na cordilheira dos Andes, na Bolívia, e recebe nome de Madeira porque, no período das chuvas, seu nível sobe e inunda as margens, arrastando troncos e restos de madeiras das árvores. Um dos maiores centros, onde trabalho, com mais três missionários (um seminarista estagiário, um diácono e um padre), chama-se Calama. É uma região onde vivem cerca de três mil habitantes ribeirinhos, espalhados em pequenas comunidades ao longo das margens do rio. A vida é muito lenta e segue o ritmo da canoa. As comunidades, mesmo as chamadas cidades, não têm estradas, têm apenas pequenos caminhos para andar de bicicleta e a pé. Não há nenhum carro. O único transporte para ir à cidade de Porto Velho é o barco, que demora 11 horas para chegar ao destino. Nas visitas às Comunidades - ao todo são mais de 70 - ao chegarmos perto das aldeias, encostamos o barco à margem e iniciamos a grande aventura, para tentar chegar ao centro do povoado. Os desafios são muitos como, por exemplo, passar em cima de troncos muito finos e super escorregadios com o perigo de cair dentro dos canaviais que, segundo dizem, estão cheios de jacarés... À entrada de todas as comunidades há sempre um forno comunitário para torrar a farinha de mandioca. Este povo vive essencialmente desta farinha; de algum feijão de praia, semeado na estação seca, nas margens do rio; do peixe e da caça. O almoço dá-se quando o homem consegue apanhar o peixe. As celebrações dão-se também muito devagar. As escolas são um dos maiores problemas, devido à falta de estruturas e de professores. A Igreja católica tem-se esforçado por estar presente, embora nem sempre tenha sido possível devido às muitas dificuldades que estas missões apresentam. Além de ser um trabalho que exige muita paciência, muita disponibilidade e muita saúde para resistir às frequentes malárias, noites mal dormidas e alergias às picadas de insetos, a Missão exige também uma grande disponibilidade financeira, pois a área missionária percorrida tem mais de 500 quilômetros de distância a percorrer, quer nos rios, quer em estradas de barro. Agradeço muito a generosidade de muitas pessoas que me têm apoiado com as suas orações e ajuda monetária. Sem a vossa colaboração esta Missão seria impossível. Mas vale a pena todo este esforço. Basta pensar naqueles olhares brilhantes e sorrisos maravilhosos das crianças que correm ao nosso encontro para nos abraçar, gritando: “Chegou o padre!” Recebam os votos de uma Santa Páscoa. Que Cristo ressuscite nos vossos corações, assim, como espero, que palpite para os marginalizados e esquecidos ribeirinhos da Amazônia. ![]() Igreja em Uganda, trabalho social e missionário Em Uganda, o catolicismo está em crescimento. Os cristãos representam 77,4% da população total, dos quais quase a metade é católica. Seus bispos se encontram em visita ad limina em Roma para apresentar ao Papa Bento XVI e os diferentes dicastérios os projetos pastorais que são desenvolvidos nas diversas dioceses. A que se deve o crescimento do catolicismo nesta nação africana? Segundo o padre John Baptist Kauta, secretário da Conferência Episcopal de Uganda, esse fenômeno acontece graças à “atividade e estratégia dos primeiros missionários que chegaram ao país”. O padre Kauta explicou a Rádio Vaticano que o processo de evangelização dessa nação começou no final do século XIX, “enquanto anunciavam a Palavra, ensinavam a ler, escrever e fazer contas. As pessoas associavam o cristianismo com uma oportunidade de desenvolvimento”. Igreja mediadora Uganda vive uma forte guerra civil desde 1986, incidente sobre a região de Acholiland, no norte do país. O conflito surge da oposição ao Governo por parte do grupo chamado Lord’s Resistance Army (LRA), uma agrupação revolucionária que se autodenomina de “inspiração cristã”. Esse conflito causou cerca de 300 mil mortes e cerca de 1 milhão de deslocados. A Igreja teve nele um papel de pacificação. Os bispos escreveram uma carta pastoral chamada “A preocupação pela paz, unidade e harmonia em Uganda”, para pedir aos rebeldes e ao governo o fim da guerra. Em 2007, Uganda Joint Christian Council (UJCC), uma organização ecumênica instituída no ano 2000 que reúne a Igreja Católica, a Ortodoxa e a Anglicana, publicou o documento chamado “Um marco para o diálogo sobre a reconciliação e a paz no norte de Uganda”. Também na cidade de Lira foram realizadas três reuniões de consulta que alguns parlamentares, funcionários, chefes religiosos e membros de outros partidos patrocinaram. Foi realizada igualmente uma conferência sobre o tema da reconciliação, a justiça e a paz sustentável no país, organizada por diferentes confissões religiosas, onde os assistentes puderam trocar informações assim como traçar novas estratégias para a construção da paz. Diálogo inter-religioso A Igreja busca também manter boas relações com as crenças tradicionais através de uma comissão para o diálogo inter-religioso, assim como promover a inculturação do cristianismo em Uganda. No que diz respeito a aspectos como a poligamia, bruxaria e os sacrifícios humanos, o padre Kauta indicou que “a Igreja é consciente do fato de que enquanto nosso povo é cristão, alguns legados são incompatíveis com os valores cristãos da fé. Quanto ao diálogo com as culturas aborígenas do país, ele afirmou que é necessário que os agentes pastorais trabalhem “de modo que nossas liturgias sejam apreciadas por nosso povo”. Uma foto rara, bem antiga, da 'madrecita' Germana.'Só por obra de Deus!' Irmã Germana Nicolini, missionária comboniana, nasceu na Província de Como, Itália. Desde muito cedo, percebeu que o Senhor a chamava para ser missionária. Terminada sua formação, parte, aos 23 anos de idade, em 1928, para o Sul do Sudão, uma das missões combonianas mais duras da África. As Irmãs que lá chegaram, dez anos antes, foram as primeiras mulheres europeias a pisar naquele pedaço de terra da África Central. Ir. Germana atuava na escola da missão e visitava as famílias; durante as férias, ia de bicicleta até os vilarejos distantes, dispersos na savana, para a evangelização. “A vida de uma missionária é cheia de experiências bonitas, e até os desafios podem se tornar interessantes”. Assim contava irmã Germana: “Quando estava no Sudão, conheci Mansur, um muçulmano, e o encontrava com muita frequência. Certo dia percebi que ele me olhava demais e isso não me agradou. Em outra ocasião, Mansur me chamou e me disse que estava muito doente, e, improvisamente, me falou que eu deveria batizá-lo. - Você ficou doido? Você é um bom muçulmano, como pode me pedir isso? Mansur insistiu, dizendo: “Não se explica como uma jovem possa deixar casa, família, pátria, amigos, para viver neste país tão pobre e distante; só por obra de Deus”. Mansur passou mal e, quando estava para morrer, ir. Germana lhe administrou o sacramento do batismo. Ao contrário do que se previa, Mansur melhorou, e continuou a viver sua fé como cristão, enfrentando críticas e deboches dos familiares e amigos que o tratavam como traidor”. E Mansur continuou feliz até o dia de sua morte, anos depois. Ir.Germana conservou sempre uma foto, que recordava esse emocionante episódio da sua vida missionária no Sudão. Outro continente Aos 60 anos de idade, ir. Germana foi enviada à América do Sul. Esse sacrifício lhe custou muito, pois implicava uma mudança radical em sua vida: uma nova missão, com nova realidade e desafios, e uma nova língua para aprender, mas sempre confiante no amor de Deus, ela foi continuar sua missão no Equador, onde passou a ser chamada carinhosamente de “madrecita”, (mãezinha). E ela descreveu: “Trabalho no ambulatório, faço visita às famílias, e o dia de sábado é dedicado ao trabalho na prisão, conheço todos os prisioneiros; eles esperam minha visita com ânsia, e me confiam tudo como se fora sua mãe, depois que desabafam vamos à capela, lemos o Evangelho e rezamos. Para mim, todos são como filhos. Eles nunca me chamam de ir. Germana, mas sempre “madrecita”. Entre os prisioneiros havia um, cujo rosto dava medo até de olhar; quando criança, frequentou escola de religiosos, porém mais tarde se transformou em ladrão. No início, ele me olhava com desconfiança, depois começou a se aproximar e se tornou o meu melhor amigo”. Ir. Germana amava muito sua vocação e a vivia com alegria, cultivando-a na oração e na vida de comunidade. Era defensora dos mais pobres e dos prisioneiros a quem dedicou os últimos anos da sua vida. Como Missionária Comboniana, ir. Germana fez causa comum com os mais pobres, ouvindo, assistindo e aconselhando os prisioneiros, consolando e curando os enfermos, e como consagrada a Deus ela foi sempre um sinal da Sua misericórdia e compaixão. Esta é a página 4 do jornal Missão e Vida, das Missionárias Combonianas, referente a fevereiro de 2010: ![]() Na foto: Irmã Sandra numa sala de aula em JubaHerdeira da paixão de Comboni Ir. Sandra é natural de Londrina, Paraná, mas sua família migrou para Rolim de Moura, Rondônia. Sandra é missionária comboniana há 15 anos. Já atuou na Eritreia, e, atualmente, encontra-se no Sul do Sudão, de onde nos manda este seu testemunho. Atuo em Juba, capital do Sul do Sudão, desde 2007. O Sudão é o país do coração de São Daniel Comboni. Foi aqui que ele se apaixonou pela África e pelos africanos, e deu a vida por eles. O Sudão é o maior país da África, grandes também são seus desafios. A partilha dos lucros do petróleo entre o sul e o norte, a política, embrenhada na corrupção, e as guerras tribais estão fazendo o povo sudanês sofrer. A juventude sofre muito mais, porque está perdendo a esperança de um futuro de paz e justiça. Juba cresce desproporcionadamente, e não tem estrutura para tanto. O retorno dos refugiados de guerra e expatriados contribuem para aumentar os conflitos sociais. Os avanços tecnológicos se misturam com o jeito de se resolver as coisas por aqui: quase tudo na base da violência. Damos um desconto, porque o tempo desperdiçado na guerra resulta nisso mesmo. Sem dúvida, a missão no Sul do Sudão continua urgente e atual. É nesse contexto, que vivo a minha missão. Ensino inglês na única escola de segundo grau católica. Na cidade, há muitas outras escolas secundárias, porém, católica só essa. “Comboni Secondary School” foi uma iniciativa da família comboniana em Juba, para comemorar o centenário da morte de Comboni (1881-1981). Irmãs, padres e irmãos combonianos trabalhavam em conjunto. Por dez anos, essa foi a melhor escola da região. Mas, em 1992, no quente da guerra pela autonomia do Sul, todos os missionários estrangeiros foram expulsos de Juba. Então, a escola ficou sob a responsabilidade da diocese. Em 2006, a comunidade comboniana retornou para Juba, com a condição de que uma irmã comboniana fosse trabalhar na escola: eu sou a única representante da nossa Congregação na “Comboni Secondary School”. O desafio é grande. Apesar da escola nunca ter fechado suas portas durante a guerra, ainda assim ficou marcada profundamente pela situação de Juba e de todo o país, não lhe sendo possível muito avanço, agora também. A diocese espera que a minha presença na escola contribua para restabelecer um pouco de sua qualidade do passado. Mas nós missionárias e missionários somos poucos para as necessidades da missão. Estamos lutando para continuar com o serviço educacional à juventude de Juba. Deus queira que o suor não seja em vão! Gosto de atuar na área da Educação. Os jovens são atentos, apesar da pobreza de material didático e humano. A gente usa da criatividade, e faz o que pode, confiando em Deus e em São Daniel Comboni que continua vivo na nossa missão, terra de sua paixão. ![]() O JESUS DE PAULO Uma surpreendente e irrestível iluminação divina, no caminho de Damasco, transforma Saulo de perseguidor da Igreja de Cristo em seu fiel seguidor e o faz ingressar em outro mundo, não mais construído com seu próprio esforço, mas preparado generosamente por Deus para ele: 'Não com minha justiça, que vem da Lei, mas com a justiça que vem da fé em Jesus Cristo, a justiça, que vem de Deus, com base na fé' (Fl 3,9). O autor, com muitas perguntas dirigida, em sonho, ao apóstolo, imagina extrair um pequeno resumo da salvação e do cristianismo, que o próprio Paulo viveu e pregou. A leitura deste livro irá proporcionar momentos de alegria e de profunda adesão a Cristo Jesus e à sua Igreja. + Dom Zanoni Demettino Castro, bispo da Diocese de São mateus - ES. Breve: à venda na loja virtual deste site. ![]() Eu serei o amor! Teresinha encontra sua vocação no Amor, e o Amor a torna missionária para sempre. O objeto desse amor é o Amado Salvador, para o qual Teresinha está disposta a derramar seu sangue, até a última gota. Pio XI chamou-a “a maior santa dos tempos modernos”. Depois de Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus, Teresinha de Lisieux é uma das santas mais populares no mundo católico. O autor, numa entrevista fictícia à Santa, percorrendo a autobiografia “História de uma Alma”, consegue adentrar na espiritualidade de Teresinha do Menino Jesus e revelar, através das respostas da própria santa, o carinho do Pai para com o seres humanos e o Amor como vocação privilegiada que “engloba todas as outras vocações”. + Dom Zanoni Demettino Castro, Bispo da Diocese de São Mateus - ES Breve à venda na Loja Virtual deste site. Leia a linda mensagem a partir do PÁSSARO... DORMINDO! [baixar arquivo] Na foto: O peso do setor agrícola no Produto Interno Bruto de Moçambique passou de 12,5 por cento no quarto trimestre de 2007 para 23,3 por cento no primeiro trimestre de 2008. Na organização dos camponeses, um retrato do campo em Moçambique Em entrevista, lideranças da Unac analisam a formação da entidade enquanto uma luta por um desenvolvimento alternativo. Viver em Moçambique é presenciar uma história recente. O país, independente desde 1975 do domínio português, ainda dá passos iniciais na cidadania. É somente nos anos 90 que começam as eleições multipartidárias e é nesta mesma década que é aprovada a Lei de Terras, que reforça a posse estatal da propriedade rural. Dentro deste fervor de mudanças, está o campesinato, peça chave do desenvolvimento do país e da organização popular. Atravessando todas as províncias de Moçambique, o movimento social que reúne os camponeses é a União Nacional dos Camponeses, a Unac. Em conversa com o seu presidente, Renaldo Chingore João, e com o presidente da Mesa da Assembleia Geral da Unac, Ismael Ossumani, pode-se fazer um retrato dos passos da organização, das experiências que a inspiraram e dos desafios colocados ao país. Dentro da história de Moçambique, onde e como se encontra a criação de um movimento nacional dos camponeses, no caso, a Unac? Renaldo Chingore João – A Unac surgiu da vontade dos próprios camponeses. Em Moçambique, os trabalhadores rurais começaram a se organizar desde o tempo colonial e com a independência a organização foi fortalecida, pois o movimento de libertação nacional opera de forma coletiva nas zonas do país e esta experiência foi absorvida pelas comunidades do campo. Na fase de transição entre o governo colonial e a independência, com a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) liderando, viu-se a oportunidade dos camponeses de se beneficiar do trabalho no campo de forma organizada, pois as famílias portuguesas, com a independência, abandonaram as terras do país. Para fortalecer o campesinato, a Frelimo investiu na criação de cooperativas. O governo se viu na obrigação de dar assistência aos camponeses, como o financiamento nos bancos, e o resultado foi uma boa produção no setor familiar e a criação de algumas empresas estatais. Em 1987, o governo foi forçado a mudar a política, coordenando a política nacional com a internacional, voltando a nossa economia para o mercado, com benefício do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Com novas obrigações, Moçambique teve que cumprir novas regras e assim o governo começou a recuar no apoio às cooperativas camponesas e passou a abrir espaço para o setor privado. Essa situação levou as organizações a promoverem uma Assembleia Geral para debater e refletir em conjunto como seria o futuro das cooperativas sem o apoio do governo. Essa assembleia se transformou em uma reunião nacional, onde os camponeses decidiram pela criação de uma organização para representar todos os camponeses do país, o Núcleo de Apoio às Cooperativas do País. Seis anos depois, após o fortalecimento das ideias, funda-se a Unac. Então a mudança da política da Frelimo fez os camponeses repensarem a sua forma de organização. Renaldo – Exatamente. Ismael Ossumani – A Frelimo começou a ter uma orientação no sentido do socialismo, embora enquanto movimento de libertação isto não estivesse colocado. A inspiração no socialismo também se deu pelo fato de Portugal ser um país do ocidente – para conseguir a libertação, a Frelimo foi atrás do apoio do bloco da União Soviética. Além disso, a juventude era influenciada pelas revoluções da época, de Mao Tsé-Tung [China] e de Fidel Castro [Cuba]. Assim, a resposta de Portugal foi propagandear contra os sistemas comunistas. Em 1977, a Frelimo transforma-se em um partido marxista-leninista declaradamente. Aí começa uma nova etapa: aquilo que era um movimento, uma frente ampla, começa a fazer uma seleção a partir da ideologia. A oposição a este movimento, que converge na Resistência Nacional de Moçambique (Renamo), é protagonizada pela Rodésia (atual Zimbábue) e pela África do Sul do apartheid, na África, porque a libertação de Moçambique era uma má influência para os povos de seus países. O apoio se completava com os portugueses, que tinham interesses em continuar dominando o país. É diante desta conjuntura que Moçambique não encontra outra saída para ter negociações de paz a não ser abrindo o seu mercado, mudando a política. O que moveu esta guerra foi o capitalismo e tivemos que aderir ao Banco Central e ao FMI para obtermos a paz. Essa mudança acabou por questionar se as cooperativas pertenciam ao modelo socialista ou se eram possíveis no capitalismo, muitas pessoas temiam que este sistema acabasse. Como sabemos, o capitalismo suporta essa forma organizativa e amadurecemos isso em seminários sobre o futuro do cooperativismo em Moçambique, envolvendo companheiros de todas as províncias do país. Nestas discussões já havia uma clareza do modelo de agricultura a ser defendido para o país? Ismael – Numa primeira fase não havia muita clareza do modelo de agricultura, o que estava sempre em nossa mente era o apoio aos camponeses, a defesa da terra, a busca de projetos de financiamento. Depois do acordo de paz começa o programa de reassentamento da população refugiada e houve algumas ONGs que se engajaram nesta causa, mas, durante o período da guerra, a maior parte das organizações estavam voltadas para as ajudas humanitárias, como a distribuição de comidas e roupas. Uma das poucas entidades que não estavam envolvidas nesta parte humanitária e sim em como fazer os camponeses produzirem era a Unac. Poucas organizações tinham experiência de trabalhar com o campesinato para o desenvolvimento, a maioria trabalhava com o viés da ajuda humanitária. A certa altura percebemos que os próprios camponeses não tinham muita clareza da diferença entre o movimento ao qual pertencia e as ONGs de apoios. Começamos a fazer uma reflexão de que o movimento devia ser de luta, de defesa dos camponeses, mas nos tornamos, sem querer, em uma organização que, na prática, na maioria das vezes, se voltava para atividades similares às das ONGs. Quais outras experiências de organização ajudaram a Unac a trilhar pelo caminho diferente das ONGs? Ismael – Trabalhávamos no debate sobre a lei de terra quando, em 1998, tivemos uma visita do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra [MST]. Tínhamos ido a alguns países africanos, como Senegal e Zimbábue, mas não tínhamos encontrado uma organização de camponeses como buscávamos construir. Já tínhamos ouvido falar do MST, mas faltava uma aproximação. Quando conhecemos o movimento, pensamos: é isso que sonhamos fazer, não queremos parecer com uma ONG. Infelizmente, eles [o MST] estavam a milhares de quilômetros e não tínhamos conhecido antes – tínhamos a mesma língua, mas a distância nos separou. Foi então que fizemos a primeira Assembleia Geral da Unac, preparada para fortalecer o viés de movimento social da Unac em 2000 e aí decidimos elaborar o plano estratégico, agora incorporando mais um caráter de movimento, e não de ONG, sem aquele assistencialismo que por vezes nós incorríamos. Com o plano estratégico e com a aproximação que tivemos com o MST e, através do MST, com a Via Campesina, tivemos a consciência de que estávamos sendo empurrado para uma forma de organização diferente daquela que por vezes reproduzimos, e com o espelho do MST percebemos que não estávamos a inventar algo que não existia: existia, apenas não conhecíamos ainda o modelo. A lei das terras manteve a herança do governo de Samora Machel, líder do movimento de libertação e primeiro presidente do país, com a persistência da terra enquanto propriedade do Estado. Na prática, isto vigora até os dias atuais? Renaldo – Para nós, foi uma grande vitória que a terra fosse propriedade do Estado, porque, caso contrário, os camponeses não teriam condições de ter acesso a ela. Nesse modo de propriedade rural, os camponeses têm o direito de ocupação mesmo sem título, além de respeitar o uso costumeiro, que é quando a comunidade tem algumas áreas de reserva onde fazem cemitérios, por exemplo. Isso consideramos uma vantagem. Mas essa lei está sendo violada, devido a pressões de algumas instituições e empresas. A terra em Moçambique não se vende, mas nas zonas urbanas estão a vender. E quando vamos em alguma comunidade, algumas empresas obrigam os camponeses a saírem de suas terras, o que causa transtorno, visto que eles já tinham construído seus cultivos e suas casas lá. A figura do Estado, nestes casos, serve para endossar a postura de que os camponeses precisam sair daquela área, devido aos interesses do governo. Ismael – Veja que a lei de terras foi aprovada em 1997, mesmo o país tendo virado para a economia capitalista dez anos antes, em 1987. O que aconteceu foi que a força do capitalismo ainda não havia entrado dentro da Frelimo neste meio tempo – ainda havia alguma veia revolucionária dentro do partido – e isso fez com que o direito pela ocupação, por exemplo, fosse consagrado, fazendo com que o camponês que comprove estar há 10 anos na terra seja o titular desta, não podendo ser retirado. Essa foi a forma de defender os camponeses que não tinham dinheiro para arcar com os custos dos títulos. Se houvesse alguém de fora, que quisesse a terra, o governo precisaria consultar a comunidade para atribuir terra – ou seja, o Estado tem a posse da terra, mas a gestão é dividida com a comunidade, partindo do princípio de que cada uma tem sua identidade e deve ser ouvida sobre os impactos nela. Pouco a pouco, as forças do capitalismo começam a prevalecer e inicia-se a pressão sobre a terra, acarretando na violação das terras. O primeiro discurso dos governos passa a ser dos benefícios que trariam a implementação de algo externo à comunidade, influenciando os camponeses com o discurso do desenvolvimento. Em contrapartida, as políticas relacionadas ao setor familiar estavam fracas ou inexistentes. Ou seja, o camponês pode até ter a terra, mas cessou-se as políticas para ajudar a família camponesa. Então, o pensamento passa a ser: é melhor vir essa empresa que dá emprego do que ficar aqui sem investimento. Assim, a propaganda da empresa é feita e, sem violar a lei, participando do princípio que a comunidade foi consultada, abre o espaço para a entrada das empresas. Mas não se faz a análise sobre as causas que fizeram esta comunidade concordar, e isto é uma expressão da força do capital. Esta força do capital pode vir a resultar em uma privatização das terras? Ismael – Agora com o etanol e os agrocombustíveis começa uma maior busca por terra em Moçambique e a tendência é esta força por em prova a lei de terras. Então nos encontramos nesta situação: ainda há terras para os camponeses por causa do estágio de desenvolvimento do país, mas através da forma como começam a entrar as empresas, percebemos que, se hoje lutamos para defender a terra que temos, em breve começaremos a lutar para ter terra. É importante perceber também que podemos assistir à privatização das terras em Moçambique de uma forma não declarada, por outros meios, seja por intermédio do Estado ou pelo Direito do Uso e Aproveitamento da Terra (Duat), que é próprio do moçambicano, mas que este pode passar a negociar com empresas também. Na foto: à esquerda, padre Valnei Pedro, comboniano na China e, à direita, com padre Ismael, quase 50 anos de Brasil, poucos dias atrás em São Paulo.Um comboniano, missionário na China De passagem por São Paulo/SP, durante um curto período de férias, o comboniano padre Valnei Pedro Reghelin, nascido numa família de 13 filhos, em Horizontina/RS, que há cerca 14 anos trabalha em Macau (China), deixou esta entrevista ao jornal “Missão Sem Fronteiras” (MSF) e a este nosso site. MSF - A sua missão na China abrange uma área grande? - Sim! Estou em Macau, um território situado no Sul da China, a mais ou menos 60 km de Hong Kong. Foi colônia portuguesa até 10 anos atrás. A população é 98% chinesa. Macau é uma península pequena, com uma população de cerca de 600 mil pessoas, uma das áreas de maior concentração demográfica por m2 do mundo. MSF - Tendo sido no passado, colônia portuguesa, para você brasileiro, é fácil comunicar com o povo? - Macau foi colônia por muitos anos, mesmo assim, são poucos os locais que falam a língua portuguesa; a maioria da população fala um dos dialetos Chineses, chamado Cantones. MSF - Qual é o tipo de indústria em Macau? - A economia é baseada na indústria do turismo, sendo um local onde o jogo é liberado, e, praticamente, tudo gira em torno dos Cassinos da cidade, considerada uma “Las Vegas da Ásia”. No ano de 2009 passou Las Vegas dos EUA na renda dos Cassinos. MSF - A Igreja Católica está presente no território? - Sim! A Igreja chegou há muitos anos atrás. Macau foi uma das portas de entrada de muitos missionários que vinham para a China. Mateus Ricci (1583-1610) esteve em Macau, onde começou aprender chinês e depois entrou na China, até Pequim, para a missão. Depois dele, chegaram outros missionários, como Mateus Ripa, de Éboli, do sul da Itália, (1710-1734), que foi fundador do Colégio dos Chineses em Nápoles (Itália). Apesar de uma longa presença do cristianismo em Macau, a igreja católica ainda é minoria: menos de 2% da população. Existem também outras religiões cristãs no território, bem como Budismo e Taoísmo. MSF – Como é vosso o trabalho missionário em Macau? - Nossa presença comboniana é pequena, mas significativa. Estamos caminhando junto com a diocese, que tem apenas sete paróquias no território, um pequeno grupo de padres locais, diocesanos, a maioria idosa. Nosso trabalho em Macau está concentrado na atividade pastoral em duas paróquias, com ênfase no trabalho de primeira evangelização. MSF – É difícil essa primeira evangelização? - Sim! Comporta muitas coisas: o contato, convivência, testemunho e caminhada com aqueles que querem conhecer a mensagem de Cristo e sua igreja. Com estas pessoas se desenvolve a caminhada catequética, chamada Catecumenato. A maioria dos que participa é composta de jovens/adultos, universitários ou jovens profissionais. A catequese tem uma duração de dois anos ou mais; durante esse tempo as pessoas têm a oportunidade de conhecer a mensagem de Jesus, estudo dos evangelhos e também conhecer o que é a igreja e sua missão. Depois, a cada um é dada a liberdade para entrar na comunidade cristã. Os batizados são realizados na vigília Pascal de cada ano, momento forte na caminhada destas pessoas e também da comunidade crista que acolhe os novos membros. MSF - Como estas pessoas chegam a buscar a igreja? - A China passa por um desenvolvimento econômico muito grande; as pessoas mudam de vida e também de condições financeiras e muitas coisas novas e atraentes fascinam o chineses. No meio de tudo isto muitos se dão conta de que falta algo, de que existe um vazio espiritual grande. MSF – Os cristãos, na China, dão bom exemplo? - Como em toda parte, a maioria, sim! Muitas pessoas são atraídas para a fé católica pelo testemunho de outros católicos, pelas obras sociais da igreja, pelas escolas católicas. São pessoas que buscam algo mais para vida, e que encontram no cristianismo este sentido para a vida. MSF – Você trabalha apenas na paróquia? - Não! Além do trabalho pastoral na paróquia, também participo da comissão de animação vocacional da diocese, na pastoral carcerária e agora com um grupo da pastoral dos Surdos. Em dezembro passado presidi pela primeira vez a missa em sinais. MSF – Tem muitos combonianos em Macau? - Não! No momento somos 6 em duas comunidades. Uma comunidade formada por 1 brasileiro, 1 mexicano e 1 da Costa Rica, a outra comunidade por 1 português, 1 peruano e 1 recém chegado do Togo/África. Alem da presença missionária na diocese de Macau, dois dos confrades coordenam o projeto Feng Xiang, com atividades dentro do território chinês. Vivem em Macau, mas frequentemente viajam para diferentes partes da China para coordenar projetos na área de formação de seminaristas e irmãs, e projetos sociais com órfãos e crianças com AIDS. MSF – Pode fazer uma rápida panorâmica da Igreja na China? - Na China, a situação é muito complexa. A presença da igreja na China foi sempre de conflitos históricos: aceitação e rejeição por parte dos imperadores, cultura, língua etc. A situação atual ainda é complicada e complexa. Na realidade existem duas igrejas católicas na China: a Católica Patriótica e a igreja clandestina. Segundo o governo chinês, existe liberdade para a pratica da religião, seja qual for. Na realidade é diferente, pois o governo só permite a presença e ação da igreja, seja católica, evangélica etc., se for controlada pelo governo. MSF – Quer dizer que é o governo que coordena a ação da igreja? – Sim! Inclusive a eleição dos bispos e o controle do culto, que pode ser realizado somente em igrejas aprovadas e controladas pelo mesmo. A igreja patriótica não pode reconhecer o Papa como pastor da Igreja, sendo que nada pode ser mais alto que o Partido do governo. Muitos não aceitam esta igreja, e se reúnem às escondidas, formando a igreja clandestina. MSF – São muitos os membros que pertencem a essa igreja? - Não se tem números, mas se afirma que a igreja clandestina é muito maior que a patriótica. Existem divisões também entre as duas igrejas, os da clandestina afirmando que são os verdadeiros católicos, fieis e ligados ao Papa. O governo chinês não tem relações diplomáticas com o Vaticano. Existem comissões de dialogo, mas não se vê a curto prazo uma solução para o problema atual. MSF – Existe restrição ao vosso trabalho missionário? - Temos liberdade para realizar nosso trabalho missionário nos territórios de Hong Kong, Macau e Taiwan. Dentro da China ainda não é permitido aos missionários estrangeiros desenvolver um trabalho e uma aberta presença missionária. Como todas as outras congregações missionárias, temos a presença em Macau e Taiwan, com a esperança de que o governo chinês abra as fronteiras para a liberdade de presença e ação da igreja missionária. Muitos estão desenvolvendo atividades dentro da China, mas de uma forma de que não afete a presente situação e sem poder ter uma presença a longo prazo. São permitidos outros trabalhos em escolas e universidades, como professores, mas sem a liberdade para envolver-se em qualquer atividade religiosa. MSF – Há brasileiros morando na China? - Sim! Existe uma comunidade de brasileiros no território. Muitos vêm buscar melhores condições de vida e de trabalho. Em Macau, há vários que são pilotos de avião, outros trabalham em vários setores, inclusive nos cassinos. Dentro da China existe uma cidade onde há mais de 2 mil brasileiros trabalhando. São praticamente todos vindos do Rio Grande do Sul; trabalham na China nas fabricas de calçado. MSF – Vossa atividade religiosa se estende também aos brasileiros que residem na China? - Sim! Eu conheci um casal brasileiro desta cidade que pediu para ir fazer uma visita, pois onde ele está não há igreja e estava praticamente isolado de tudo. Comecei a visitar e organizamos uma celebração, em um apartamento, com umas 25 pessoas. Sendo que não é permitido este tipo de atividade lá dentro, fizemos como às escondidas, só com os brasileiros e sem com que fora soubessem de tal celebração. Agora temos um grupo estável e eles se organizaram para iniciar a catequese para as crianças. MSF - O que acontece se o governo descobre este tipo de atividade? - Por questões diplomáticas e para não perder a “cara”, o governo oficialmente não expulsa um missionário pego fazendo atividades irregulares. O que acontece é que na próxima vez que alguém for pedir o visto de entrada, sempre visto de turista, este visto pode ser negado, não podendo mais entrar no país. Muitos já passaram por isto, portanto, todas as atividades sempre são realizadas com precaução e cientes do risco que se corre. Um missionário foi dar um retiro a Irmãs em uma área mais controlada pelo governo, do aeroporto; alguém foi espera-lo de carro, depois de andarem uma hora, em estradas secundárias, foram a uma casa, e la trocaram de carro para chegarem ao destino. Mesmo assim, 4 dias depois a polícia foi atrás dele, verificando documentos e fazendo interrogatórios. Em alguns lugares os oficiais não aplicam a lei ao pé da letra, mas em outros, todos os movimentos e contatos com pessoas locais são controlados. MSF - Vale a pena o trabalho missionário em um contexto como este? - Sempre que me perguntam isto, digo com toda a sinceridade que SIM. Mais do que nunca a mensagem de Cristo é urgente para o povo chinês, e não só, mas para o povo do continente Asiático. Os desafios são muitos, mas, ao mesmo tempo, as motivações para a nossa presença são mais fortes. Vive-se uma missão de “fronteira”, por não termos a liberdade de ir e vir; vivemos a missão de “esperança”, pois, junto com um povo que sofre, esperamos e confiamos na mudança do sistema de governo; vivemos uma missão de “presença”, pois partilhamos muitas vezes mais do que com palavras, a presença solidária do amor e a presença de Deus. MSF – Você ainda se sente estrangeiro na China? - Não! Neste ano completo 14 anos de presença nas missões na China. Depois de tanto tempo, me sinto em casa e parte da missão e da vida do povo. Os desafios continuam, mas, mesmo assim, vale a pena a missão junto ao povo chinês. Uma vez, alguém me perguntou: como vai a “experiência” lá na China. Respondi: sou missionário, e fui enviado para a missão não para “experimentar”, mas para “viver” a missão. Não se pode experimentar, tem que se entregar totalmente, viver a missão é aprender a conviver e a amar o povo onde a gente é chamada. Posso dizer que, durante estes anos, estou tentando o melhor de mim para isto. Amar o povo com que se vive é entregar-se totalmente, é partilhar de todos os momentos, é estar disposto a estar presente. Sempre serei “brasileiro”, pois levo comigo aquilo de riqueza que minha cultura tem, a partilha do que sou, mas, estando na China, torno-me presença com o povo chinês e partilho disto com eles. MSF – Você é uma pessoa feliz? - Sim, muito feliz! Outra dimensão da missão é viver com generosidade e alegria. O pior tipo de missionário é aquele que é “azedo”, que não é capaz de tornar-se povo, de ser feliz com o povo, de partilhar com o povo. MSF – Pode deixar uma mensagem para os jovens? - Sim! Gostaria de dizer aos jovens: no mundo de hoje, na realidade em que vivemos, vale a pena ser missionário! Se algo te inquieta dentro de ti, não esconda, não abafe, pois quem sabe? Você um dia poderá estar partilhando e vivendo a missão também de uma forma mais comprometida. Os desafios são muitos, mas as alegrias na missão são maiores ainda! Para contato: Pe. Valnei Pedro Reghelin, mccj Igreja Sao Francisco Xavier Rua Francisco Xavier Pereira, 118 MACAU – CHINA vpedrobrazil@yahoo.com ![]() Ó Deus criador, do qual tudo nos vem, nós te louvamos pela beleza e perfeição de tudo que existe como dádiva gratuita para a vida. Nesta Campanha da Fraternidade Ecumênica, acolhemos a graça da unidade e da conivência fraterna, aprendendo a ser fiéis ao Evangelho. Ilumina, ó Deus, nossas mentes para compreender que a boa nova que vem de ti é amor, compromisso e partilha entre todos nós, teus filhos e filhas. Reconhecemos nossos pecados de omissão diante das injustiças que causam exclusão social e miséria. Pedimos por todas as pessoas que trabalham na promoção do bem comum e na condução de uma economia a serviço da vida. Guiados pelo teu Espírito, queremos viver o serviço e a comunhão, promovendo uma economia fraterna e solidária, para que a nossa sociedade acolha a vinda do teu reino. Por Cristo, nosso Senhor. Amém. Na foto: padre Marnecio, comboniano das Filipinas, recém-chegado ao BrasilMissionário: dom de uma Igreja para o mundo. Padre Marnecio Coralde Cuarteros, 47 anos, chegou ontem no Brasil, vindo das Filipinas (Ásia), onde nasceu na cidadezinha de Bajo Camarines Sur. Vale a pena ler a entrevista que o nosso Padre Enzo Santângelo fez por conta deste nosso site: Padre Enzo - Como foi a sua formação inteletual? Pe. Marnecio - Estudei agronomia ma Universidade Pública de Envergen, nas Filipinas. Decidido a me tornar missionário comboniano, estudei a Filosofia no Seminário Criste Rei, na cidade de Quezem. E, finalmente, fui enviado a estudar a teologia, última etapa antes do sacerdócio, no Quênia, África, na Universidade Católica da África Oriental. Padre Enzo - Quando foi ordenado sacerdote? Padre Marnecio - Quase 7 anos atrás, em 31 de julho de 2003. Padre Enzo - Onde trabalhou antes de vir para o Brasil? Padre Marnecio - Antes de começar a minha caminhada para a vida sacerdotal missionária, trabalhei numa empresa do governo, como assessor no aproveitamento e na industrialização do coco. Depois de padre, trabalhei como promotor vocacional na minha província de origem, a Delegação Comboniana das Filipinas. Padre Enzo - Quantos são os combonianos das Filipinas? Padre Marnecio - Somam 14 padres, 2 Irmãos leigos, 1 estudante de teologia e 7 postulantes. Padre Enzo - Como é o seu povo? e a Igreja nas Filipinas? Padre Marnecio - O meu povo tem muito calor humano, é hospitaleiro e muito religioso. O povo filipino tem uma cultura muito rica. A Igreja nas Filipinas é vibrante: é a única igreja no Oriente. E nós tentamos animar a Igreja local para que se torne cada vez mais missionária. Padre Enzo - Por que decidiu vir trabalhar no Brasil? Padre Marnecio - Escolhi o Brasil especialmente para trabalhar na causa indígena daqui. Ligo isso à época de São Daniel Comboni: a sua decisão firme de se dedicar aos mais necessitados. Também me interessa o fato que muitas realidade do Brasil são muito parecidas com as da minha terra, como por exemplo a cultura e a religiosidade popular no Brasil. Padre Enzo - Agora chegou aqui, que para você é do outro lado do mundo... O que espera e deseja? Padre Marnecio - Gostaria, e quero, trabalhar com alegria e caminhar mais e mais com este povo. Confio em Deus para me manter pronto para qualquer tipo de situação e tenho certeza de que os superiores, conhecendo meus talentos e minhas fraquezas, podem confiar com minha disponibilidade. Benvindo, padre Marnecio, e que possa ser um dom de sua Igreja entre o povo brasileiro! Na foto: Crianças quenianas caminham de volta da escola para casa na favela de Kibera, em NairóbiGrande esforço para escolarizar as crianças A lâmpada pendurada nas folhagens da acácia prova: a aula começa cedo e termina tarde para as crianças de Saka Junction, um acampamento instalado a cerca de 80 quilômetros de Garissa, cidade situada no nordeste do Quênia. Um dia de escola dividido em dois, sendo que a maior parte do tempo restante é dedicada às cabras, búfalos e camelos, que devem ser vigiados e levados aos pastos. Amanhã, dentro de alguns dias ou alguns meses, a lousa será pendurada em uma outra árvore, a algumas dezenas de quilômetros de lá. Aqui, nessas províncias desfavorecidas do país onde vivem mais de 5 milhões de pessoas, as escolas seguem um ritmo que se adapta ao cotidiano e sobretudo ao vai e vem desses somalis criadores de animais que podem, dentro de um mesmo mês, se mudar até duas ou três vezes, e percorrer centenas de quilômetros em um ano. Essa classe itinerante faz parte das “escolas móveis” que se multiplicaram nos últimos meses nessa região árida. Elas reúnem 110 mil crianças, em 91 escolas. Mas seu número efetivo é ainda maior, se contarmos aquelas que, assim como a de Saka Junction, ainda não são financiadas pelo governo. O Quênia, que deu um salto bastante impressionante em dez anos no campo da educação (de 68,8% em 1999, o índice de escolarização primária passou para 92,5%), tem seus marginalizados. Entre eles, os filhos dos pastores somalis, juntamente com as crianças das favelas de Nairóbi, certamente são os mais abandonados tanto em questões escolares quanto sanitárias. Cúmulo da desigualdade, ainda que o Quênia tenha instaurado a gratuidade na escola primária em 2003, as famílias de Kibera, a maior favela de Nairóbi, com 1 milhão dos 3 milhões de habitantes da capital, devem pagar entre 100 e 200 xelins (entre R$ 3,30 e R$ 6,60) por mês. Pois das 148 escolas registradas em Kibera, somente seis são públicas, e as demais são administradas por ONGs. Resultado: em Mombasa e na costa, 83% das crianças frequentam a escola primária, e em Nairóbi somente 60%, sendo que 64% das que estão em zonas áridas, concentradas no nordeste do país, são excluídas delas. Excluídas entre os excluídos, menos de um quarto das meninas são escolarizadas ali. “Shell Roads” De Garissa, chega-se aos vilarejos e aos acampamentos pelas “Shell roads”, pistas abertas na época da colonização e assim apelidadas porque os britânicos procuravam petróleo na região. Com pouca ou nenhuma água, exceto por alguns reservatórios. Ignorado na época do Império (exceto por essas riquezas petrolíferas), o nordeste do Quênia, muçulmano em um país majoritariamente cristão, continua assim há mais de 40 anos. Ninguém aqui fala suaíli, a língua dominante. A criação de animais, ainda bastante lucrativa, sustenta esses pastores: um camelo é negociado por cerca de 50 mil xelins (R$ 1.213). Mas a contrapartida desse modo de vida pastoral é muito pesada. A partir de Saka Junction, a primeira escola primária se situa a 21 quilômetros, e a primeira clínica a 24 quilômetros. Depois que as ONGs iniciaram o movimento em favor das escolas móveis, o governo assumiu. “Cada vez mais nômades abandonam o pastoreio, daí a importância de que eles recebam um mínimo de educação”, explica Mohammed Elmi, o ministro do Desenvolvimento do Norte, cuja pasta foi criada há 18 meses para tentar eliminar o enorme abismo que há entre essas regiões e o resto do país. A seca, terrível como a de outubro e novembro passados, constitui uma das razões desse abandono, mas a necessidade de garantir uma paz social entre as tribos prestes a entrar em conflito representa uma outra motivação governamental para desenvolver a educação e a formação dos nômades. Mas o Estado queniano parece mais seguir o movimento do que precedê-lo, de tão forte que é a demanda das comunidades por escolas nômades. Cada vez mais determinadas, as famílias organizam o emprego do tempo, determinam quais das crianças irão à escola, ao passo que as outras se encarregarão de levar o gado por longas distâncias e, sobretudo, escolhem o professor. Nesse acampamento de uma centena de famílias, nenhum adulto sabe ler, mas todos têm grandes esperanças com a educação. “Nós somos ignorantes como animais. O futuro será pior sem educação”, diz Abdi, um dos homens. Isso poderá fazer com que eles vão para as cidades e abandonem a criação de animais? Essas famílias, em via de sedentarizarão, parecem dispostas a tentar. Sinal dessa crescente sedentarizarão, a mesquita é construída de forma definitiva, ao passo que as casas ainda são cabanas redondas desmontáveis e transportáveis por camelos. “As meninas podem ser estragadas” Hassan Farah acaba de assumir as classes, desde o início de janeiro. Dois grupos foram formados: um com 22 crianças de 4 a 6 anos, e outro com 32 alunos de 9 a 15 anos. Aos 36 anos, Hassan Farah dispõe de certa experiência por ter sido “assistente” em uma escola durante vinte anos. Ibrahim, outro desses voluntários, frequentou a universidade durante dois anos. O número efetivo de sua classe, com 134 crianças, é bem maior. Para esses dois homens, a ajuda levada às comunidades pastorais constitui a motivação principal. Com segundas intenções para Ibrahim, que “quer ser político mais tarde” e então mostrar “que fez o bem para sua comunidade”. Seguido pelo salário esperado, de cerca de 20 mil xelins (R$ 486). Mas por enquanto, foi a comunidade que se juntou para comprar a lousa e as primeiras mobílias. Ainda que muito minoritárias, as meninas têm representação. Mas a resistência das famílias a escolarizá-las permanece muito forte. Sobretudo quando se trata de enviá-las para uma das “boarding schools”, internatos rurais existentes na região e que eram, antes da criação das escolas nômades, a única opção possível para os nômades. “As meninas podem ser estragadas. Além disso, elas são as melhores no trabalho”, acredita Rukia, uma mãe de oito filhos, dos quais quatro frequentam a escola. A escola mais próxima, a cerca de vinte quilômetros, reúne 750 alunos, dos quais 280 são internos. Entre eles, 60 meninas. Cerca de 100 alunos desse total vêm de famílias nômades. Prova da explosão escolar nesse país, a mesma escola tinha, em 1986, 73 alunos! Aos 15 anos, Fatima frequenta o internato há quatro anos. Está feliz aqui e alimenta grandes expectativas para o futuro. Ela quer ser médica. E já é a primeira mulher de sua família a saber ler e escrever. Na foto: padre Odelir, assistido pelo padre Jorge (à direita), celebrou uma missa no Santuário Santa Cruz, anexo à sede provincial dos Combonianos em São Paulo.Padre Odelir, comboniano brasileiro, vice-superior geral da Congregação, esteve entre nós... Padre Odelir José Magri é um comboniano nascido em Santa Catarina. Fez seus estudos teológicos em Paris, na França, e foi ordenado sacerdote em outubro de 1992. Foi logo enviado como missionário no Congo, África; regressando ao Brasil em 1997, ajudou a formar novos combonianos brasileiros. Em 2003 participou do Capítulo Geral da Congregação em Roma e foi escolhido para ser membro da direção geral. No Capítulo Geral de outubro de 2009, foi escolhido para ser o Vice Superior Geral da Congregação. De visita ao Brasil De metade de dezembro até meados de janeiro Padre Odelir esteve no Brasil, passando alguns dias também na sede provincial dos Combonianos em São Paulo. Inclusive ele gostou de conhecer melhor este nosso site e, antes de sair, nos brindou com uma mensagem de apoio e de incentivo missionário a todos que navegam pelo site. O alô de padre Odelir para você... 'Querido amigo (a) leitor(a) do nosso site. Tudo bem contigo? Como foram as festas de fim de ano? Espero e torço para que tenhas iniciado o ano de 2010 com muita esperança e vontade de vencer. Depois de um ano de 2009 cheio de atividades e movimentado com o evento do nosso XVII Capitulo Geral, voltei para a minha querida terra no Oeste catarinense, município de Saltinho, SC, onde passei as festas de fim de ano com a minha família. Foram poucos dias, mas bonitos e intensos. Pude curtir a família, a minha comunidade, os amigos e amigas, e aproveitar bem das regalias e delícias do sítio dos pais. Na verdade revivi os meus tempos de criança acordando com o cantar do galo e dos passarinhos, trabalhar na horta da mamãe, andar a pé, pescar no riacho, visitar os amigos e muito mais. Valeu. Recarreguei as baterias e estou pronto para recomeçar os trabalhos e enfrentar mais seis anos ajudando na coordenação do nosso Instituto. Domingo próximo (dia 17/1), estarei embarcando de volta para Roma e antes de arrumar as malas para a viagem quero simplesmente deixar o meu alô aos amigos e amigas leitores(as) deste site dos Combonianos do Brasil Sul. Durante estas férias pude visitar com mais freqüência e conhecer melhor este precioso espaço de informação missionária, de testemunhos, de solidariedade e de formação. Uma rede de comunhão missionária. Peço a Deus, por intercessão de São Daniel Comboni, que continue abençoando este site e todos que, por meio dele, se mantiverem ligados com a realidade missionária do Brasil e do mundo inteiro. Um abençoado ano de 2010 para todos com muita esperança, força e ganas de lutar e vencer. O meu forte abraço aos amigos(as) e leitores(as) do site www.combonianos.org.br. Se alguém passar lá por Roma nos próximos seis anos, está convidado a tomar um cafezinho em nossa casa. Fiquem com Deus e... arrivederci. Padre Odelir Magri, comboniano'. BOA VISTA – Pastoral Indigenista (Área São Marcos e Área Murupú) Missionários Combonianos Rua Espírito Santo n. 191- Bairro dos Estados 69305-600 BOA VISTA – RR Tel. (95) 3224 3684 Pe. Joaquim Pinto da Fonseca - Superior E-mail: jpdafonseca@gmail.com Ir. Antonio Marchi – Ecônomo Pe. Henry Dunn Álvarez Oswaldo E-mail: henrydunnmccj@hotmail.com Padre Marnécio CARAPINA – ANIMAÇÃO MISSIONÁRIA - Área Pastoral Carapina Missionários Combonianos Rua Adão Bandeira 404 – Jd. Rosário de Fátima 29161-155 SERRA - ES Tel. (27) 3228 4817 Pe. Robinson de Castro Cunha – Superior E-mail: robcomboni@yahoo.com.br Pe. Pietro Settin – Pároco E-mail: psettin@bol.com.br Pe.Élio Savoia E-mail: savelio4@uol.com.br CONTAGEM – FORMAÇÃO / Paróquia Missionários Combonianos Rua VL5 N° 53 - Nova Contagem 32050-320 CONTAGEM - MG Tel. (31) 3392 8282 Pe. Francesco Lenzi - Ecônomo E-mail: Lenzich@gmail.com Pe. Girgio Padovan - Superior E-mail: giorgiopadovan@tin.it Pe. Sandoval Luiz Dutra da Luz E-mail: luz_do_sol_1967@hotmail.com CURITIBA - Postulantado - Paróquia Missionários Combonianos Avenida Alcir Martins Bastos, 633 - Fazendinha 81330-400 CURITIBA - PR Tel. (41) 3288 3109 (postulantado) 3288 2651 (paróquia) Pe. Carlos Peinhopf - Superior - Formador E-mail: kpeinhopf@yahoo.de Pe. Bruno Nzigiye – Formador - Ecônomo E-mail: brunzig@hotmail.com Pe. Bruno Tonolli – Pároco E-mail: brunoton@hotmail.com Pe. Remo Mariani (Paróquia) E-mail: p.remo@libero.it / pe.remo@ig.com.br DUQUE DE CAXIAS – Santa Terezinha Missionários Combonianos Rua Ramiz Galvão 932 - Pq. Lafaiete 25015-310 DUQUE DE CAXIAS - RJ Tel. (21) 2673 8046 - Paróquia 26714165 Pe.Joaquin Sánchez - Superior E-mail: joaquinsanc@yahoo.com.es Pe. Martinho Lopes Moura - Ecônomo E-mail: martinholmoura@hotmail.com Pe. Fioravanti Mario GURIRI – Casa Idosos - Paróquia Missionários Combonianos Rua Mucurici 743 - Guriri 29945-580 SÃO MATEUS - ES Tel. (27) 3761 2345 (casa) (Paróquia) (27) 3761 1743 Pe. WalterBorghesi - superior E-mail: walterborghesi@yahoo.com.br Pe. Sante Cordioli Pe. Mario Stella Pe. Angelo Di Prisco E-mail: angelodiprisco@hotmail.com Pe. Valentino Benigna E-mail: valent36@gmail.com Dom Aldo Gerna * *Residencia Rua Aldemar Faría Santos 1000 6 Sul - Guriri 29945-400 SÃO MATEUS - ES Tel. 27- 3761 5197 INDAIAL – Animação Missionária - Paróquia Casa Missionária – São Daniel Comboni Rua das Nações, 11 B - Bairro Nações 89130-000 INDAIAL - SC Tel. (47) 33941837 (Casa missionária) 3333 4685 (Paróquia) Pe. Primo Silvestri - Superior E-mail: primos.mccj@terra.com.br Pe. Carlo Faggion – Pároco E-mail: carlosfaggion@yahoo.com.br Pe. Jovercino Sirqueira E-mail: sirjover@live.it MANAUS - Área Missionária Missionários Combonianos Av. Monsenhor Pinto, 310 - Monte das Oliveiras 69093-149 MANAUS - AM Tel. (92) 3654 6077 Pe. Alessandro Garbagnati E-mail: alessgarb@hotmail.com Pe. Balbino Rodríguez Lorenzana E-mail: berrelebarolo@uol.com.br PORTO VELHO - Paróquia N.Sra. das Graças Missionários Combonianos Avenida Nações Unidas 605 – N.Sra. das Graças 76804-175 PORTO VELHO - RO Tel. (69) 3221 3505 Pe. Antonio Di Lella - Superior E-mail: antoniodil@hotmail.com Pe. Jorge Miguel Pereira Brites - Ecônomo E-mail: britesjorge@hotmail.com Pe. Roberto Sottara E-mail: robertosottara@hotmail.com Padre Massimo Ramundo E-mail: massimoramundo@hotmail.com Paróquia Santa Luzia Rua da Capela, s/n 69280-000 Santo Antonio do Matupi MANICORÉ / AM Tel. (97) 3385 3074 SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - Casa Comboni Rua Casablanca 230 – Jd. Roseiral 15070-340 SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SP Tel. (17) 3215 5595 Pe. Carlo Naldi E-mail: carlosnaldi@terra.com.br Pe. Enrico Galimberti (Milão - Itália) E-mail: padrenrico@hotmail.com Pe. Angelo Carlo Zen E-mail: zenangelo@terra.com.br Ir. Mario Fortuna - Ecônomo E-mail: comboniriopreto@hotmail.com Pe. Franco Sesenna (BNE) Pe. Ângelo Compri E-mail: angelocompri@hotmail.com Pe. Ludovico Bonomi E-mail: pe.ludovico@hotmail.com SÃO MATEUS - Paróquia Santo Antonio Missionários Combonianos Centro Paroquial Daniel Comboni Rua Ayrton Senna, 955 - Bonsucesso 29943-600 SÃO MATEUS - ES Tel. (27) 3763 1059 Pe. Giuseppe Cavalieri - superior E-mail: padrecavalieri@uol.com.br Pe. Aurélio Riganti E-mail: riganti@ig.com.br Pe.Egídio Melzani E-mail: embarra@gmail.com Padre Luís Falone SÃO PAULO (1) - Residência Provincial Missionários Combonianos Rua José Rubens, 15 - Caxingui 05515-000 SÃO PAULO - SP Tel. 11 3721 8733 – Fax. 3721 3935 E-mail casa: pmbrasil@uol.com.br Sito: www.combonianos.org.br Pe. Alcides Costa, superior provincial E-mail: provincial@combonianos.org.br costaalcides@combonianos.org.br Pe. Lino Cordero – ecônomo provincial E-mail: economo@combonianos.org.br cordero@uol.com.br linobcordero@gmail.com Pe. Enzo Santângelo E-mail: padre.enzo@uol.com.br Pe. Giuseppe Narduolo E-mail: ocenam@uol.com.br SÃO PAULO (2) - Escolasticado Missionários Combonianos Rua Guaiana Timbó 705 - Pq. Santa Madalena 03983-140 SÃO PAULO - SP Tel. (11) 2702 2589 Pe. Vanderlei Bervian, sup. E-mail: vanderber@hotmail.com Pe. Adriano Zerbini - Paróquia - Tel. (11) 2962 6560 E-mail: zerbadri@yahoo.it SÃO PAULO (3) Missionários Combonianos Rua Almirante Brasil, 264 - Moóca 03164-120 SÃO PAULO - SP Tel. (11) 2693 7389 Pe. Luciano Marini – Superior E-mail: luciano.marini@uol.com.br Pe. João Pedro Baresi - Ecônomo E-mail: jampio36@yahoo.com.br Pe. Andriollo Luigi E-mail: luigiandriollo@hotmail.com Ausêntes de Comunidade: *Pe. Mansueto Dal Maso E-mail: mansy@uol.com.br Rua dos Pioneiros, 1853 Centro 76963-812 CACOAL / RO *Pe. Jaymir Bada E-mail: jaymir_bada@hotmail.com Paróquia Nossa Senhora de Fátima, Pça N.S. de Fátima, s/n - Centro 29970-000 Pedro Canário / ES Tel. (27)3764 1390 Pe. Franco Vialetto - Celular: (69) 9983 11 21. E-mail: cparcf@nettravel.com.br Rua dos Pioneiros, 1853 Centro 76963-812 CACOAL / RO MEMBROS DA PROVÍNCIA BRASIL SUL Adriano Zerbini Alcides Costa Alessandro Garbagnati Andrea Pazzaglia Angelo Carlo Zen Angelo Compri Angelo Di Prisco Antonio Di Lella Antonio Marchi Antonio Zagatto Aurelio Riganti Balbino Lorenzana Bruno Nzigiye Bruno Tonolli Carlo Faggion Carlo Naldi Dom Aldo Gerna Egidio Melzani Elio Savoia Enrico Galimberti Francesco Lenzi Giampietro Baresi Giorgio Padovan Giuseppe Cavalieri Giuseppe Narduolo Henry Dunn Humberto Cley Jaymir Bada Joaquim P. da Fonseca Jorge Miguel P. Brites Jovercino Sirqueira Karl Peinhophf Lino Cordero Lodovico Bonomi Luciano Marini Luigi Andriollo Luigi Falone Mansueto Dal Maso Mario Fioravanti Mario Fortuna Mario Stella Martinho Lopes Moura Massimo Ramundo Matias M. dos Santos Pietro Settin Primo Silvestri Rafael Gemelli Vigolo Remo Mariani Robert Sottara Robinson de C. Cunha Sandoval L. D. da Luz Sante Cordioli Valentino Beninga Vanderlei Bervian Vincenzo Santangelo Walter Borghesi Francesco Vialetto* ![]() No caso do Haiti Quando há um terremoto de grande intensidade, como o que devastou Porto Príncipe, no Haiti, estima-se que 95% das pessoas atingidas não sobrevivam por mais de quatro dias sob os escombros devido a traumatismos graves. 'Se você não conseguir chegar ao paciente em até uma hora, a chance dele sobreviver já cai pela metade. E a cada 24 horas, o número de mortes é progressivamente maior', explicou o médico intensivista Douglas Ferrari, que é presidente da Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva e já participou de diversas missões de resgate. Segundo ele, as estatísticas mundiais revelam que tremores costumam dizimar um número muito alto de pessoas de forma imediata, porque a parte mais sensível do organismo, a cabeça, é o lugar mais atingido e o atendimento não costuma chegar a tempo. 'No terremoto do Japão, houve o caso de pessoas que sobreviveram mais de duas semanas, porque comiam papelão e terra e tinha a possibilidade de buscar água. No grande terremoto da China, uma garota de 20 anos ficou uma semana sob escombros e sobreviveu bebendo água da chuva. Em teoria, um ser humano pode sobreviver mais de três semanas se tiver acesso a água, mas a sobrevivência depende do grau de ferimento, do tamanho do espaço onde a pessoa está e se ela está prensada ou não', contou. Nesses quadros, mais de 70% das pessoas costumam sofrer algum tipo de trauma, seja encefálico, torácico, abdominal ou de membros. O trauma mais recorrente, e também mais grave, é o encefálico. 'Esse é o que mais nos preocupa, porque os outros podem aguardar um determinado período para serem tratados. Quando há trauma no crânio, o nível de consciência baixa, a pessoa fica sonolenta, entra em um estado de torpor e pode entrar em coma. Isso é uma defesa do organismo, porque o paciente está com dor, em um ambiente fechado e existe fratura e sangramento. O organismo sofre um stress e baixa a atividade até se desligar do ambiente externo', afirmou Ferrari. No caso do Haiti, as casas rudimentares tem colaborado para que haja um número de sobreviventes maior do que o esperado para esses cenários. 'O país tem uma característica peculiar. As casas são simples e a queda provoca um trauma menor. Há uma sobrevivência muito maior do que se houvesse casas de concreto', disse. No entanto, muitas pessoas estão morrendo nas portas dos hospitais, porque não há condições de atendimento. HAITI: Nome oficial: República do Haiti Capital: Porto Príncipe População: 9.035.536 Idiomas: francês e francês crioulo Religião: católica, protestante,afro-americanas Etnias: negros (95%), mulatos e brancos (5%) IDH (Índice de Desenvolvimento Humano): 148º Tipo de governo: república presidencialista Divisão administrativa: o país é dividido em 10 departamentos. ![]() S.O.S. HAITI: 'Esperando contra toda esperança' (Rm 4,1) Em meio às desalentadoras notícias que chegam a cada momento, dando conta das trágicas conseqüências do terremoto que afligiu o Haiti, ceifando tantas vidas e colocando abaixo trabalhos e sonhos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB se une à multidão de homens e mulheres que, nestas circunstâncias, têm 'a ousadia de quem se atreve a esperar contra toda esperança', para apresentar à Igreja e a todo povo do Haiti a solidariedade em orações, palavras e gestos. Neste momento, são necessárias iniciativas que demonstrem solidariedade internacional, como, por exemplo, o perdão imediato de toda a dívida externa do Haiti, que corresponde a 30% do seu pobre orçamento, e ações humanitárias que amenizem a dor e reanimem a esperança do povo haitiano. Movida por este sentimento de solidariedade, a CNBB e a Cáritas Brasileira lançam a Campanha SOS HAITI, em socorro à população atingida pelo terremoto. Conclamamos todas as comunidades eclesiais, paróquias e dioceses a promoverem, no próximo domingo, dia 17, ou no dia 24 de janeiro, ou em outra data conveniente, orações e coletas em dinheiro para as vítimas do terremoto no Haiti. Assim, nos unimos à campanha mundial promovida pela Caritas Internationalis em resposta ao apelo do Papa Bento XVI. As doações poderão ser depositadas nas contas: Banco do Brasil - Agência: 3475-4 - Cc: 23.969-0; Caixa Econômica Federal - OP: 003 - Agência: 1041 - Conta Corrente: 1132-1; Bradesco - Agência: 0606 - Cc: 70.000-2. Que a graça de Deus fortaleça nosso compromisso de caridade fraterna, inspire nossa generosidade e anime quem está a serviço das vítimas no Haiti. Brasília, 15 de janeiro de 2010 Dom Geraldo Lyrio Rocha Arcebispo de Mariana Presidente da CNBB Dom Demétrio Valentim Bispo de Jales Presidente da Cáritas Brasileira Na foto: Zilda Arns, uma vida dedicada às crianças.Terremoto no Haiti mata Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança O terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu o Haiti na terça-feira dia 12 matou Zilda Arns, de 75 anos, que integrava uma missão no país caribenho e cumpria agenda de palestras na América Central. Ela está entre as vítimas do terremoto de 7 graus que assolou o Haiti. Médica pediatra e sanitarista, Zilda Arns era fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, órgão de Ação Social da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). A Pastoral estima que cerca de 2 milhões de crianças e mais de 80 mil gestantes sejam acompanhadas todos os meses pela entidade em ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania. Zilda Arns foi indicada por três vezes ao Prêmio Nobel da Paz. A embaixatriz Roseana Teresa Aben-Athar, mulher do embaixador do Brasil no Hati, foi quem encontrou o corpo de Zilda Arns, soterrado entre escombros de um prédio onde funcionava um serviço de ajuda humanitária. Ontem, Arns teria deixado a embaixada em companhia de um militar e da assessora e ido até o prédio que desabou. Com o terromoto, uma laje do edifício caiu e atingiu a coordenadora da Pastoral da Criança. Ela não resistiu e morreu. O irmão da médica, o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo declarou que a irmã 'morreu de uma maneira muito bonita, morreu na causa que sempre acreditou'. A médica viajou no último final de semana para o Haiti para encontro missionário da entidade CIFOR.US e estava hospedada na sede episcopal. De acordo a assessoria de Zilda Arns, a coordenadora estava no Haiti para levar a metodologia de atendimento da Pastoral da Criança no combate à desnutrição. Notícia atualizada sobre a morte de Zilda O corpo da médica chegou a Brasília às 3h30 de hoje (15 de janeiro) em um caixão parafusado, segundo seu sobrinho, o senador Flávio Arns (PSDB-PR), que também integrou a comitiva. Após ser desembarcado, ele seguiu para uma funerária de Brasília para ser preparado para o enterro. ![]() Corpo de Zilda Arns chega a Curitiba e velório será aberto para visitação do público Junto no avião também veio a irmã Rosangela Altoé, que trabalhava com Zilda na Pastoral da Criança. Muito abalada e com um ferimento na mão esquerda, ela relatou que estava a cinco metros de Arns quando houve o desabamento do prédio em que estavam. 'Ela [Zilda] já saía do local quando ocorreu o terremoto. Foi por uma questão de minutos que ela não se salvou', disse. ![]() Querem reservar para si o nome de Deus 'Alá' Apenas entre os dias 8 a 11 de janeiro, nove igrejas foram atacadas no país De acordo com os cristãos da Malásia, a disputa sobre o uso da palavra “Alá” para referir-se a Deus tem raízes muito mais políticas do que teológicas. De acordo com a agência Fides, para os féis se trata de uma tentativa do partido governista de reaver votos perdidos. Essa opinião é compartilhada com diversos partidos da oposição, muitos dos quais muçulmanos, que têm condenado o que chamam de “uma tentativa de polarizar a sociedade malaia em suas bases religiosas”. Após os primeiros atentados contra as igrejas, o Partido Islam Se-Malaysia (PAS), influente partido islâmico da oposição, declarou-se favorável ao uso da palavra “Alá” pelos cristãos. Por seu turno, o líder da oposição, Anwar Ibrahim, do partido People Justice, condenou firmemente os ataques a igrejas, declarando que é preciso 'tentar manter o espírito de unidade dos fundadores e defender o artigo 11 da Constituição governo federal, que garante a liberdade de religião”, convidando ainda “a isolar aqueles que incitam ao ódio religioso com motivações políticas.” Anwar também lembrou que 'Alá é o termo normalmente usado pelos muçulmanos, judeus e cristãos de língua árabe há 14 séculos'. E denunciou “a incessante propaganda e a retórica incendiária dos órgãos de comunicação controlados pelo governo”, assegurando que seu partido, o Pakatan Rakyat, da oposição, “fará tudo o que estiver ao seu alcance para que nossos irmãos cristãos se sintam seguros em seu próprio país.” A polêmica foi iniciada em 1995, quando o semanário católico da arquidiocese de Kuala Lumpur, publicou artigos nos quais referia-se a Deus por “Alá”, como consta na Bíblia em árabe. Em 2006, o Governo malaio, controlado pelo UMNO e ligado à população malaia predominantemente muçulmana, declarou publicamente a intenção de impedir as publicações cristãs em língua malaia de fazer uso da palavra “Alá” para indicar Deus. Em 31 de dezembro de 2009, o Supremo Tribunal de Justiça da Malásia emitiu um parecer favorável ao uso da palavra “Alá” por cristãos. Em 4 de janeiro, começaram a se difundir na rede Facebook grupos convocando os fiéis muçulmanos a protestar contra a decisão. Em 6 de janeiro, o governo anunciou sua intenção de recorrer junto ao tribunal contra a liminar. A partir do dia 8 de janeiro, iniciaram-se os ataques contra alvos cristãos. Entre 8 e 11 de janeiro, nove igrejas foram atacadas na Malásia, oito das quais com coquetéis-molotov. Além de igrejas católicas, outras igrejas cristãs também foram alvo de ataques, sendo uma delas batista, uma luterana, uma anglicana, uma pentecostal e duas evangélicas. ![]() Morre aos 86 anos Dom Leo Yao Liang Autoridades chinesas proíbem chamá-lo de bispo mesmo após sua morte Morreu no dia 30 de dezembro Dom Leo Yao Liang, bispo coadjutor da diocese de Siwantze (Chongli- Xiwanzi), na província de Hebei, China continental. O prelado nasceu em 11 de abril de 1923, no vilarejo de Gonghui. Ordenado sacerdote em 1º de agosto de 1948, atuou como vigário em diversas paróquias da diocese, até ser impedido de exercer o sacerdócio pelo governo chinês. Em 1956, foi condenado a trabalhos forçados por ter se recusado a aderir ao movimento de independência da Igreja Católica chinesa em relação ao Papa. Dois anos depois, sob a mesma acusação, é condenado à prisão perpétua. Em 1984, no entanto, foi liberado, após cumprir quase 30 anos de prisão. Após ser ordenado bispo, em 19 de fevereiro de 2002, acaba novamente preso pela polícia em julho de 2006, logo após a consagração de uma nova igreja em Guyuan. Seguem-se outros 30 meses na prisão, após os quais é libertado, mas mantido sempre sob estrita vigilância. Pode então voltar a se dedicar à diocese. Suas missas dominicais contavam com mais de mil fiéis presentes. Após a morte de Dom Yao, as autoridades proibiram a comunidade católica de honrá-lo com o título de bispo, exigindo que se referisse a ele por “pastor clandestino”, denunciou L'Osservatore Romano. “Na manhã de 6 de janeiro, milhares de fiéis, provenientes de diversas regiões do país, participaram de seu funeral, apesar dos controles da polícia e da forte nevasca, o que demonstra que Dom Yao foi de fato um bom pastor, dando a vida por suas ovelhas”, acrescentou o periódico. Nele, assim como em outros bispos falecidos em 2009, se cumpriram as palavras do Livro da Sabedoria: “As almas dos justos, porém, estão na mão de Deus, e nenhum tormento os atingirá. Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido; sua saída do mundo foi considerada uma desgraça e sua partida do meio de nós, uma destruição, mas eles estão na paz. Aos olhos humanos parecem ter sido castigados, mas sua esperança é cheia de imortalidade. Tendo sofrido leves correções, serão cumulados de grandes bens, porque Deus os pôs à prova e os achou dignos de si. Provou-os como se prova o ouro na fornalha, e aceitou-os como ofertas de holocausto” (3, 1-6), concluiu o jornal. Ataque a tiros mata sete pessoas em frente a igreja no Egito Homens armados mataram seis cristãos e um policial muçulmano em frente a uma igreja no sul do Egito, no momento em que os fiéis saíam de uma missa de meia-noite para marcar o Natal dos cristãos coptas nesta quinta-feira, disseram fontes locais. O ataque aconteceu nas primeiras horas do dia na cidade de Nag Hammadi, na Província de Qena, a cerca 60 quilômetros das famosas ruínas de Luxor. O bispo Kirollos, da diocese de Nag Hammadi, um administrador hospitalar e um oficial de segurança locais disseram à agência de notícias Associated Press que sete pessoas morreram no ataque. O oficial de segurança disse que três pessoas ficaram gravemente feridas. Fontes ouvidas pela agência Reuters relataram ao menos cinco mortes. Os coptas estavam deixando a igreja da Virgem Maria quando um carro escuro parou em frente ao local e desconhecidos abriram fogo aleatoriamente sobre o público. Dois muçulmanos que passavam perto da igreja também foram feridos, disseram fontes de segurança. Os cristãos coptas, um ramo da Igreja Ortodoxa Oriental, celebram o Natal em 7 de janeiro. Qena é uma das áreas mais pobres e conservadoras do Egito. Os cristãos, principalmente coptas, são cerca de 10% da população do Egito, um país predominantemente muçulmano. Choques entre muçulmanos e cristãos, restritos ao sul do país nos últimos anos, têm se espalhado para a capital. À medida que o conservadorismo islâmico ganha terreno, os cristãos têm cada vez mais se queixado de discriminação pela maioria muçulmana. A violência sectária é rara, mas disputas sobre questões religiosas, incluindo a terra ou mulheres ocasionalmente acontecem. No verão de 2008 no sul do Egito, um muçulmano foi morto em confrontos devido à expansão de um mosteiro copta ortodoxo, e os muçulmanos queimaram casas de moradores cristãos porque um padre foi visto realizando uma missa dentro de uma casa, de acordo com o grupo de direitos humanos Iniciativa Egípcia pelos Direitos Individuais. ![]() Brasil quer evitar posse ilegal de terras na Amazônia Raimundo Teixeira de Souza chegou a este abafado local da Amazônia há 15 anos, buscando uma terra. Ele comprou oito hectares, segundo afirmou, mas fazendeiros mais poderosos, que percorrem esse território selvagem com rifles pendurados nas costas, os forçaram a vender grande parte da terra por uma mixaria. Depois, alguém baleou e matou o enteado de Souza, de 23 anos, no meio de uma estrada da vila, há dois anos, segundo moradores locais. Ninguém foi preso. Na verdade, o novo chefe da política não tem registro de que o crime chegou a ser investigado pelo seu antecessor. Não é uma surpresa, segundo o chefe policial, considerando que ele tem apenas quatro investigadores para cobrir uma área de grilagem desenfreada e desmatamento do tamanho da Áustria. 'Estamos sendo massacrados', disse Souza, 44 anos, líder de uma associação de moradores local. 'Só queremos trabalhar e criar nossos filhos'. Tem sido assim há décadas, dizem os moradores. Por toda essa enorme região da Amazônia, o estado praticamente é inexistente, seja na forma de policiais ou registros de propriedade de terras, dando espaço para uma cultura desafiadora de tomadas ilegais de terras, muitas vezes realizadas com a ajuda de um cano de espingarda. Porém, usando uma nova lei, o governo do Brasil está tentando impor ordem neste território muitas vezes sem lei e, no processo, possivelmente lidar com uma preocupação global bem mais ampla: o desmatamento e a ameaça das mudanças climáticas que vem com ele. Pela primeira vez, o governo brasileiro está estabelecendo formalmente quem é dono de milhares de hectares por toda a Amazônia, permitindo-o rastrear quem é responsável pelo desmatamento da floresta para extração de madeira e criação de gado - e quem deveria ser acusado quando isso é feito de forma ilegal. 'O governo finalmente vai saber de quem é essa terra, e quem é responsável pelo que acontece ali', disse Thomas E. Lovejoy, da diretoria de biodiversidade do Heinz Center for Science, Economics and the Environment, em Washington. Esta região no estado do Pará é o pior lugar de destruição da floresta do Brasil, e ambientalistas esperam que a nova lei, aprovada pelo congresso brasileiro em junho do ano passado, ajude o governo a finalmente fiscalizar seus limites oficiais em relação ao desmatamento das terras. No entanto, é uma missão enorme e complicada. Registros de desmatamento de propriedades existem para menos de 4% da terra em mãos privadas por toda a Amazônia brasileira, afirmam membros do governo. Aqui no Pará, descobriram falsos títulos para cerca de 130 milhões de hectares, quase o dobro da quantidade de terra que existe de fato, segundo oficiais federais. Enquanto pequenos fazendeiros como Souza estão colocando suas esperanças na lei, muitos latifundiários afirmam terem sacrificado muito sangue e suor por burocratas em Brasília, a capital, para forçar novas regras. 'Tudo que temos hoje foi construído a partir do nosso próprio desejo de trabalhar', disse Jorgiano Alves de Oliveira, 68 anos, que cria gado e planta cacau em cerca de 240 hectares. O problema começou com a ditadura militar nas décadas de 1960 e 1970, que convidou pessoas a ocupar a Amazônia, mas exigiu que eles limpassem as florestas para ter acesso a terra e crédito. As crescentes críticas às políticas do Brasil em relação à Amazônia levaram o governo civil da década de 1980 a desenvolver leis que, pelo menos no papel, estavam entre as que mais protegiam as florestas no mundo. Entretanto, com a rara presença de autoridades para fiscalização, as leis não ajudaram a acabar com a posse desenfreada de terras. 'Este caos de insegurança legal foi a base mais importante para os incentivos perversos na Amazônia para pilhar, em vez de preservar ou desenvolver, e a constante incitação à violência', disse Roberto Mangabeira Unger, ex-ministro de assuntos estratégicos que ajudou a desenvolver a nova lei das terras. De acordo com a nova lei, que se aplica a mais de 60 milhões de hectares, o governo irá conceder terrenos de até 100 hectares gratuitamente para assentados. Propriedades maiores serão vendidas a preços variados, com ou sem leilões públicos, dependendo do tamanho. As propriedades maiores de 2.425 hectares não poderão ser vendidas sem um ato explícito do congresso. Até agora, os assentados registraram cerca de 4% da terra separada pela lei, segundo oficiais do governo. Desde os tempos da ditadura militar, essa grande região no estado do Pará, conhecida como São Félix do Xingu, tem atraído colonos resistentes e exploradores em busca de terra barata, bom solo e uma ampla gama de minerais e frutas raras da Amazônia. Porém, criminosos notórios também encontraram refúgio aqui. Leonardo Dias Mendonça coordenou um grande empreendimento criminoso em São Félix, que incluía uma frota de aviões usados para entregar armas a rebeldes colombianos em troca de drogas, antes de ser condenado, em 2003. Disputas em São Félix eram resolvidas tradicionalmente com 'muitas mortes', disse Waldemir de Oliveira, líder da associação agricultora de São Félix. 'Era a lei do mais forte', disse Oliveira. 'Fazendeiros colocavam guardas no perímetro de suas terras e ninguém entrava. Quem entrava tinha de 'sair ou morrer''. Oliveira e outros residentes afirmam que a violência está diminuindo, mas ainda é uma grande preocupação. Em novembro do ano passado, um dono de um bar local virou a mesa contra quatro homens que chegaram para matá-lo em plena luz do dia, matando todos eles, disse João Gross, arquiteto da área. Em Vila dos Crentes, o alto ruído de um gerador quase abafou uma recente reunião de moradores, em uma igreja. 'Estamos começando a entender que temos de nos envolver com o reflorestamento e parar com o desmatamento', disse Souza. No entanto, esses objetivos são ofuscados pela constante ameaça da violência. Moradores disseram que trabalhadores de uma fazenda ali perto estavam fazendo uma campanha de violência e intimidação para forçá-los a sair, até jogaram um químico tóxico de um avião sobre a área, matando peixes e animais. Em maio de 2007, moradores encontraram o enteado de Souza morto na estrada, com muitos tiros. 'Ninguém deve fazer inimigos aqui', disse Eder Rodrigues de Oliveira, 26 anos, que afirmou ter crescido com o enteado de Souza. 'Todos aqui devem ser humildes'. Na delegacia mais próxima, a mais de 150km de distância, Álvaro Ikeda disse que assassinatos eram comuns aqui, indicando uma pilha de arquivos contendo informações sobre 11 suspeitas de homicídio sobre investigação. As testemunhas muitas vezes têm medo de denunciar os crimes. 'Não posso garantir a vida da testemunha', disse Ikeda. 'Não posso nem garantir minha própria vida'. Assim, o delegado decidiu morar na própria delegacia. Ele mantém um fuzil calibre 12 e um fuzil sempre à mão. 'Aqui, sempre estamos armados', disse ele. Com a Missão no Coração! É tarefa nossa colocar o mundo no centro, no altar dos nossos corações, comunicar as ricas experiências que vivemos, ajudar a perceber que não podemos reduzir a missão a uma experiência pessoal. Somos chamados a anunciar a boa nova além fronteiras e a partilhar, animar, incentivar nossas comunidades, paróquias, a Igreja toda a se contagiar com a Missão para a Humanidade. “Que eu não fique indiferente aos problemas das pessoas em nenhum lugar do mundo”. Com este desejo no dia 13 de dezembro estivemos reunidos em Nova Contagem, MG, para um bonito encontro, no qual tivemos a oportunidade de ouvir as partilhas missionárias de Lourdes, lmc em Moçambique; irmã Elvira, religiosa moçambicana aqui no Brasil; Rose, lmc atuante na Causa Indígena; Pe Everaldo mccj e tantas outras partilhas. O momento de formação com Pe Jorge mccj, a leitura orante conduzida pelo Alejo lmc, muita música, alegria, emoção nos fizeram parar um pouco para partilharmos este rico tesouro que trazemos em nossos corações. A primeira terra de Missão é o nosso coração! Podemos dizer que muitos são os motivos de gratidão a Deus, pela sua ação em nossas vidas e na ação missionária da Igreja. Preciosa também a presença e participação dos escolásticos René do Ecuador e Willy do Peru, que chegaram em Contagem para continuar a formação comboniana. Neste ano, nos reunimos como família missionária comboniana para construímos um dia de reflexão, oração, partilhas da Missão... Foi um momento de encontro, festa, reunidos com familiares, amigos, colaboradores: todos aqueles que têm a Missão no coração! Foi um dia dedicado a reforçar nossos laços de amizade e o compromisso e espiritualidade missionária comboniana. Encerramos o dia com a celebração da Missa de Ação de Graças e o Envio Paroquial da Vanessa e do Everaldo para a África. Na Eucaristia foi partilhado a importância dos verbos: partir e chegar, dar e receber, enviar e acolher. São atitudes e ações missionárias ainda muito atuais e que provocam os jovens. No momento da benção e do envio todos pediram o dom do Espírito Santo e se comprometeram a não deixar os nossos amigos partirem sozinhos, mas acompanhados e apoiados pela comunidade, paróquia e amigos. Que Deus nos abençoe e São Daniel Comboni nos inspire para que possamos crescer sempre mais na consciência de sermos discípulos missionários de Jesus, colaboradores no Seu projeto de Salvação. Assim, com nosso compromisso, daremos testemunho com nossas vidas de que Missão é tarefa essencial da Igreja. Cristina Paulek, lmc, e pe. Jorge Padovan mccj O padre de uma igreja decidiu observar as pessoas que entravam para orar. A porta se abriu e um homem de camisa esfarrapada adentrou pelo corredor central. O homem se ajoelhou, inclinou a cabeça, levantou-se e foi embora. Nos dias seguintes, sempre ao meio-dia, a mesma cena se repetia. Cada vez que se ajoelhava por alguns instantes, deixava de lado uma marmita. A curiosidade do padre crescia e também o receio de que fosse um assaltante; então decidiu aproximar-se e perguntar o que fazia ali. O velho homem disse que trabalhava numa fábrica, num outro bairro da cidade e que se chamava Jim. Disse que o almoço havia sido há meia hora atrás e que reservava o tempo restante para orar, que ficava apenas alguns momentos porque a fábrica era longe dali. E disse a oração que fazia: 'Vim aqui novamente, Senhor, só pra lhe dizer quão feliz eu tenho sido desde que nos tornamos amigos e que o Senhor me livrou dos meus pecados. Não sei bem como devo orar, mas eu penso em você todos os dias. Assim, Jesus, hoje estou aqui, só observando.' O padre, um tanto aturdido, disse que ele seria sempre bem-vindo e que viesse à igreja sempre que desejasse. 'É hora de ir' - disse Jim sorrindo. Agradeceu e dirigiu-se apressadamente para a porta. O padre ajoelhou-se diante do altar, de um modo como nunca havia feito antes. Teve então, um lindo encontro com Jesus. Enquanto lágrimas escorriam por seu rosto, ele repetiu a oração do velho homem... 'Vim aqui novamente, Senhor, só pra lhe dizer quão feliz eu tenho sido desde que nos tornamos amigos e que o Senhor me livrou dos meus pecados. Não sei bem como devo orar mas penso em você todos os dias. Assim, Jesus, hoje estou aqui, só observando.' Certo dia, o padre notou que Jim não havia aparecido. Percebendo que sua ausência se estendeu pelos dias seguintes, começou a ficar preocupado. Foi à fábrica perguntar por ele e descobriu que estava enfermo. Durante a semana em que Jim esteve no hospital, a rotina da enfermaria mudou. Sua alegria era contagiante. A chefe das enfermeiras, contudo, não pôde entender porque um homem tão simpático como Jim não recebia flores, telefonemas, cartões de amigos, parentes... Nada! Ao encontrá-lo, o padre colocou-se ao lado de sua cama. Foi quando Jim ouviu o comentário da enfermeira: - Nenhum amigo veio pra mostrar que se importa com ele. Ele não deve ter ninguém com quem contar!! Parecendo surpreso, o velho virou-se para o padre e disse com um largo sorriso: - A enfermeira está enganada; ela não sabe, mas desde que estou aqui, sempre ao meio-dia ELE VEM! Um querido amigo meu, que se senta bem junto a mim, Ele segura minha mão, inclina-se em minha direção e diz: 'Eu vim só pra lhe dizer quão feliz eu sou desde que nos tornamos amigos. Gosto de ouvir sua oração e penso em você todos os dias. Agora sou eu quem o está observando... e cuidando! ' Na foto: Destroços de avião militar da guerra civil da década de 1980 em um campo de Jonglei (Sudão)Sul do Sudão anseia por liberdade, mas teme uma nova guerra A notícia correu em uma sexta-feira. Chibetek estava voltando com guerreiros e muito ressentimento, para acertar as contas. Toda a aldeia entrou em modo de combate. Os meninos agarraram rifles enferrujados, as mulheres correram para o rio para se esconder na água, os velhos montaram sentinela nos arredores da aldeia, fixando seus olhos amarelos e remelentos nas vastas savanas e pântanos cheios de malária que mantiveram essa região isolada durante décadas. Quando os guerreiros vieram, disseram os aldeões, havia centenas deles, talvez milhares, surgindo pelo capim-elefante, da altura do peito, com metralhadoras e lança-granadas, vestindo novos uniformes que significavam um nível inédito de organização militar. 'Não era uma batida para apanhar gado', disse Majak Piok, um idoso da aldeia. O sul do Sudão, uma das áreas menos desenvolvidas e mais assoladas pela guerra da África, está em uma fase crítica, preparando-se para uma votação sobre a independência que provavelmente dividirá o Sudão, já volátil, em dois. É o auge de décadas de guerra civil e de um tratado de paz apoiado pelos Estados Unidos para pôr fim a ela, mas conforme se aproxima o dia tão esperado muitos sudaneses do sul temem que outra guerra devastadora esteja no horizonte. Mais de 2 mil pessoas foram mortas este ano em batalhas de origem étnica, como a recente em Duk Padiet. Os aldeões chamam isso de 'guerra tribal', mas os líderes do sul do Sudão e alguns diplomatas da ONU suspeitam que não sejam simplesmente disputas locais resolvidas a ponta de fuzil. Em vez disso, eles indicam um recente influxo de armas na região, dizendo que isso sugere que as autoridades do norte do Sudão estejam armando várias facções - como já fizeram antes -, em um complô para mergulhar o sul no caos e para que o referendo da independência marcado para 2011 seja adiado ou mesmo cancelado. Os políticos do norte, que controlam o país, negam ardentemente essas acusações, e não há uma prova concreta de interferência. Porém, a estabilidade do Sudão, o maior país da África, com quase 2,6 milhões de quilômetros quadrados, pode estar em jogo. Mais de 2 milhões de pessoas morreram durante a guerra civil que terminou com o acordo de paz de 2005, e se irrompesse um novo conflito norte-sul poderia incluir militantes de Darfur, das montanhas Nuba, do leste do Sudão e de outros cantos do país. Desta vez o centro poderá não suportar, segundo muitos analistas, porque a política do Sudão se tornou muito combustível. O presidente Omar Hassan al-Bashir foi acusado de crimes de guerra; o país se prepara para uma eleição disputada em abril; enormes suprimentos de armas continuam entrando; e militares do norte e do sul estão em alerta máximo, especialmente em áreas de fronteira disputadas. Já no sul, as aldeias estão sendo arrasadas, crianças são sequestradas e milhares de civis despossuídos estão afluindo para campos de refugiados, em cenas que lembram o conflito de Darfur, que, depois de anos de violência, está comparativamente tranquilo. 'Este é o núcleo' da violência, disse David Gressly, a principal autoridade da ONU no sul do Sudão. Ele passou a mão sobre um mapa mostrando o estado de Jonglei, onde a aldeia de Duk Padiet foi atacada por um comandante rebelde chamado Chibetek. Vários outros massacres ocorreram recentemente na área. O roubo de gado e pequenas escaramuças acontecem há eras, disse Gressly, mas este ano houve uma 'facilidade e disponibilidade de munição' incomum. O norte tem uma história bem documentada de canalizar armas para o sul do Sudão e atirar os sulinos uns contra os outros, geralmente seguindo linhas étnicas. Além disso, há bilhões de dólares de petróleo no sul, que o norte claramente não quer perder. No entanto, o norte dominado pelos árabes também é um bode-expiatório conveniente, e as autoridades do norte se queixam de ser retratadas como 'o bicho-papão'. Desde que o sul do Sudão recebeu certa autonomia, em 2005, seus líderes decepcionaram a população de muitas maneiras, com esquemas de desarmamento ineficazes e uma tremenda corrupção. Recentemente, US$ 200 milhões que seriam destinados à compra de cereais desapareceram do Ministério das Finanças do sul, em um momento em que a seca e os deslocamentos relacionados ao conflito deixaram mais de um milhão de sulinos à beira da fome. A terra aqui é árida, e em alguns lugares parece um depósito de dejetos de guerra, com tanques queimados e aviões de caça derrubados desaparecendo no mato. No período colonial, os britânicos dividiram a área em zonas de influência para os poucos missionários europeus que se dispuseram a enfrentar a malária, a febre tifóide e o calor inclemente. A população aqui é notavelmente diferente de seus conterrâneos do norte islâmico. A maioria é animista ou cristã, extremamente alta - não é raro encontrar homens de 2 metros - e ligada a uma vida que gira tão estreitamente ao redor do gado que as pessoas dão nomes de bois e vacas a seus filhos. Mesmo antes de o Sudão se tornar independente, em 1956, os sulinos já lutavam para ter um país próprio. A guerra irrompeu várias vezes e no final da década de 1980 o Exército de Libertação do Povo do Sudão (SPLA na sigla em inglês) surgiu como a força guerrilheira multiétnica mais forte. Entretanto, quando o SPLA estava prestes a capturar as principais cidades, os rebeldes - instigados por políticos do norte - se dividiram violentamente. Algumas das piores atrocidades durante a guerra civil foram atos do sul contra o sul, como o chamado massacre Bor em 1991, quando guerreiros nuer assassinaram 2 mil dinka. Foi essencialmente uma guerra civil dentro de uma guerra civil. Muitas pessoas aqui dizem que hoje há um sentimento parecido. Em Duk Padiet, o terreno é marcado por círculos de cinzas das cabanas queimadas durante o ataque de setembro. A população daqui é dinka. Os atacantes bem armados eram nuer. Mais de 160 pessoas foram mortas, incluindo policiais, mulheres, crianças e um comerciante somali e um lojista de Darfur, enterrados na mesma cova rasa porque ninguém sabia exatamente de onde eram. Os líderes nuer não negam que seus guerreiros mataram dezenas de pessoas. Mas dizem que o governo local chefiado pelos dinka estava bloqueando uma estrada para regiões nuer e não permitia o acesso dos nuer ao rio. 'Os nuer sentiram que o governo os ignorava', disse Solomon Pur, um jovem líder nuer. No passado essas rivalidades ocasionalmente se tornavam violentas, com alguns guerreiros mortos de cada lado. Mas os recentes ataques mais parecem manobras de infantaria. Em um massacre em março, 17 aldeias foram sitiadas e mais de 700 pessoas morreram, segundo oficiais da ONU. Diing Akol Diing, um comissário de distrito próximo a Duk Padiet, guarda fotos das vítimas em seu computador: crianças com buracos de bala no peito, idosas caídas em poças de sangue, guerrilheiros de milícias em roupas novas camufladas. 'Isto é loucura', ele diz. Clica em uma foto de mais de dez pessoas enroladas em cobertores e jogadas em uma vala. 'Valas comuns?', ele diz. 'Nós nunca tivemos valas comuns'. ![]() MENSAGEM DE SUA SANTIDADE BENTO XVI PARA A CELEBRAÇÃO DO DIA MUNDIAL DA PAZ SE QUISERES CULTIVAR A PAZ, PRESERVA A CRIAÇÃO 1. POR OCASIÃO DO INÍCIO DO ANO NOVO, desejo expressar os mais ardentes votos de paz a todas as comunidades cristãs, aos responsáveis das nações, aos homens e mulheres de boa vontade do mundo inteiro. Para este XLIII Dia Mundial da Paz, escolhi o tema: Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. O respeito pela criação reveste-se de grande importância, designadamente porque « a criação é o princípio e o fundamento de todas as obras de Deus » e a sua salvaguarda torna-se hoje essencial para a convivência pacífica da humanidade. Com efeito, se são numerosos os perigos que ameaçam a paz e o autêntico desenvolvimento humano integral, devido à desumanidade do homem para com o seu semelhante – guerras, conflitos internacionais e regionais, actos terroristas e violações dos direitos humanos –, não são menos preocupantes os perigos que derivam do desleixo, se não mesmo do abuso, em relação à terra e aos bens naturais que Deus nos concedeu. Por isso, é indispensável que a humanidade renove e reforce « aquela aliança entre ser humano e ambiente que deve ser espelho do amor criador de Deus, de Quem provimos e para Quem estamos a caminho ». 2. Na encíclica Caritas in veritate, pus em realce que o desenvolvimento humano integral está intimamente ligado com os deveres que nascem da relação do homem com o ambiente natural, considerado como uma dádiva de Deus para todos, cuja utilização comporta uma responsabilidade comum para com a humanidade inteira, especialmente os pobres e as gerações futuras. Assinalei também que corre o risco de atenuar-se, nas consciências, a noção da responsabilidade, quando a natureza e sobretudo o ser humano são considerados simplesmente como fruto do acaso ou do determinismo evolutivo. Pelo contrário, conceber a criação como dádiva de Deus à humanidade ajuda-nos a compreender a vocação e o valor do homem; na realidade, cheios de admiração, podemos proclamar com o salmista: « Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que lá colocastes, que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes? » (Sl 8, 4-5). Contemplar a beleza da criação é um estímulo para reconhecer o amor do Criador; aquele Amor que « move o sol e as outras estrelas ». 3. Há vinte anos, ao dedicar a Mensagem do Dia Mundial da Paz ao tema Paz com Deus criador, paz com toda a criação, o Papa João Paulo II chamava a atenção para a relação que nós, enquanto criaturas de Deus, temos com o universo que nos circunda. « Observa-se nos nossos dias – escrevia ele – uma consciência crescente de que a paz mundial está ameaçada (…) também pela falta do respeito devido à natureza ». E acrescentava que esta consciência ecológica « não deve ser reprimida mas antes favorecida, de maneira que se desenvolva e vá amadurecendo até encontrar expressão adequada em programas e iniciativas concretas ». Já outros meus predecessores se referiram à relação existente entre o homem e o ambiente; por exemplo, em 1971, por ocasião do octogésimo aniversário da encíclica Rerum novarum de Leão XIII, Paulo VI houve por bem sublinhar que, « por motivo de uma exploração inconsiderada da natureza, [o homem] começa a correr o risco de a destruir e de vir a ser, também ele, vítima dessa degradação ». E acrescentou que, deste modo, « não só o ambiente material se torna uma ameaça permanente – poluições e lixo, novas doenças, poder destruidor absoluto – mas é o próprio contexto humano que o homem não consegue dominar, criando assim para o dia de amanhã um ambiente global que se lhe poderá tornar insuportável. Problema social de grande envergadura, este, que diz respeito à inteira família humana ». 4. Embora evitando de intervir sobre soluções técnicas específicas, a Igreja, « perita em humanidade », tem a peito chamar vigorosamente a atenção para a relação entre o Criador, o ser humano e a criação. Em 1990, João Paulo II falava de « crise ecológica » e, realçando o carácter prevalecentemente ético de que a mesma se revestia, indicava « a urgente necessidade moral de uma nova solidariedade ». Hoje, com o proliferar de manifestações duma crise que seria irresponsável não tomar em séria consideração, tal apelo aparece ainda mais premente. Pode-se porventura ficar indiferente perante as problemáticas que derivam de fenómenos como as alterações climáticas, a desertificação, o deterioramento e a perda de produtividade de vastas áreas agrícolas, a poluição dos rios e dos lençóis de água, a perda da biodiversidade, o aumento de calamidades naturais, o desflorestamento das áreas equatoriais e tropicais? Como descurar o fenómeno crescente dos chamados « prófugos ambientais », ou seja, pessoas que, por causa da degradação do ambiente onde vivem, se vêem obrigadas a abandoná-lo – deixando lá muitas vezes também os seus bens – tendo de enfrentar os perigos e as incógnitas de uma deslocação forçada? Com não reagir perante os conflitos, já em acto ou potenciais, relacionados com o acesso aos recursos naturais? Trata-se de um conjunto de questões que têm um impacto profundo no exercício dos direitos humanos, como, por exemplo, o direito à vida, à alimentação, à saúde, ao desenvolvimento. 5. Entretanto tenha-se na devida conta que não se pode avaliar a crise ecológica prescindindo das questões relacionadas com ela, nomeadamente o próprio conceito de desenvolvimento e a visão do homem e das suas relações com os seus semelhantes e com a criação. Por isso, é decisão sensata realizar uma revisão profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento e também reflectir sobre o sentido da economia e dos seus objectivos, para corrigir as suas disfunções e deturpações. Exige-o o estado de saúde ecológica da terra; reclama-o também e sobretudo a crise cultural e moral do homem, cujos sintomas há muito tempo que se manifestam por toda a parte. A humanidade tem necessidade de uma profunda renovação cultural; precisa de redescobrir aqueles valores que constituem o alicerce firme sobre o qual se pode construir um futuro melhor para todos. As situações de crise que está atravessando, de carácter económico, alimentar, ambiental ou social, no fundo são também crises morais e estão todas interligadas. Elas obrigam a projectar de novo a estrada comum dos homens. Impõem, de maneira particular, um modo de viver marcado pela sobriedade e solidariedade, com novas regras e formas de compromisso, apostando com confiança e coragem nas experiências positivas realizadas e rejeitando decididamente as negativas. É o único modo de fazer com que a crise actual se torne uma ocasião para discernimento e nova projectação. 6. Porventura não é verdade que, na origem daquela que em sentido cósmico chamamos « natureza », há « um desígnio de amor e de verdade »? O mundo « não é fruto duma qualquer necessidade, dum destino cego ou do acaso, (…) procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participantes do seu Ser, da sua sabedoria e da sua bondade ». Nas suas páginas iniciais, o livro do Génesis introduz-nos no projecto sapiente do cosmos, fruto do pensamento de Deus, que, no vértice, colocou o homem e a mulher, criados à imagem e semelhança do Criador, para « encher e dominar a terra » como « administradores » em nome do próprio Deus (cf. Gn 1, 28). A harmonia descrita na Sagrada Escritura entre o Criador, a humanidade e a criação foi quebrada pelo pecado de Adão e Eva, do homem e da mulher, que pretenderam ocupar o lugar de Deus, recusando reconhecer-se como suas criaturas. Em consequência, ficou deturpada também a tarefa de « dominar » a terra, de a « cultivar e guardar » e gerou-se um conflito entre eles e o resto da criação (cf. Gn 3, 17-19). O ser humano deixou-se dominar pelo egoísmo, perdendo o sentido do mandato de Deus, e, no relacionamento com a criação, comportou-se como explorador pretendendo exercer um domínio absoluto sobre ela. Mas o verdadeiro si-gnificado do mandamento primordial de Deus, bem evidenciado no livro do Génesis, não consistia numa simples concessão de autoridade, mas antes num apelo à responsabilidade. Aliás, a sabedoria dos antigos reconhecia que a natureza está à nossa disposição, mas não como « um monte de lixo espalhado ao acaso », enquanto a Revelação bíblica nos fez compreender que a natureza é dom do Criador, o Qual lhe traçou os ordenamentos intrínsecos a fim de que o homem pudesse deduzir deles as devidas orientações para a « cultivar e guardar » (cf. Gn 2, 15). Tudo o que existe pertence a Deus, que o confiou aos homens, mas não à sua arbitrária disposição. E quando o homem, em vez de desempenhar a sua função de colaborador de Deus, se coloca no lugar de Deus, acaba por provocar a rebelião da natureza, « mais tiranizada que governada por ele ». O homem tem, portanto, o dever de exercer um governo responsável da criação, preservando-a e cultivando-a. 7. Infelizmente temos de constatar que um grande número de pessoas, em vários países e regiões da terra, experimenta dificuldades cada vez maiores, porque muitos se descuidam ou se recusam a exercer sobre o ambiente um governo responsável. O Concílio Ecuménico Vaticano II lembrou que « Deus destinou a terra com tudo o que ela contém para uso de todos os homens e povos ». Por isso, a herança da criação pertence à humanidade inteira. Entretanto o ritmo actual de exploração põe seriamente em perigo a disponibilidade de alguns recursos naturais não só para a geração actual, mas sobretudo para as gerações futuras. Ora não é difícil constatar como a degradação ambiental é muitas vezes o resultado da falta de projectos políticos clarividentes ou da persecução de míopes interesses económicos, que se transformam, infelizmente, numa séria ameaça para a criação. Para contrastar tal fenómeno, na certeza de que « cada decisão económica tem consequências de carácter moral », é necessário também que a actividade económica seja mais respeitadora do ambiente. Quando se lança mão dos recursos naturais, é preciso preocupar-se com a sua preservação prevendo também os seus custos em termos ambientais e sociais, que se devem contabilizar como uma parcela essencial da actividade económica. Compete à comunidade internacional e aos governos nacionais dar os justos sinais para contrastar de modo eficaz, no uso do ambiente, as modalidades que resultem danosas para o mesmo. Para proteger o ambiente e tutelar os recursos e o clima é preciso, por um lado, agir no respeito de normas bem definidas mesmo do ponto de vista jurídico e económico e, por outro, ter em conta a solidariedade devida a quantos habitam nas regiões mais pobres da terra e às gerações futuras. 8. Na realidade, é urgente a obtenção de uma leal solidariedade entre as gerações. Os custos resultantes do uso dos recursos ambientais comuns não podem ficar a cargo das gerações futuras. « Herdeiros das gerações passadas e beneficiários do trabalho dos nossos contemporâneos, temos obrigações para com todos, e não podemos desinteressar-nos dos que virão depois de nós aumentar o círculo da família humana. A solidariedade universal é para nós não só um facto e um benefício, mas também um dever. Trata-se de uma responsabilidade que as gerações presentes têm em relação às futuras, uma responsabilidade que pertence também a cada um dos Estados e à comunidade internacional ». O uso dos recursos naturais deverá verificar-se em condições tais que as vantagens imediatas não comportem consequências negativas para os seres vivos, humanos e não humanos, presentes e vindouros; que a tutela da propriedade privada não dificulte o destino universal dos bens; que a intervenção do homem não comprometa a fecundidade da terra para benefício do dia de hoje e do amanhã. Para além de uma leal solidariedade entre as gerações, há que reafirmar a urgente necessidade moral de uma renovada solidariedade entre os indivíduos da mesma geração, especialmente nas relações entre os países em vias de desenvolvimento e os países altamente industrializados: « A comunidade internacional tem o imperioso dever de encontrar as vias institucionais para regular a exploração dos recursos não renováveis, com a participação também dos países pobres, de modo a planificar em conjunto o futuro ». A crise ecológica manifesta a urgência de uma solidariedade que se projecte no espaço e no tempo. Com efeito, é importante reconhecer, entre as causas da crise ecológica actual, a responsabilidade histórica dos países industrializados. Contudo os países menos desenvolvidos e, de modo particular, os países emergentes não estão exonerados da sua própria responsabilidade para com a criação, porque o dever de adoptar gradualmente medidas e políticas ambientais eficazes pertence a todos. Isto poder-se-ia realizar mais facilmente se houvesse cálculos menos interesseiros na assistência, na transferência dos conhecimentos e tecnologias menos poluidoras. 9. Um dos nós principais a enfrentar pela comunidade internacional é, sem dúvida, o dos recursos energéticos, delineando estratégias compartilhadas e sustentáveis para satisfazer as necessidades de energia da geração actual e das gerações futuras. Para isso, é preciso que as sociedades tecnologicamente avançadas estejam dispostas a favorecer comportamentos caracterizados pela sobriedade, diminuindo as próprias necessidades de energia e melhorando as condições da sua utilização. Ao mesmo tempo é preciso promover a pesquisa e a aplicação de energias de menor impacto ambiental e a « redistribuição mundial dos recursos energéticos, de modo que os próprios países desprovidos possam ter acesso aos mesmos ». Deste modo, a crise ecológica oferece uma oportunidade histórica para elaborar uma resposta colectiva tendente a converter o modelo de desenvolvimento global segundo uma direcção mais respeitadora da criação e de um desenvolvimento humano integral, inspirado nos valores próprios da caridade na verdade. Faço votos, portanto, de que se adopte um modelo de desenvolvimento fundado na centralidade do ser humano, na promoção e partilha do bem comum, na responsabilidade, na consciência da necessidade de mudar os estilos de vida e na prudência, virtude que indica as acções que se devem realizar hoje na previsão do que poderá suceder amanhã. 10. A fim de guiar a humanidade para uma gestão globalmente sustentável do ambiente e dos recursos da terra, o homem é chamado a concentrar a sua inteligência no campo da pesquisa científica e tecnológica e na aplicação das descobertas que daí derivam. A « nova solidariedade », que João Paulo II propôs na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1990, e a « solidariedade global », a que eu mesmo fiz apelo na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2009, apresentam-se como atitudes essenciais para orientar o compromisso de tutela da criação através de um sistema de gestão dos recursos da terra melhor coordenado a nível internacional, sobretudo no momento em que se vê aparecer, de forma cada vez mais evidente, a forte relação que existe entre a luta contra a degradação ambiental e a promoção do desenvolvimento humano integral. Trata-se de uma dinâmica imprescindível, já que « o desenvolvimento integral do homem não pode realizar-se sem o desenvolvimento solidário da humanidade ». Muitas são hoje as oportunidades científicas e os potenciais percursos inovadores, mediante os quais é possível fornecer soluções satisfatórias e respeitadoras da relação entre o homem e o ambiente. Por exemplo, é preciso encorajar as pesquisas que visam identificar as modalidades mais eficazes para explorar a grande potencialidade da energia solar. A mesma atenção se deve prestar à questão, hoje mundial, da água e ao sistema hidrogeológico global, cujo ciclo se reveste de primária importância para a vida na terra, mas está fortemente ameaçado na sua estabilidade pelas alterações climáticas. De igual modo deve-se procurar apropriadas estratégias de desenvolvimento rural centradas nos pequenos cultivadores e nas suas famílias, sendo necessário também elaborar políticas idóneas para a gestão das florestas, o tratamento do lixo, a valorização das sinergias existentes no contraste às alterações climáticas e na luta contra a pobreza. São precisas políticas nacionais ambiciosas, completadas pelo necessário empenho internacional que há-de trazer importantes benefícios sobretudo a médio e a longo prazo. Enfim, é necessário sair da lógica de mero consumo para promover formas de produção agrícola e industrial que respeitem a ordem da criação e satisfaçam as necessidades primárias de todos. A questão ecológica não deve ser enfrentada apenas por causa das pavorosas perspectivas que a degradação ambiental esboça no horizonte; o motivo principal há-de ser a busca duma autêntica solidariedade de dimensão mundial, inspirada pelos valores da caridade, da justiça e do bem comum. Por outro lado, como já tive ocasião de recordar, a técnica « nunca é simplesmente técnica; mas manifesta o homem e as suas aspirações ao desenvolvimento, exprime a tensão do ânimo humano para uma gradual superação de certos condicionamentos materiais. Assim, a técnica insere-se no mandato de “cultivar e guardar a terra” (cf. Gn 2, 15) que Deus confiou ao homem, e há-de ser orientada para reforçar aquela aliança entre ser humano e ambiente em que se deve reflectir o amor criador de Deus ». 11. É cada vez mais claro que o tema da degradação ambiental põe em questão os comportamentos de cada um de nós, os estilos de vida e os modelos de consumo e de produção hoje dominantes, muitas vezes insustentáveis do ponto de vista social, ambiental e até económico. Torna-se indispensável uma real mudança de mentalidade que induza a todos a adoptarem novos estilos de vida, « nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom e a comunhão com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as opções do consumo, da poupança e do investimento ». Deve-se educar cada vez mais para se construir a paz a partir de opções clarividentes a nível pessoal, familiar, comunitário e político. Todos somos responsáveis pela protecção e cuidado da criação. Tal responsabilidade não conhece fronteiras. Segundo o princípio de subsidiariedade, é importante que cada um, no nível que lhe corresponde, se comprometa a trabalhar para que deixem de prevalecer os interesses particulares. Um papel de sensibilização e formação compete de modo particular aos vários sujeitos da sociedade civil e às organizações não-governamentais, empenhados com determinação e generosidade na difusão de uma responsabilidade ecológica, que deveria aparecer cada vez mais ancorada ao respeito pela « ecologia humana ». Além disso, é preciso lembrar a responsabilidade dos meios de comunicação social neste âmbito, propondo modelos positivos que sirvam de inspiração. É que ocu-par-se do ambiente requer uma visão larga e global do mundo; um esforço comum e responsável a fim de passar de uma lógica centrada sobre o interesse egoísta da nação para uma visão que sempre abrace as necessidades de todos os povos. Não podemos permanecer indiferentes àquilo que sucede ao nosso redor, porque a deterioração de uma parte qualquer do mundo recairia sobre todos. As relações entre pessoas, grupos sociais e Estados, bem como as relações entre homem e ambiente são chamadas a assumir o estilo do respeito e da « caridade na verdade ». Neste contexto alargado, é altamente desejável que encontrem eficaz correspondência os esforços da comunidade internacional que visam obter um progressivo desarmamento e um mundo sem armas nucleares, cuja mera presença ameaça a vida da terra e o processo de desenvolvimento integral da humanidade actual e futura. 12. A Igreja tem a sua parte de responsabilidade pela criação e sente que a deve exercer também em âmbito público, para defender a terra, a água e o ar, dádivas feitas por Deus Criador a todos, e antes de tudo para proteger o homem contra o perigo da destruição de si mesmo. Com efeito, a degradação da natureza está intimamente ligada à cultura que molda a convivência humana, pelo que, « quando a “ecologia humana” é respeitada dentro da sociedade, beneficia também a ecologia ambiental ». Não se pode pedir aos jovens que respeitem o ambiente, se não são ajudados, em família e na sociedade, a respeitar-se a si mesmos: o livro da natureza é único, tanto sobre a vertente do ambiente como sobre a da ética pessoal, familiar e social. Os deveres para com o ambiente derivam dos deveres para com a pessoa considerada em si mesma e no seu relacionamento com os outros. Por isso, de bom grado encorajo a educação para uma responsabilidade ecológica, que, como indiquei na encíclica Caritas in veritate, salvaguarde uma autêntica « ecologia humana » e consequentemente afirme, com renovada convicção, a inviolabilidade da vida humana em todas as suas fases e condições, a dignidade da pessoa e a missão insubstituível da família, onde se educa para o amor ao próximo e o respeito da natureza. É preciso preservar o património humano da sociedade. Este património de valores tem a sua origem e está inscrito na lei moral natural, que é fundamento do respeito da pessoa humana e da criação. 13. Por fim não se deve esquecer o facto, altamente significativo, de que muitos encontram tranquilidade e paz, sentem-se renovados e revigorados quando entram em contacto directo com a beleza e a harmonia da natureza. Existe aqui uma espécie de reciprocidade: quando cuidamos da criação, constatamos que Deus, através da criação, cuida de nós. Por outro lado, uma visão correcta da relação do homem com o ambiente impede de absolutizar a natureza ou de a considerar mais importante do que a pessoa. Se o magistério da Igreja exprime perplexidades acerca de uma concepção do ambiente inspirada no ecocentrismo e no biocentrismo, fá-lo porque tal concepção elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os outros seres vivos. Deste modo, chega-se realmente a eliminar a identidade e a função superior do homem, favorecendo uma visão igualitarista da « dignidade » de todos os seres vivos. Assim se dá entrada a um novo panteísmo com acentos neopagãos que fazem derivar apenas da natureza, entendida em sentido puramente naturalista, a salvação para o homem. Ao contrário, a Igreja convida a colocar a questão de modo equilibrado, no respeito da « gramática » que o Criador inscreveu na sua obra, confiando ao homem o papel de guardião e administrador responsável da criação, papel de que certamente não deve abusar mas também não pode abdicar. Com efeito, a posição contrária, que considera a técnica e o poder humano como absolutos, acaba por ser um grave atentado não só à natureza, mas também à própria dignidade humana. 14. Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. A busca da paz por parte de todos os homens de boa vontade será, sem dúvida alguma, facilitada pelo reconhecimento comum da relação indivisível que existe entre Deus, os seres humanos e a criação inteira. Os cristãos, iluminados pela Revelação divina e seguindo a Tradição da Igreja, prestam a sua própria contribuição. Consideram o cosmos e as suas maravilhas à luz da obra criadora do Pai e redentora de Cristo, que, pela sua morte e ressurreição, reconciliou com Deus « todas as criaturas, na terra e nos céus » (Cl 1, 20). Cristo crucificado e ressuscitado concedeu à humanidade o dom do seu Espírito santificador, que guia o caminho da história à espera daquele dia em que, com o regresso glorioso do Senhor, serão inaugurados « novos céus e uma nova terra » (2 Pd 3, 13), onde habitarão a justiça e a paz para sempre. Assim, proteger o ambiente natural para construir um mundo de paz é dever de toda a pessoa. Trata-se de um desafio urgente que se há-de enfrentar com renovado e concorde empenho; é uma oportunidade providencial para entregar às novas gerações a perspectiva de um futuro melhor para todos. Disto mesmo estejam cientes os responsáveis das nações e quantos, nos diversos níveis, têm a peito a sorte da humanidade: a salvaguarda da criação e a realização da paz são realidades intimamente ligadas entre si. Por isso, convido todos os crentes a elevarem a Deus, Criador omnipotente e Pai misericordioso, a sua oração fervorosa, para que no coração de cada homem e de cada mulher ressoe, seja acolhido e vivido o premente apelo: Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. Jesus nasceu numa gruta, porque não havia lugar para ele!SÓ QUEM ACREDITA E PRATICA A POLÍTICA PODE FAZER NATAL O Natal nos ensina que o cristianismo é a encarnação de um Deus que faz uma opção de classe, se faz homem de carne e ossos não para si, mas para o bem comum, para a mudança da sociedade (Mt 25,31-46) Por isso ele nasceu, viveu, lutou a vida toda no meio dos empobrecidos e contra os exploradores. O Natal é o começo de uma grande descida de Deus no meio do povo empobrecido e explorado. Toda a vida de Jesus foi uma descida aos mais excluídos. (Fil 2,5-11) Ele e sua mãe não buscavam o interesse pessoal, mas o bem comum, especialmente dos mais excluídos e sofridos (Jo 2,1-10) Jesus nasce numa gruta porque não havia lugar para ele. Jesus, desde o nascimento até a morte, vive um eterno conflito de classe contra os da classe dominante, que o matarão por não querer perder seus privilégios (Lc 23,1-7) Jesus se fez carne em uma classe e para uma classe (Lc 4,18-20). Para os empobrecidos o Natal é uma Boa Nova e para os outros uma desgraça, pois são obrigados a devolverem o que roubaram (Lc 6,24-26) Os pastores o encontram sem precisar de estrela, os magos o buscam na casa dos poderosos e precisam de uma estrela. Por que? Maria, a mãe de Jesus se prepara ao Natal visitando e ajudando sua prima grávida (Lc. 1,36-45) Os apóstolos procuravam toda hora o próprio interesse e não se interessavam das necessidades do povo, quando o povo tinha fome eles queriam que Jesus mandasse embora o povo. (Mc 6,30-38) Eles procuravam os primeiros lugares. Maria percebe o projeto de Deus que é ”exaltar os humildes e mandar embora os poderosos de mãos vazias” (Lc. 1,46-56) A prova do exame de Jesus será política: “Tinha fome, era nu, estava desempregado e você nem olhou para mim, você ia na Aparecida e se aliava com os potentes” (Mt 25,31-46). “Sabeis que os governadores das nações as dominam e os grandes as tiranizam. Entre vós não deverá ser assim” (Mt 20,24-28). Se você estiver em dúvida da sua opção política não desanime: tem sempre tempo para fazer Natal. Talvez o Natal seja a festa mais profanada do ano. Cada um busca presentes e ninguém quer ser um presente para os outros. Maria não guardou seu filho para si, o ofereceu para todos nós. “Nós sabemos que passamos da morte para a VIDA só se amamos os irmãos” (1 Jo. 3,14) Feliz compromisso com a classe trabalhadora, pois só assim faremos NATAL, ajudando os sem vida a terem mais vida. Política é a luta pelo bem comum. Isso é um dever de todos. Politicagem é lutar só para si, enganando os outros com corrupções e impunidades. Isso é proibido para todos e deveriam ser punidas todas pessoas que a praticam. Política partidária é a organização que luta organizadamente num partido para chegar mais rapidamente ao bem comum. Esta não é obrigatória para ninguém. Como você entende o Natal? Mande suas reflexões, clicando aqui Na foto: padre Valnei, à direita, com padre Bruno Tonolli, atual pároco de Santa Amélia, na periferia de Curitiba.Santa Amélia, em Curitiba, acolheu com festa padre Valnei No dia 19 de dezembro chegou em Curitiba o missionário comboniano Padre Valnei Pedro Reghelin. Veio de Macau, que era um território português, mas passou a pertencer à China 10 anos atrás. Padre Valnei veio para um período de férias: foi acolhido com festa pelo povo da Paróquia Santa Amélia, em Curitiba, onde ele serviu como pároco, antes de ser destinado missionário à China. Macau é uma região autônoma, pertercente a China. Vive de turismo e cassinos. A população soma 600 mil habitantes; deles, só 2% são católicos. Padre Valnei trabalha em Macau há 13 anos. Com mais 3 colegas combonianos, todos de nacionalidade diferente, faz um trabalho de primeira evangelização, com catequese de adultos, formação de lideranças, fortalecimento da estrutura pastoral. Padre Valnei passará um período de descanso com a família, que mora atualmente em Porto Alegre, e no final de fevereiro regressará a Macau para continuar a sua missão. O e-mail de padre Valnei é vpedrobrasil@yahoo.com ![]() Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, assim proclama a vinda de Deus, com o nascimento de Seu Filho Jesus, entre nós, neste mundo: (Carta aos Filipenses, 2,5-12): Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo: Ele tinha a condição divina, mas não se apegou a sua igualdade com Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens. Assim, apresentando-se como simples homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso, Deus o exaltou grandemente, e lhe deu o Nome que está acima de qualquer outro nome; para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho no céu, na terra e sob a terra; e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. 15ª CONFERENCIA CLIMÁTICA DE COPENHAGUE A Conferencia de Copenhague sobre o clima tinha o objetivo de diminuir os perigos do desequilíbrio climático provocado nos últimos anos. Entre eles lembramos alguns: a temperatura do planeta continuará a subir, as geleiras continuarão a derreter, o nível do mar continuará a subir, o comportamento do clima continuará a mudar, as colheitas continuarão a ser perdidas, as pessoas continuarão a morrer em enchentes, as secas e furacões continuarão aumentando, os países pobres serão mais atingidos pela fome, aumentará o nível do mar que provocará o desaparecimento de regiões mais baixas e a extinção de espécies de peixes, aumentarão as regiões desérticas, aumentará a riqueza dos ricos e a pobreza dos pobres assim aumentará as injustiças sociais e os fracos serão engolidos pelos mais fortes. E a conferencia foi um verdadeiro fracasso. Nem conseguiram fazer um documento e nem traçar os compromissos mínimos para todos. Portanto as ameaças continuarão e aumentarão. Quais as causas do fracasso? O médico com seu paciente deve perguntar: “Por que chegamos a esta situação? Quais as causas? O índio Evo Morales disse: “Ou superamos o capitalismo ou ele destruirá a Mãe Terra e todos nós”. Leonardo Boff afirma: 'Copenhague tirou a máscara do capitalismo, incapaz de fazer consensos porque pouco lhe importa a vida e a Terra, mas antes as vantagens e os lucros materiais'. O mesmo Boff continua dizendo: “Enquanto mantivermos o sistema capitalista mundialmente articulado será impossível um consenso que coloque no centro a VIDA”. O que o capitalismo quer é o lucro até às custas da vida das pessoas mais queridas. Boff ainda afirma: “Em 50 anos os pobres receberam de ajuda dois trilhões de dólares enquanto os bancos em um ano receberam 18 trilhões”. A Bíblia tem muitos fatos que podem iluminar os atuais acontecimentos. “Como poderá o lobo viver com o cordeiro? Assim o justo com o injusto. Que paz pode haver entre a onça e o cachorrinho? E que paz pode haver entre o rico e o pobre? Como um asno selvagem é a presa dos leões no deserto, assim os pobres servem de pasto aos ricos” (Livro do Eclesiástico 13,1-23). Os Magos esperavam solução do poderoso Herodes e foram enganados. Muito de nós esperávamos a solução do premio Nobel da paz Obama e nos enganamos. Quem está resolvendo a corrupção e iniquidade do governador de Brasília são os jovens que pressionaram a sociedade ocupando até a Assembléia Legislativa. Se nós esperarmos a solução das injustiças pelos grandes nós seremos derrotados e destruídos. Herodes tinha medo do menino Jesus e queria matá-lo. A próxima Conferencia do Clima será em novembro de 2010 no México. Vamos criar grupos especialmente de jovens para pressionar e mudar a situação. Se alguém pensar que não está obrigado a esta tarefa deve ler a primeira carta de Paulo aos Coríntios 12,21-26 ou Marcos 06,34-44. Mande sua opinião, clicando aqui Na foto: numa aldeia de Duk Padiet, Sudão do SulSul do Sudão anseia por liberdade, mas teme uma nova guerra A notícia correu em uma sexta-feira. Chibetek estava voltando com guerreiros e muito ressentimento, para acertar as contas. Toda a aldeia entrou em modo de combate. Os meninos agarraram rifles enferrujados, as mulheres correram para o rio para se esconder na água, os velhos montaram sentinela nos arredores da aldeia, fixando seus olhos amarelos e remelentos nas vastas savanas e pântanos cheios de malária que mantiveram essa região isolada durante décadas. E quando os guerreiros vieram, disseram os aldeões, havia centenas deles, talvez milhares, surgindo pelo capim-elefante, da altura do peito, com metralhadoras e granadas lançadas por foguetes, vestindo novos uniformes que significavam um nível inédito de organização militar. 'Isto não era uma batida para apanhar gado', disse Majak Piok, um idoso da aldeia. O sul do Sudão, uma das áreas menos desenvolvidas e mais assoladas pela guerra da África, está em uma fase crítica, preparando-se para uma votação sobre a independência que provavelmente dividirá o Sudão, já volátil, em dois. É o auge de décadas de guerra civil e de um tratado de paz apoiado pelos EUA para pôr fim a ela, mas conforme se aproxima o dia tão esperado muitos sudaneses do sul temem que outra guerra devastadora esteja no horizonte. Mais de 2 mil pessoas foram mortas este ano em batalhas de origem étnica, como a recente em Duk Padiet. Os aldeões chamam isso de 'guerra tribal', mas os líderes do sul do Sudão e alguns diplomatas da ONU suspeitam que não sejam simplesmente disputas locais resolvidas a ponta de fuzil. Em vez disso, eles indicam um recente influxo de armas na região, dizendo que isso sugere que as autoridades do norte do Sudão estejam armando várias facções - como já fizeram antes -, em um complô para mergulhar o sul no caos e para que o referendo da independência marcado para 2011 seja adiado ou mesmo cancelado. Os políticos do norte, que controlam o país, negam ardentemente essas acusações, e não há uma prova concreta de interferência. Mas a estabilidade do Sudão, o maior país da África, com quase 2,6 milhões de quilômetros quadrados, pode estar em jogo. Mais de 2 milhões de pessoas morreram durante a guerra civil que terminou com o acordo de paz de 2005, e se irrompesse um novo conflito norte-sul poderia incluir militantes de Darfur, das montanhas Nuba, do leste do Sudão e de outros cantos do país. Desta vez o centro poderá não suportar, segundo muitos analistas, porque a política do Sudão se tornou muito combustível. O presidente Omar Hassan al-Bashir foi acusado de crimes de guerra; o país se prepara para uma eleição disputada em abril; enormes suprimentos de armas continuam entrando; e militares do norte e do sul estão em alerta máximo, especialmente em áreas de fronteira disputadas. Já no sul as aldeias estão sendo arrasadas, crianças sequestradas e milhares de civis despossuídos estão afluindo para campos de refugiados, em cenas que lembram o conflito de Darfur, que, depois de anos de violência, está comparativamente tranquilo. 'Este é o núcleo' da violência, disse David Gressly, a principal autoridade da ONU no sul do Sudão. Ele passou a mão sobre um mapa mostrando o estado de Jonglei, onde a aldeia de Duk Padiet foi atacada por um comandante rebelde chamado Chibetek. Vários outros massacres ocorreram recentemente na área. O roubo de gado e pequenas escaramuças acontecem há eras, disse Gressly, mas este ano houve uma 'facilidade e disponibilidade de munição' incomum. O norte tem uma história bem documentada de canalizar armas para o sul do Sudão e atirar os sulinos uns contra os outros, geralmente seguindo linhas étnicas. E há bilhões de dólares de petróleo no sul, que o norte claramente não quer perder. Mas o norte dominad |