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SUDÃO: a Igreja quer ser fermento de justiça e paz!

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Na foto: dom Cesare Mazzolari, bispo de Rumbek, no sul do Sudão.

Igreja minoritária, mas sempre presente

Apesar de ser o maior país da África em termos de superfície, o Sudão conta só com nove dioceses. Tem 37 milhões de habitantes, dos quais 80% são muçulmanos e 17%, cristãos. Destes, 15% são católicos.

Seus bispos encontram-se em visita ad limina apostolorum em Roma, em um momento crucial para a história do país.
Um referendo previsto para janeiro de 2011 poderia dar a independência à atual região autônoma do sul do Sudão, cujas disputas com o norte causaram um complexo conflito que deixou um número aproximado de 2 milhões de mortes e 4,5 milhões de deslocados. Tal conflito recrudesceu em 2003, quando um grupo autodenominado Frente de Libertação de Darfur (Darfur Liberation Front) reivindicou um ataque a Golo, o principal centro do distrito Yébel Marra.

Em declarações à Rádio Vaticano, Dom Cesare Mazzolari, bispo de Rumbek, diocese do sul do Sudão, ressaltou que a Igreja: “Sempre esteve presente e busca também levar sua própria ajuda humanitária”. Sacerdotes, religiosos e missionários que desempenham seu trabalho pastoral no Sudão comprometeram-se com a assistência da população golpeada pela guerra. Eles gerenciam atividades de desenvolvimento e promoção humana. A Igreja está a cargo de hospitais ambulatórios, casas para inválidos e anciãos, orfanatos e escolas.

Mudança possível

No mês de abril se celebrarão as eleições presidenciais e parlamentares neste país. Estas serão as primeiras eleições após o fim oficial em 2005 da guerra civil entre o governo, estabelecido no norte do país, de maioria muçulmana, e o Exército de Libertação do Povo do Sudão SPLA, proveniente do sul, de maioria cristã. Atualmente, o governo do Sudão está controlado pelo Partido do Congresso Nacional, do presidente Omar Hasan al Bachir, acusado pela Corte Penal Internacional de crimes de guerra e de danos à humanidade.

Dom Mazzolari ressaltou a mediação da Igreja no conflito: “Desde o início demos ao governo nosso parecer a respeito do que consideramos um verdadeiro genocídio no caso de Darfur”. “Mas nossa palavra não foi escutada, e seguimos buscando exercer uma influência construtiva, ainda que com muita dificuldade”, assinalou o prelado.

Apesar de ser uma população altamente golpeada pela pobreza, Dom Mazzolari fala de uma pobreza maior:
“A falta de identidade. Uma identidade que não foi permitida, desde séculos, nesta condição de um governo islâmico que oprime a população do sul, uma população que quer descobrir a própria identidade e chegar ao ponto de tomar para si a responsabilidade do próprio destino”.

A Igreja no Sudão, ainda que pequena, realizou inumeráveis esforços para ser mediadora do conflito no país. Durante estes anos de guerra, fez diversos apelos por um cessar-fogo, e sua conferência episcopal reforçou a Comissão de Justiça e Paz. “Deus nos chama a nos arrependermos dos numerosos pecados que cometemos contra Ele e contra nós mesmos”, disse o arcebispo da diocese de Juba, Dom Paolino Lukudu Loro, em uma carta pastoral sobre as próximas eleições.
“Em particular no sul do Sudão: tribos contra tribos, assassinatos, sequestros, corrupção. Devemos expiar estes pecados com orações e boas ações”, assinalou o prelado.

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