Biografia de Comboni
 Introdução à biografia

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Mil vidas para a Missão
Em 1870, ao terminar um relatório que estava fazendo para o cardeal encarregado das missões, em Roma, Comboni escreveu: 'Só tenho uma vida para oferecer pela salvação dos africanos: gostaria de ter mil e as ofereceria todas para esse fim'.
É uma frase que resume de maneira clara a figura e a história de Daniel Comboni, um homem de um sonho só e de uma única grande paixão. Alguém que viveu pela África e a ela se entregou de corpo e alma. Fez em apenas 50 anos de vida aquilo que humanamente exigiria várias vidas para poder ser feito. Uma vida apaixonante, intensa, quase sempre extraordinária. Nunca pequena, mesquinha.
Fora algumas poucas regiões litorâneas mais desenvolvidas, a África do século XIX era um continente desconhecido e proibido. Poucos tinham conseguido chegar a seu interior. Para fazê-lo, era necessário vencer as correntezas dos rios e das cachoeiras, os obstáculos dos desertos e das matas, resistir ao calor sufocante do dia e aos perigos da noite. Era necessário adaptar o corpo ao clima, às chuvas e às longas estiagens, à fome e à sede, aprender a lidar com animais e doenças e se defender da hostilidade de muitas populações locais.
A África não era lugar para europeu. Além de não ter estrutura física para suportar o ambiente, este era visto e considerado um inimigo, pois ainda não tinham sido canceladas as marcas da escravidão. Em pouco mais de 3 séculos de investidas de traficantes e caçadores de escravos, inteiras populações foram dizimadas e nenhum branco era bem-vindo, nem os homens de Igreja. Pelas dificuldades naturais e pela hostilidade, nenhum grupo religioso ainda penetrara na África Central.
Esse foi o ambiente que Comboni escolheu para viver seus sonhos e trabalhar como missionário.
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