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COMBONIANAS

Aqui também é Brasil!

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As combonianas Lucie, Olga e Rosa
(na foto) escrevem da Amazônia:

Nossa comunidade situa-se no sul do Estado do Ama­zonas, no km 180 da Transama­zônica, BR 230, na pequena vila de Santo Antônio do Matupi, município de Manicoré, Dioce­se de Humaitá. A maioria dos moradores veio dos Estados de Rondônia, Mato Grosso, Para­ná, e outros, em busca de ter­ra, madeira e melhoria de vida. Aqui faltam serviços básicos como água potável, saneamen­to, hospital, correio...

Os doen­tes ou acidentados têm que ser levados para o hospital de Hu­maitá, a 180 km ou para Apuí, a 220 km. Para se chegar à sede do município leva-se um dia de es­trada e dois de barco; por cau­sa da distância e pela falta de recursos econômicos, muitas pessoas deixam de reivindicar seus direitos. As crianças e os jovens enfrentam dificuldades para continuar os estudos pela carência de professores, mate­rial didático e óleo diesel para o transporte.

Em março de 2006, nós Mis­sionárias Combonianas, che­gamos nesta quase-paróquia de Santa Luzia para partilhar nossa vida, a convite de Dom Francisco Merkel, Bispo de Humaitá. Somos três Irmãs: Ir. Rosa Guzzo (Brasil), Ir. M. Lu­cie Tokoyo Buna (Congo) e Ir. Olga Estela Sánchez Caro (Mé­xico). Também já atuaram aqui as Irmãs Amani Boulos Naguib Sefein (Egito) e Maria de Lur­des Oliveira Ramos (Portugal).

Nosso serviço ao povo de Deus desdobra-se em três áreas:
Organização e acompanha­mento das doze Comunida­des Eclesiais (formação de líderes, catequese, serviço de escuta, Associação de mu­lheres e pais de alunos, pas­toral da criança e da juventu­de e Infância Missionária);
Pastoral da Saúde, de modo especial com a bioenergé­tica. Só existe uma unidade básica de saúde e muitas pessoas pedem remédios na­turais às Irmãs.
Presença com os povos in­dígenas Tenharim e Oiahoi. Como Irmãs, somos chama­das a ser pontes de reconci­liação entre as culturas, aqui de modo especial entre colo­nos e indígenas. Todos somos filhos de Deus, com direitos perante a justiça brasileira e a justiça divina.

Estamos numa diocese onde o clero é escasso, a população é grande e as distâncias enormes. Há quem não tem coragem de viver aqui, devido ao clima e às doenças. A presença mais forte é das Religiosas.
Nesta diocese existem também comunidades formadas por Irmãs de diferen­tes Congregações, já que nem todos os Institutos têm mem­bros suficientes para formarem comunidades. Assim, nos aju­damos, caminhando e crescen­do junto ao povo, na constru­ção do Reino de Deus.

Neste lugar tão distante, no meio da floresta amazônica, o povo grita para a Igreja no Bra­sil e para as autoridades brasi­leiras: 'Aqui também é Brasil'. Um grito de ajuda, com o de­sejo de crescer, de reivindicar seus direitos como pessoas e como filhos e filhas de Deus.

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