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BAIXADA FLUMINENSE: Pe.MARTINHO conta...

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Um pouco de história

A dez de Outubro de 2009, festa de São Daniel Comboni, fundador dos Missionários Combonianos, eu pe. Martinho Lopes Moura, missionário comboniano, cheguei à paróquia de Santa Terezinha, no Parque Lafaiete, diocese de Duque de Caxias, para aqui ficar, como  missionário e vigário paroquial.
Durante alguns meses já tinha sido pároco da paróquia de São Sebastião, no Gramacho, entregue para o Clero diocesano a 25 de Janeiro de 2009.

Santa Terezinha - Parque Lafaiete

Esta igreja de Santa Terezinha tem uma história que remonta a 1647, com a criação da freguesia de São João Batista de Trairaponga, separada da freguesia de Nossa Senhora do Pilar de Iguaçú, criada em 1637. A primeira capela foi dedicada a São João Batista. Com o abandono  e desabamento dessa capela, em 1857, esta área, foi agregada à igreja de São João de Meriti e a Santo Antônio,  em Caxias.
Dom Guilherme Muller, bispo diocesano de Barra do Pirai, vendo o abandono desta igreja e da antiga paróquia de São João Batista, convidou o povo para a sua reconstrução e recuperação e, em 1930, a igreja foi aberta de novo ao culto e a irmandade de Santa Terezinha ficou, como custódia da igreja e do lugar.
Dom Manuel Pedro de Cunha Cintra, primeiro Bispo de Petrópolis, cria a paróquia de Santa Terezinha no parque Lafaiete, em 1952, desmembrada da paróquia de Santo António.
O primeiro vigário da nova paróquia foi o pe. Adolfo Neemec, que era tcheco de nascimento. Em 1954, o Pe. Adolfo foi transferido para São José de Rio Preto, SP. Mas devido a um abaixo assinado, o mesmo padre regressou à paróquia e foi recebido festivamente. Quatro anos mais tarde, foi comprado um terreno para a construção da comunidade de São Sebastião. Em 1964, pe. Adolfo viajou para a Alemanha para fazer uma cirurgia e visitar os seus parentes e por lá ficou definitivamente.
Outro tcheco, o Pe. Roberto Sara, foi o segundo vigário que veio transferido da diocese de Bonfim, na BA, e atendia também as comunidades de São Sebastião, santa Rita  e Sagrado Coração de Jesus. Deu vida a algumas pastorais e associações, dando uma força à irmandade de Santa Terezinha. Em 1981, com a criação da diocese de Duque de Caxias, Dom Mauro Morelli confirmou o pe. Roberto como pároco e ele ficou até 22 de Julho de 1991, quando faleceu.   O Padre Severino, da diocese de Pádua, na Itália, assumiu a paróquia até 1999, quando o padre João Luis Consoni, comboniano, foi nomeado pároco e ficou até Setembro de 2009.

Situação atual da paróquia

A paróquia é composta por 9 comunidades. Algumas estão em áreas de favela e são comunidades pobres e com muitas dificuldades; são elas: Nossa Senhora da Penha, Nossa Senhora das Graças e São José. Outras comunidades são bastante numerosas, São Sebastião, São Judas, Senhora da Glória, Senhora do Carmo, São Pedro e Santa Terezinha.
Em Vila Ideal, na comunidade Senhora das Graças, funciona uma escola comunitária com cerca de 100 crianças e é orientada pelas Irmãs Servas da Santíssima Trindade; na comunidade São José funciona outra escola comunitária, com umas 30 crianças, dirigida pelas Irmãs Franciscanas de Dillingen.

O que foi e o que é

A Baixada fluminense foi o lugar das fazendas de cana de açúcar e, mais tarde de pomares e, o lugar de residência e trabalho de milhares e milhares de escravos.  É uma área  baixa, como diz a própria palavra e, por isso, costuma ficar alagada, quando as chuvas são mais abundantes. No passado, nesta área de Caxias, havia alguns senhores que eram os donos absolutos e exclusivos destas populações. Faz alguns anos que a Igreja, através das numerosas pastorais vem fazendo um bom trabalho, no campo social, humano e educacional, isto através de obras sociais comunitárias e também no campo da saúde, com Postos de saúde e Ambulatórios.
Impressiona o visitante a quantidade de população jovem, de crianças e adolescentes. Com os seus morros e favelas esta área tem  sérios problemas, no campo da violência, droga, prostituição etc. em certas favelas a entrada é controlada pelos seus moradores, para a segurança dos mesmos.

No campo social e religioso

As  comunidades cristãs sentem a necessidade de criar laços de fraternidade entre os seus membros e entre elas mesmas, também por causa da fragilidade  da vida social.
A Baixada não tem indústrias e a possibilidade de muitos postos de trabalho, somente alguns, no comércio e por isso tanta gente se desloca diariamente para cidade de Rio de Janeiro, para assegurar a sobrevivência da família, com algum emprego mais seguro e melhor remunerado. Os meios de transporte são os ônibus e o trem, sempre lotados de manhã e à tarde.
A Igreja católica está intensificando uma pastoral de acolhida e de evangelização, discípulos e missionários e no campo da promoção humana e educacional. Uma boa parte da população é formada de afro-brasileiros.  E os imigrantes, sobretudo são do nordeste brasileiro. Caxias também foi o destino de tantos imigrantes portugueses.
 Podemos dizer que esta área e diocese, com todos os seus problemas humanos e sociais, está voltada para o futuro, sobretudo pela quantidade de juventude, que lota as muitas escolas.
São muitas, também, as igrejas de várias denominações religiosas e o campo da evangelização é um campo propício para o serviço de todas estas igrejas.
Esperamos que os Jogos Olímpicos, de 2016, tragam também, mais bem-estar para esta gente, que ao longo dos séculos tem sido muito explorada e excluída do progresso e de um nível de vida humano e digno, em que as necessidades básicas de casa, alimentação, saúde, educação e cidadania não foram a prioridade dos governantes locais. O futuro será de certeza melhor.
                                                                

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